quinta-feira, 21 de setembro de 2017

APNEN comemora 10 anos de fundação



Nesse dia 21 de setembro de 2017, a APNEN Associação dos Portadores de Necessidades Especiais de Nova Odessa, comemora 10 anos de fundação, também nessa data comemora-se o Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiências que foi instituído pelo movimento social em Encontro Nacional, em 1982, com todas as entidades nacionais. Foi escolhido o dia 21 de setembro pela proximidade com a Primavera e o Dia da Árvore numa representação do nascimento das reivindicações de cidadania e participação plena em igualdade de condições. A data foi oficializada através da Lei Federal nº 11.133, de 14 de julho de 2005. Esta data é comemorada e lembrada todos os anos desde então em todos os estados; serve de momento para refletir e buscar novos caminhos e como forma de divulgar as lutas por inclusão social.

Hoje juntamente com os atuais e os antigos membros da nossa diretoria, amigos, voluntários e patrocinadores, completo 10 anos a frente dessa grande e respeitada entidade, aproveito o momento para agradecer a todos, pela confiança à mim prestada. Aos poucos fomos buscando nosso espaço e posso afirmar que nesses 10 anos conseguimos ajudar muitas Pessoas com Deficiência que nos procuraram solicitando uma ajuda.

Nesses 10 anos a APNEN realizou as doações de;
53 - Cadeira de Rodas
08 - Cadeiras de Rodas Adaptadas,
02 - Cadeira de Rodas Motorizadas
31 - Cadeiras de Banho
03 – Pares de Muletas
46 – Acessórios entre eles, Colchões, Baterias, Óculos, Assentos/Encosto, Pneus, Rodinhas e outas Peças para Cadeiras de Rodas
01 – Guincho de Transferência
40 Lts. - Suplementos Alimentares -
06 Equipamentos Eletrônicos
03 - Equipamentos Esportivos
42 Pacotes de Fraldas Descartáveis
05 - Manutenções em Cadeiras de Rodas /Normal e Motorizada

Totalizando um valor de R$101.415,19 em doações.

Essas doações somente foram possíveis, graças ao grandioso trabalho realizado por todos os membros da nossa diretoria anteriores e atual, aos nossos voluntários, nossos patrocinadores e amigos que sempre estão prontos, a colaborarem com a APNEN e em especial a você munícipe que sempre visitou uma das nossas barracas e assim colaborou para que todo esse trabalho fosse realizado.

Deixo aqui, um forte abraço a todos, e o meu muito Obrigado.

Carlos Alberto Raugust – Presidente da APNEN

Fonte APNEN de Nova Odessa

Polícia nos EUA mata homem que não obedeceu às suas ordens porque era surdo

Vizinho tentou alertar policiais que Magdiel Sánchez, de 35 anos, não podia ouvir ordens para soltar cano e deitar no chão. Atingido por uma arma de choque e um tiro, ele morreu antes da chegada do serviço de emergência.

Por G1

Magdiel Sánchez em foto não datada, cedida por sua família (Foto: Sanchez Family Photo via AP)
Magdiel Sánchez em foto não datada, cedida por sua família (Foto: Sanchez Family Photo via AP)

A polícia de Oklahoma City, nos EUA, matou na terça-feira um homem que não obedeceu às ordens dos agentes por ser uma pessoa surda, reconheceram nesta quarta (20) fontes policiais.

Magdiel Sánchez, de 35 anos, morreu na porta de sua casa depois de sofrer um disparo após os policiais ordenarem que ele soltasse um cano que carregava e deitar no chão, embora um vizinho tenha tentado alertar que o homem não podia ouvi-los.

Segundo a agência EFE, o incidente aconteceu na noite de terça, quando dois agentes tentavam localizar o dono de um veículo que pouco antes tinha se envolvido em um acidente de trânsito e fugido.

Os policiais receberam um aviso de que o motorista do veículo poderia ser o pai de Magdiel Sánchez, por isso que se dirigiram à sua casa.

Ao chegar, o tenente Matthew Lindsey encontrou o homem sentado na varanda e com um cano nas mãos, por isso decidiu pedir reforços.

"Quando chegou a unidade de reforço, começaram a dar indicações ao indivíduo para que soltasse a arma e deitasse no chão", relatou nesta quarta-feira a capitã Bo Mathews, chefe da Polícia de Oklahoma.

Nesse momento, Magdiel ficou de pé e caminhou na direção dos agentes, ainda com o cano nas mãos.

Apesar de, segundo Mathews, pelo menos um vizinho ter avisado aos policiais que ele não podia escutá-los, Lindsey disparou com uma pistola de choque, enquanto um segundo agente, o sargento Christopher Barnes, abriu fogo contra Magdiel, que morreu antes da chegada do serviço de emergência.

De acordo com a Associated Press, Sánchez, que não tinha antecedentes criminais, também não falava e se comunicava principalmente através de gestos. Um de seus vizinhos, Julio Rayos, disse ao jornal "The Oklahoman" que ele tinha problemas de desenvolvimento e pode ter se aproximado dos policiais ao perceber que não estava conseguindo se comunicar direito com eles.

Outra moradora da vizinhança, Jolie Guebara, afirmou que Sánchez costumava se comunicar com ela e seu marido através de bilhetes e que era comum vê-lo perto de sua casa com uma espécie de bastão, que ele usava para afastar cães de rua. A polícia inicialmente chegou a dizer que ele carregava um bastão quando foi morto, mas depois mudou a versão e afirmou que ele portava um cano.

Fonte: g1.globo.com

Xô, preconceito! Atletas com deficiência mostram desenvoltura no jiu-jítsu - Veja o vídeo.

Com área exclusiva para lutas adaptadas, competição teve atleta paralímpico de rugby, pupilo "atrevido" de José Aldo e lutador de MMA com paralisia cerebral

Por Caio Blois* e Guido Nunes, Rio de Janeiro - * Estagiário, sob a supervisão de Raphael Marinho

Xô, preconceito! Atletas com deficiência mostram desenvoltura no jiu-jítsu


Realizado no último domingo no Rio de Janeiro, o Campeonato Sul-Americano de Jiu-Jítsu teve na inclusão seu diferencial em relação a outros eventos de luta pelo mundo. Com uma área exclusiva para lutas especiais, a competição teve momentos de emoção para o público com lutas entre atletas deficientes e estrelas como José Aldo.

O evento organizado pela SJJSAF (Federação Sul-Americana de Jiu-Jitsu) mostrou que não existem barreiras para a prática do esporte. O faixa-preta Alan de Oliveira, de 26 anos, nasceu com paralisia cerebral. Já há dez anos lutando jiu-jítsu, ele era só sorrisos após sua luta.

- Eu nunca pensei que pudesse chegar até aqui, por todo o preconceito que a gente passa na vida. Eu sou um privilegiado de estar aqui com uma porção de pessoas especiais, grandes ídolos. Eu lutei na minha categoria, fiquei em terceiro lugar, lutei contra pessoas "normais" e ganhei também. É um dia muito especial para mim - declarou.

Com paralisia cerebral, o faixa-preta Alan de Oliveira venceu sua luta especial no Sul-Americano de Jiu-Jitsu (Foto: Caio Blois )
Com paralisia cerebral, o faixa-preta Alan de Oliveira venceu sua luta especial no Sul-Americano de Jiu-Jitsu (Foto: Caio Blois )

E se engana quem pensa que Alan é aguerrido apenas usando quimono. Com um cartel de cinco lutas no MMA, ele admite preferir o tatame, mas não descarta mais experiências no cage.

- Lutei cinco vezes no MMA. Ganhei duas e perdi três. Mas o que importa é participar, me sentir incluído. Meu esporte é o jiu-jítsu, mas se me convidarem de novo para lutar MMA, eu vou para dentro e vou ganhar - prometeu.

No colo de seu mestre, Marcelo Negrão, Joãozinho posa ao lado de José Aldo (Foto: Caio Blois )
No colo de seu mestre, Marcelo Negrão, Joãozinho posa ao lado de José Aldo (Foto: Caio Blois )

Uma das sensações do evento foi o menino Joãozinho, de sete anos. Com má formação congênita, ele não possui braços ou pernas, mas não fez disso obstáculo para lutar. Um dos frutos do projeto da Escola de Lutas José Aldo, na Maré, onde é aluno há dois anos, ele nem conhecia o ex-campeão peso-pena do UFC, que agora é seu ídolo.

- Eu fazia natação antes, foi quando apareceu o jiu-jitsu na minha vida. A natação era muito longe de casa, então, o jiu-jitsu era minha melhor opção. Antes eu não sabia quem era o Aldo, mas depois de ter ele como ídolo, conhecer ele foi muito emocionante. Muita emoção encontrar ele pessoalmente. Ele falou que eu sou bom (risos).

Click AQUI para ver o vídeo.

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Confira lutas de atletas especiais no sul-americano de jiu-jitsu

Já Julio, de 26 anos, já está acostumado com grandes disputas. Com má formação congênita, o atleta profissional de rugby para cadeirantes nunca imaginou praticar o esporte, mas hoje é apaixonado pela arte suave. Projeto Social e Esportivo Alvo da Luta.

- Eu conheci o projeto por meio do Mestre Jordan, que trabalha no mesmo lugar que eu e dá aula no Projeto Social e Esportivo Alvo da Luta. Ele me disse que eu era capaz de lutar, me mostrou como fazer tudo. Nunca passou pela minha cabeça. Aí eu comecei a treinar e me ajudou muito no rugby, principalmente no controle da respiração, condicionamento físico, minha performance melhorou, foi muito bom para mim.

Um ano e meio após conhecer o jiu-jítsu, ele elogiou a iniciativa de inclusão social da SJJSAF.

- Esses eventos tem sido muito importantes. É muito legal para mostrar para as pessoas que tem dificuldade de fazer atividades físicas de que elas são capazes, mostrar para as pessoas que tem condições como as nossas são capazes de praticar esportes. Não tem isso de limitação, é só ter força de vontade.

Para Julio, a Paralimpíada que disputou, no Rio, em 2016, modificou muito a forma com que o público enxerga as modalidades praticadas por deficientes.

- A Rio 2016 ajudou muito a romper as barreiras do preconceito. As pessoas não conheciam muito dos esportes paralímpicos. Até sabiam um ou outro, mas aqui, tiveram contato mais de perto. Nós queremos ser reconhecidos como atletas de alto rendimento, e não aquele clichê de "exemplo de superação". Nós somos, mas queremos ser vistos como atletas.

Julio Braz é atleta profissional de rugby para cadeirantes (Foto: Reprodução)
Julio Braz é atleta profissional de rugby para cadeirantes (Foto: Reprodução)

A Síndrome das Pernas Inquietas

Por Dr. André Felício, CRM 109.665, neurologista, doutorado pela UNIFESP/SP, pós-doutorado pela University of British Columbia/Canadá, e médico pesquisador do Hospital Israelita Albert Einstein/SP


A cena é conhecida: a pessoa está se preparando para deitar, depois de um longo dia, e, neste exato momento de descanso, as pernas começam a doer, e há uma intensa vontade de balançar os membros inferiores. Trata-se da síndrome das pernas inquietas, a SPI, um problema neurológico que acomete de 5 a 10% da população, mas é pouco reconhecido.

A denominação “pernas inquietas” se refere ao fato de o indivíduo ter que movimentar as pernas para aliviar os sintomas desconfortáveis, como dor, formigamento e ardor nas pernas, do joelho para baixo, especialmente no final do dia, e que pode piorar em períodos de repouso prolongado.

Outra pista para o diagnóstico de síndrome das pernas inquietas são os movimentos periódicos dos membros, que ocorrem à noite durante o sono, e são involuntários. É bastante percebido no dia seguinte, quando se nota o excesso de bagunça nos lençóis.

Em relação a fatores que podem agravar a síndrome, destaca-se o consumo abusivo de cafeína, um dos vilões de quem sofre desta síndrome. Por outro lado, movimentar-se (caminhar ou correr) e fazer massagem nas pernas são dicas boas para aliviar estes sintomas, e muitos dos que sofrem da síndrome das pernas inquietas, nesta hora, podem contar com os parceiros de cama para auxiliar com massagens ou outras técnicas de relaxamento.

Ainda não há formas de prevenção para a síndrome das pernas inquietas, até porque uma parte grande dos casos é hereditária. A boa notícia é que há algumas medicações que podem amenizar bastante os sintomas como remédios das seguintes classes: agonistas dopaminérgicos, anticonvulsivante e benzodiazepínico. Como sempre, o ideal é buscar orientação de um médico familiarizado com este problema, que irá sugerir a melhor opção de tratamento ao paciente, após confirmar o diagnóstico.

16 frases ainda comuns ditas para pessoas com deficiência

Muitas pessoas com deficiência e mobilidade reduzida tornam-se involuntariamente motivo de frases relacionadas à sua deficiência. O repertório abrange desde afirmações com base na admiração e lástima à interjeições com suposto humor nonsense e sentido pejorativo.

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Quem nunca ouviu um comentário ácido sobre a deficiência do colega? Ou aquele elogio sobre a superação inesperada? Não sei a proporção de um para o outro, o que sei é que isso acontece em todos os lugares na presença e ausência de pessoas com ou sem deficiência.

Ainda que a valorização da diversidade tem conquistado cada vez mais espaço no convívio diário, a tendência de novas percepções parece que não é o suficiente para responder à um emaranhado de dúvidas e especulações fundamentadas apenas na observação.

“O Maior inimigo do conhecimento não é a ignorância. É a ilusão de conhecimento.”
Stephen Hawking


Deficiência X Crenças sobre deficiência

Considerar a deficiência como algo que confere um status de “desvantagem” em nossa sociedade é um assunto amplo que sempre mostrará uma dicotomia.

De um lado, aqueles que acreditam que a deficiência resulta em privações múltiplas configurando em infelicidade eterna e, de outro, aqueles que a consideram como uma característica que pode interferir positivamente no temperamento, conquistas e experiências do indivíduo. Pouco a pouco um novo cenário está se estabelecendo na sociedade.

O empoderamento das pessoas com deficiência, leis, compartilhamentos nas redes sociais e empresas especializadas no segmento são parte integrante deste panorama. No entanto, durante o processo para uma nova consciência, crenças relativas à comiseração e piedade perduram no imaginário alheio.

Crenças consolidadas desde tempos longínquos onde a deficiência era associada à incompatibilidade com uma vida saudável, plena e feliz.

A propósito, você sabe o que é crença?

Segundo o dicionário Houaiss, “crença é o estado ou condição de quem acredita em alguma coisa ou pessoa; convicção profunda”. (1)

Traduzindo: crença é tudo o que acreditamos e cultivamos como verdade.

A formação das crenças inicia com um conceito prévio baseado no que sentimos sobre determinado assunto. Isso envolve nossos valores e a maneira como percebemos a vida, as pessoas, os acontecimentos e o mundo.

Com o tempo, potencializamos e gradativamente aquilo vai ficando cada vez mais forte dentro de nós. Quando vemos, estamos agindo e reagindo fundamentados em nossas crenças.

Veja exemplos comuns de crenças quando o assunto é dinheiro, trabalho, convivência e felicidade.

☛ Crenças sobre dinheiro: “Tudo que toco vira ouro”, “Ganhar dinheiro não é fácil”
☛ Crenças sobre convivência: “Conviver com pessoas é desafiador, mas eu gosto”, “Prefiro bicho a gente”
☛ Crenças sobre trabalho: “Realizo-me com meu trabalho”, “Tenho que matar um leão por dia”
☛ Crenças sobre felicidade: “Sou feliz pela vida que tenho”, “Só serei feliz o dia que eu comprar a casa e o carro dos meus sonhos”

Frequentemente quando o assunto relaciona-se a pessoas com deficiência, a maioria das crenças tem como premissa dois extremos: admiração e piedade.

Talvez você não parou para pensar nisso, mas certamente já presenciou alguma situação onde esses dois sentimentos vieram a tona em palavras ou olhares. Em minha pesquisa Crenças corporativas sobre pessoas com deficiência (2012/2013), entrevistei 300 colaboradores com deficiência auditiva, física, intelectual e visual de empresas públicas e privadas.

O objetivo foi identificar as crenças sobre pessoas com deficiência em ambiente corporativo, as maiores dificuldades e os aspectos que podem contribuir para o desenvolvimento da pessoa com deficiência na empresa.

Durante a pesquisa, os participantes relataram diversas experiências vividas dentro e fora do ambiente de trabalho bem como frases comuns que ouviram com base em sua deficiência. A pesquisa foi realizada há cinco anos. De lá para cá muitas coisas estão acontecendo, principalmente no sentido de tecnologias assistivas, comportamento e visibilidade das pessoas com deficiência.

Vale dizer que o desenvolvimento da consciência inclusiva não ocorre na mesma velocidade. Sabemos que qualquer mudança coletiva do comportamento humano acontece a passos lentos quando comparamos à tecnologia e ciência. Uma boa notícia é que estamos mudando nossa maneira de ver a deficiência e entendendo nosso papel para a materialização de um mundo inclusivo.

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Frases X Deficiência

Neste primeiro artigo, compartilho 16 frases recorrentes que, segundo os entrevistados, a maioria das pessoas com deficiência já se deparou em algum momento da vida ou até mesmo diariamente. Evidente que há frases focadas em uma deficiência em particular. No entanto, a maioria parece comum a pessoas que tenham qualquer tipo de deficiência.

Ressalto que na opinião dos entrevistados, as afirmações e perguntas a seguir são dispensáveis e por vezes inconvenientes, pois corrobora o desconhecimento de suas capacidades e habilidades.

Preparados? Vamos lá então para as 16 frases ainda comuns ditas para pessoas com deficiência!

1. Eu olho para você e me dá uma pena!
2. Você é uma inspiração para a nossa equipe!
3. Seu marido (ou esposa) é igual a você ou é normal?
4. Como você consegue namorar mesmo sendo deficiente?
5. Você é um exemplo de superação!
6. Eu acho que você só foi contratada (o) por causa da cota!
7. Nossa, ele (a) nem parece surdo (a)!
8. Você não tem vontade de sair andando e deixar a cadeira de rodas para trás?
9. Para mim, todas as pessoas com deficiência são mais evoluídas que as pessoas sem deficiência.
10. Só você nasceu assim na sua família?
11. Imagino o fardo que é para você estar sentado (a) numa cadeira de rodas para sempre.
12. Seu namorado é anão também?
13. Desculpa, mas eu acho que você está pagando alguma coisa que você fez na sua vida passada.
14. Como você faz na hora do sexo?
15. Acho difícil alguém ser feliz sendo deficiente.
16. Porque você não solta o cabelo para esconder o implante (coclear) ou aparelho?

"Na prática, para boa parte da sociedade, a deficiência ainda “sobrepõe” a personalidade e capacidades de um indivíduo".

destaque

É como se a deficiência ou mobilidade reduzida fosse mais impactante que as demais características que compõem um ser humano.

Embora muitas ações são realizadas promovendo ou tentando promover inclusão, penso que ainda estamos nos integrando, conhecendo uns aos outros, o que não significa que praticamos a inclusão.

À medida que o processo de inclusão estiver presente em todos os setores, as frases acima tendem a deixar de serem comuns, pois estaremos falando de uma sociedade esclarecida nesse tema. No entanto, o processo é longo e baseia-se não somente na construção de rampas, mas principalmente numa consciência inclusiva.

Com cadeirante liderando equipe, ROCK IN RIO promete acessibilidade

O Rock in Rio teve um papel transformador na vida de Thiago Amaral, que de público se tornou líder da equipe de PNE do festival (Foto: Marco Visi/Divulgação)

O objetivo da equipe do Rock in Rio é proporcionar uma experiência inesquecível em entretenimento para todas as 700 mil pessoas que passarão pela Cidade do Rock em setembro. Todas mesmo, sem exceção. Esse cuidado inclui dois milpessoas com necessidades especiais. Esse público contará com uma plataforma exclusiva para assistir aos shows e lounge com serviços para cadeirantes. O festival ainda reservou para eles duas atividades que prometem ser inesquecíveis: um salto radical numa tirolesa adaptada e um passeio na roda gigante que oferece a melhor vista da festa.

Thiago Amaral, de 27 anos, é quem está por trás dessa política de acessibilidade total, que busca ser a referência no quesito para os festivais mundo afora. Ele é cadeirante desde 2011, quando o carro que o trazia de volta de uma competição de mountain bike capotou, o deixando tetraplégico.

“Há necessidade de inclusão porque existe a exclusão. E a exclusão, muitas vezes, vem do próprio cadeirante, que deixa de participar de algo por achar que não será recebido adequadamente. Trabalhamos para garantir o maior conforto possível. Em minhas pesquisas, nunca vi um festival com um olhar tão especial para isso quanto o Rock in Rio. É com certeza uma porta de entrada para outros festivais voltarem sua atenção para as pessoas com necessidades especiais”, avalia Thiago, que conta com 70 pessoas em sua equipe.

O plano de trabalho é minucioso e inclui muitos detalhes, que consideram não só pessoas com necessidades especiais, mas também a estrutura que os cerca. Os cães-guia, por exemplo, terão um espaço só para eles. Já os deficientes auditivos terão um lugar bem perto das caixas de som, podendo sentir assim as vibrações.

“Haverá ainda estacionamento exclusivo, vans especiais para PNE (portadores de necessidades especiais) saindo do shopping Metropolitano e do terminal olímpico do BRT rumo à Cidade do Rock. Carrinhos de golfe poderão ser usados para explorar toda a área, e triciclos, que se acoplam em cadeiras de rodas, também serão emprestados. A infraestrutura completa ainda conta com balcões e mesas acessíveis na área gastronômica, piso e mapas táteis para deficientes visuais, 22 banheiros exclusivos e até uma oficina lounge para reparos de cadeiras de rodas”, lista o coordenador de PNE do festival, sem disfarçar o orgulho.

Mas o centro das atenções deve ser mesmo a tirolesa adaptada. “O brinquedo é o mesmo, só que anteriormente, os cadeirantes tinham dificuldade para subir por ser uma escada em formato de espiral. E não há como instalar um elevador. Nas edições anteriores chegaram a levar pessoas no colo para o salto na tirolesa, mas era desconfortável. Agora compramos uma cadeira especial, com encosto alto e cinto de segurança de quatro pontos, que sobe e desce com muita segurança graças às roldanas”, revela o coordenador.

O próprio Thiago fez questão de testar o brinquedo. “Subi e desci na cadeira várias vezes e deu certo. Mas não encarei o salto no cabo. Tenho medo de altura”, confessa.

Start para uma nova vida

A estreia de Thiago no Rock in Rio foi em 2013, já na condição de cadeirante. Ele relembra a experiência libertadora: “Na época, ainda estava com um pouco de medo de vir ao evento e um amigo me encorajou. Não dirigia, minha mãe me trouxe, e amigos empurraram a cadeira em certos momentos. Foi bom, vi os shows bem. Gostei tanto que comprei mais dois ingressos”.

“Foi aí que comecei a despertar para fazer outras coisas, como recomeçar a faculdade de Administração e voltar a dirigir. O Rock in Rio me proporcionou voltar à vida social. Foi um ‘start’ para eu perceber que a cadeira de rodas não era uma cruz para mim e tinha que retomar minha vida normal”, prossegue Thiago, que também é atleta de rúgbi em cadeira de rodas.

Na edição de 2015 festival, já mais independente com a evolução de seu tratamento, Thiago não teve uma experiência positiva por conta das limitações do Parque dos Atletas e do seu entorno, com obras para a Olimpíada Rio-2016 na época. Resolveu então tomar uma atitude que acabou lhe rendendo um convite para trabalhar no evento.

“Ficou ruim e muita gente reclamou. Eu percebi muitas coisas que poderiam ser melhoradas e resolvi mandar o e-mail para a organização e foi parar no Rodolfo Medina, vice-presidente de marketing do Rock in Rio, que me contratou para desenhar todo o projeto de PNE”, conta Thiago, revelando seu grande estímulo.

“O que mais me motiva hoje é a oportunidade de quem sabe nesta edição ter um novo Thiago e que o festival possa ser, mais uma vez, o start desta pessoa”.

Gerente de Operação do Rock in Rio, Márcio Cunha diz que o público PNE está contemplado em toda a Cidade do Rock. “Só nas calçadas do Parque Olímpico investimos R$ 1,5 milhão. A nova Rock Street é mais ampla e mais larga já pensando no cadeirante. Na edição de 2015 era difícil entrar por conta da lotação. Agora ele vai ter uma experiência melhor. O respeito é total”, conclui.

Thiago Amaral: “O Rock in Rio me proporcionou voltar à vida social” (Foto: Jairo Junior/Divulgação)

Guia de Direitos e Acessibilidade do Passageiro | Acompanhamento

Na imagem, vemos um passageiro cego assentado em sua poltrona, acompanhado de seu cão-guia.

O passageiro precisará de acompanhamento:

• quando viajar em maca ou incubadora;
• quando houver impedimento de natureza mental ou intelectual que impeça o entendimento das instruções de segurança de voo;
• quando não puder atender às suas necessidades fisiológicas sem assistência.

IMPORTANTE

• Neste caso, o operador aéreo deve prover acompanhante, sem cobrança adicional, ou exigir a presença do acompanhante de escolha do passageiro e cobrar pelo assento do acompanhante até 20% do valor do bilhete aéreo adquirido pelo passageiro. O acompanhante deve viajar na mesma classe e em assento adjacente ao do passageiro, deve ser maior de 18 (dezoito) anos e possuir condições de prestar auxílio nas assistências necessárias.

Cão-Guia

O cão-guia pode acompanhar o passageiro em todas as etapas da viagem, inclusive no interior das aeronaves, cabendo ao dono apresentar documentos de comprovação de treinamento e identificação do animal, bem como fornecer a alimentação necessária.

O transporte do cão-guia deve ser gratuito, com acomodação no chão da cabine da aeronave, em local próximo de seu dono e sob seu controle, desde que esteja equipado com arreio, dispensado o uso de focinheira, e que não obstrua total ou parcialmente o corredor do avião.

Obs.: Todas as informações foram extraídas do Guia da ANAC, assim como a imagem utilizada.

Para saber mais:




Artigos do Cadeira Voadora sobre os direitos da pessoa com deficiência em viagem aérea: