segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Quinze pilotos de parapente se unem no desafio de voar com 50 cadeirantes - Veja o vídeo

Na Praia do Sol, Paraíba, a natureza criou uma rampa de decolagem perfeita para o voo de parapente, a 40 metros acima do nível do mar. 

Resultado de imagem para Quinze pilotos de parapente se unem no desafio de voar com 50 cadeirantes

Sabe aquela expressão, o céu não tem limites? Cinquenta pessoas com deficiência levaram isso ao pé da letra. Uma aventura que começou com o sonho de um homem com a cabeça nas alturas. 
Click AQUI para ver o vídeo.
Quinze pilotos de parapente de PernambucoParaíba e Rio Grande do Norte se uniram no desafio de voar com 50 cadeirantes em dois dias.
Na Praia do Sol, Paraíba, a natureza criou uma rampa de decolagem perfeita para o voo de parapente, a 40 metros acima do nível do mar. Veja na reportagem do Fantástico.

Ana Hickmann "adota" cachorrinho em prol de deficientes visuais

Apresentadora do Hoje em Dia fará a socialização de Kyra, filhote de golden retriever que passará por treinamento para ser efetivado como cão-guia

BICHOS Isadora Tega, do R7

                            Reprodução/Instagram
                                Ana Hickmann com o filhote Kyra
                            Ana Hickmann com o filhote Kyra

Ana Hickmann "aumentou" a família em prol de uma causa nobre. A apresentadora do programa Hoje em Dia, da Record TV, conviverá por um ano com Kyra, um filhote de Golden Retriever, para a chamada "socialização", a primeira fase de formação de um cão-guia.

Por meio do Instuto Magnus, uma iniciativa sem fins lucrativos que promove treinamento de cães-guia, Ana e sua família realizarão atividades cotidianas com Kyra, como explica George Harrison, especialista do instituto.

"Esse filhote viverá por um ano na casa da família, que apresentará o cachorro a todos os ambientes sociais, brincará com ele, o fará interagir com outras pessoas e animais e o educará, ensinando o que é pode e não pode, como um cachorro comum".

Após o período de socialização, a apresentadora devolverá o cachorro, que passará pela segunda fase de treinamento para se tornar um cão-guia e, então, ser doado a um cego.

"Eu sempre gostei muito de cães. Saber que eu posso ajudar uma causa tão importante apenas realizando atividades cotidianas com ele me deixa muito feliz. Mais famílias deveriam fazer isso", comemora ela.

Iniciativas como a de Ana Hickmann são de grande importância, pois, atualmente, o Brasil é carente de cães-guia: para cerca de sete milhões de pessoas com deficiência visual, há apenas 160 animais com essa função.

"É muito pouco, por isso estamos trabalhando para reverter esse cenário no País, e toda visibilidade é extremamente positiva", diz George Harrison.

O profissional conversou com o R7 e deu mais detalhes sobre o processo de formação desses animais. Confira a seguir:

R7: Qualquer cachorro, de qualquer raça, pode ser um cão-guia?

George Harrison: Não há uma raça específica, são mais de 30 raças que podem ser usadas. O cachorro deve ter temperamento e tamanho adequados para o trabalho, então não dá para ser um Pinscher, por exeplo, que é um animal de pequeno porte, porque ele guiará uma pessoa. Há cães-guia das raças Labrador, Golden, Pastor Alemão, é preciso que sejam cachorros de médio a grande porte. Mas há exceções: vamos supor que eu consiga, por exemplo, um Rottweiller. Por mais que ele seja manso, o visual dele assusta. Porque as pessoas têm aquela visão de cão de guarda. De acordo com o senso coletivo, do que as pessoas têm como ideia um cão bravo, a gente fica meio preocupado.

R7: Quais são as etapas de treinamento de um cão-guia? Quanto tempo leva a preparação?

George Harrison: Começamos escolhendo o filhote. Primeiro analisamos o pai e a mãe dele, o temperamento deles, a parte física. Depois, vemos o filhote em si, fazemos testes para ver a aptidão do cão para a função. É aí que vem a parte da socialização. Depois da socialização, vem o treinamento especifico, que é como usar o aparelho de guiar etc. E aí então vem a fase de adaptação com o deficiente visual. Todo o processo dura cerca de dois anos.

R7: Quais os critérios para uma pessoa ou família fazer a socialização?

George Harrison: Primeiro, a pessoa tem que querer ajudar e fazer o bem. Segundo, ela precisa ter disponibilidade de tempo. Precisa ter tempo, porque o cachorro não pode ficar o dia todo sozinho. Aí, as pessoas se inscrevem, mandam uma ficha, e nós fazemos uma pré-filtragem. Nós ligamos para os que têm o perfil e depois marcamos uma entrevista presencial para explicar tudo e tirar as duvidas. Muita gente tem medo da questão do apego... têm medo de se apegar ao animal e não querer devolvê-lo. Mas essas pessoas têm que pensar que ser um meio de mudar a vida de um deficiente visual não tem preço. Quando você ve alguém com um cachorro que foi você que socializou, isso não tem preço.

R7: Como as pessoas com deficiência visual têm acesso a um cão-guia?

George Harrison: Se inscrevendo nas instituições, que, em épocas de entrega, doam os cachorros a eles. Mas, assim como há a entrevista com as famílias socializadoras, há também com os deficientes visuais. Se aprovados, eles recebem os cães.

R7: Muitos deficientes visuais não possuem cão-guia. Por que esse animal é necessário?

George Harrison: O cão-guia é mais uma forma de mobilidade, ele te dá mais velocidade, se comparado à bengala. Mas acredito que o maior ganho está além disso: é um ganho social. As pessoas acabam se aproximando do deficiente visual e perguntam do cachorro, sem contar o lado emocional. É o que a gente ouve de quem tem o cão. São ganhos que não são mensurados em termos técnicos.

Em Portugal, Tetraplégico aguarda há 19 anos por uma casa adaptada - Veja o video.


Uma queda de um pinheiro há quase 20 anos deixou o Henrique Correia com lesões irreversíveis na coluna.

Ficou tetraplégico, com os tratamentos e fisioterapia recuperou o movimento das mãos e braços mas o mesmo não aconteceu com os membros inferiores. 

Vive com uma pensão miserável de 260 euros Não fosse a ajuda da mãe e padrasto com quem partilha um apartamento em Salvaterra de Magos não conseguiria sobreviver.

O Henrique está dependente de tudo e de todos para poder ir à rua. Conta-me que as entidades oficiais, segurança social e Câmara Municipal de Salvaterra de Magos analisam a situação há quatro anos mas até ao momento não foi encontrada nenhuma solução por ausência de verbas para o efeito.

O que o Henrique precisa é apenas de uma casa humilde mas com condições para puder fazer a sua vida menos dependente. Preferencialmente perto da mãe que é a sua cuidadora.

Ninguém merece viver assim.

Ninguém deveria viver este drama num país da União Europeia no ano de 2018.


Fontes: SIC - tejo rádio jornal - tetraplegicos.blogspot.com.br

Na Holanda, jovens com deficiência aliciadas por 200 euros para prostituição


O site holandês werkenmetwajong.nl  está a oferecer a jovens com deficiências físicas e mentais a possibilidade de realizarem trabalhos sexuais em troca de 200 euros por mês. E essa é a quantia máxima: para continuarem a receber a assistência social oferecida pelo Governo não poderão ter um emprego que pague uma quantia maior.

Apesar da proposta, o site é verdadeiro e os seus proprietários têm a empresa legalizada e com os impostos pagos. A questão é por isso ética, ou moral, em vez de legal.

Os deputados de esquerda holandeses já criticaram a oferta que tem como alvo "os jovens mais vulneráveis" e pedem agora ao Parlamento que procure formas de encerrar, com a máxima urgência, o site em causa.

O deputado socialista Jasper van Dijk disse mesmo que "permitir algo assim é altamente censurável, é uma loucura". Todos os deputados expressaram a sua preocupação e exigiram medidas imediatas.
As únicas pessoas que se podem inscrever neste site são os jovens que têm uma deficiência de trabalho reconhecida ("Wajongers", em holandês), ou seja, beneficiários da ajuda social.

A secretária de Estado do Trabalho e Ação Social holandesa, Tamara van Ark, sublinhou que um grupo vulnerável, como as pessoas com deficienência, não deveria "ser exposto a atividades socialmente controversas", como a prostituição na Internet. O site é uma iniciativa privada de um empreendedor holandês, que ainda não comentou a polémica.

A prostituição é legal nos Países Baixos desde que seja exercida de forma voluntária por pessoas com mais de 18 anos de idade.

Jovens talentos das Paralimpíadas Escolares iniciam Camping de treinamento em SP

Imagem

Por CPB

Trinta e sete atletas, de 13 a 18 anos, de 12 Estados e do Distrito Federal, foram convocados para participar da primeira edição do Projeto Camping Escolar Paralímpico. O Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, recebe os jovens talentos a partir deste domingo, 21. Eles foram selecionados pelos profissionais do Departamento Técnico do Comitê Paralímpico Brasileiro a partir da performance apresentada na edição do ano passado das Paralimpíadas Escolares, no final de novembro, igualmente no CT Paralímpico.

O Camping Escolar teve início neste domingo com uma cerimônia que contou com a presença do presidente do CPB, Mizael Conrado. Ex-atleta e campeão paralímpico de futebol de 5 em Atenas 2004 e Pequim 2008, ele falou aos jovens, mostrou-se satisfeito com a adesão ao Projeto Camping Escolar e desejou boa sorte aos participantes.

“Eu já estive na situação em que vocês se encontram agora, quando, aos 16 anos, lá em 1994, fui convocado pela primeira vez para a Seleção Brasileira de futebol de 5. Disputamos a Copa América, depois eu segui carreira, com muitos sacrifícios, que vocês também vão enfrentar, mas com o diferencial que, agora, vocês podem contar com uma estrutura capaz de desenvolver os jovens talentos que eu não tive oportunidade de ter, mais de vinte anos atrás. Quando vocês levarem a bandeira brasileira ao pódio dos Jogos Paralímpicos ou Parapan ou Campeonatos Mundiais, vocês entenderão que todo esse sacrifíco vale muito a pena”, disse Mizael aos atletas.

Além de passarem duas semanas em um regime de treinamento de alta performance, os participantes do Camping terão, ainda, uma série de avaliações - hoje disponibilizadas aos nomes de ponta do esporte paralímpico nacional. Terão também palestras com profissionais de equipes multidisciplinares, além de horários de lazer pela capital paulista. O retorno para as respectivas cidades está programado para o dia 5 de fevereiro.

Vinte competidores são do atletismo e outros 17, da natação. Estão representados nesta edição do Camping os estados do Acre, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Santa Catarina e Sergipe, além do Distrito Federal.

O nadador carioca Thomaz Matera, 28, participou da cerimônia de abertura do Camping Escolar e, com a autoridade de quem sagrou-se duas vezes campeão mundial em dezembro passado, no México, deu conselho aos jovens. “Se vocês fazem as coisas da forma certa já é sempre muito difícil de alcançar os objetivos, imagina se não se dedicar e não ser disciplinado? Então, meu conselho é que aproveitem ao máximo este momento oferecido pelo Comitê Paralímpico Brasileiro”, afirmou o atleta, que subiu seis vezes ao pódio no último mundial.

A sergipana Anny Beatriz Rocha não conseguia disfarçar a euforia por estar no seleto grupo da primeira edição do Camping Escolar Paralímpico. Ela veio de Aracaju com o intuito de aperfeiçoar a técnica nas provas de pista do atletismo na classe T54. “Estou precisando melhorar nos 100m, 200m e 400m. Nas Paralimpíadas Escolares do ano passado, fiquei com a prata nos 100m porque não consegui segurar nos metros finais. Quero aperfeiçoar minha corrida agora”, projetou a atleta, que nasceu com artrogripose que afetou o desenvolvimento dos membros inferiores e da coluna vertebral.

Atletismo
Gloria Poliana do Amaral (SP) - 17 anos
Anny Beatriz Alves da Rocha (SE) - 15 anos
Débora Oliveira Lima (AC) - 16 anos
Letícia Fernandes Custódio (SP) - 18 anos
Kellianne dos Santos (SE) - 12 anos
Adriana Camila Gonzaga Chaves (RO) - 16 anos
Josiele M. Dias (PR) - 16 anos
Maria Eduarda Santos da Silva (PB) - 17 anos
Sueli Pereira Soares (SP) - 13 anos
Daiane Arevalo Benitis (MS) - 14 anos
João Gabriel da Conceição Magalhães (RJ) - 13 anos
Ronaldo Vitório dos Santos (SE) - 17 anos
Gabriel Ferreira da Silva (PB) - 13 anos
Pablo F. Furlan (SP) - 17 anos
Crystoffer Patrick Vaz Firmino (SP) - 17 anos
Geissuan Gabriel Simão (RN) - 16 anos
Thiago Alves de Oliveira Santos (SE) - 17 anos

Natação
Gabriel Alves Barradas (DF) - 15 anos
Laís de Jesus Amorim (ES) - 17 anos
Leda Maria Silva Sampaio Barbosa (SE) - 13 anos
Lucas Roberto Ferreira de Oliveira (RJ) - 17 anos
Claudio Irineu da Silva Junior (DF) - 17 anos
Stephany Nobre Rodrigues (ES) - 18 anos
Alexandre Donizete Ribeiro Martins (SP) - 14 anos
Rayssa Amanuele Galina Guimarães (SP) - 12 anos
Gabriel Luan da Silva Nascimento (SP) - 17 anos
Marcus Willian das Graças Leite (MG) - 14 anos
Isaac Lorenzo de Jesus (SC) - 14 anos
Isabelle Garcia Velasque (SC) - 14 anos
Fabio Luiz de Lima (MG) - 16 anos
Andressa Pinheiro (PA) - 14 anos
Lucilene da Silva Sousa (PA) - 17 anos
Elcio Cunha Pimenta Junior (DF) - 14 anos
Thacrys Gustavo Cussolin Batista (PR) - 17 anos
Laura Pestes Rodrigues (PR) - 15 anos
Larissa Guimarães (RS) - 13 anos
Catarina Martins Machado (SC) - 13 anos

Fonte: cpb.org.br

Terapia com robôs pode ajudar muito quem tem limitações motoras: como funciona ?


Escrito por Luiz Felipe Silva

O termo "terapia robótica" pode parecer um tanto futurista. Mas sua aplicação já é real e traz resultados importantes há pelos menos cinco anos no Brasil. O uso de robôs em tratamento de reabilitação de pessoas que passaram por doenças ou acidentes se mostra uma solução eficiente para ativar áreas cerebrais de pacientes em busca de sua recuperação motora.

Vale lembrar que esse tipo de técnica não substitui outras, como a fisioterapia e a terapia ocupacional. Ao contrário, todas elas são eficientes e complementares.

Como a terapia robótica funciona?

"O movimento está no cérebro, é onde se controla tudo", afirma André Sugawara, médico fisiatra da Rede de Reabilitação Lucy Montoro. "A máquina faz o paciente aprender novamente os movimentos, é um treinamento cognitivo", explica.

Maquinário

Os dois tipos mais comuns de equipamento são uma máquina com um apoio para os braços ou uma espécie de armação que sustenta uma caminhada. Mas há mais de uma dezena de ferramentas adaptadas para cotovelos, punho, aperto de mão etc., que geralmente funcionam como jogos que simulam atividades do dia a dia.

Quando opera a máquina, o paciente tende a apresentar falhas em seus movimentos. Então, o sistema robótico consegue perceber os erros de precisão e velocidade no movimento e os corrige com respostas momentâneas. Uma máquina registra todas essas informações em uma espécie de ficha de caso.

Modulação do cérebro

"A máquina ajuda o paciente a corrigir estes erros e vai deixando o movimento cada vez mais autônomo", explica André Sugawara. Quanto mais autônomo do movimento, mais o cérebro do paciente reaprende a executá-lo.

É um exercício em que os especialistas chamam de neuromodulação, são mais que funções e, especificamente, são as habilidades neurais capazes de executar comandos com mais precisão.

Como são as sessões de terapia robótica

Uma sessão de terapia robótica pode durar menos de dois minutos. Literalmente. "É muito variável. O paciente está muito focado, não se consiga absorver o aprendizado, e está exigindo o treinamento mental. Nas primeiras sessões, é comum que haja cansaço muito rapidamente ", relata o médico fisiatra.



As sessões duram de 30 a 45 minutos - mais que isso seria gerado um desgaste mental tão grande que prejudicaria outras terapias pelas quais os pacientes passam.

O especialista conta que já viu evoluções rápidas de atividades de cotidiano, como aplicar desodorante sozinho, acontecerem de forma muito rápida, em apenas duas sessões. "O importante é o aluno entenda que não é um ganho de força, mas um treino de aprendizado, como uma sala de aula, onde o foco é fundamental".

Para quem a terapia funciona?

Todo tipo de paciente com dificuldades de movimento pode obter melhora com a terapia robótica. Os casos mais comuns são de pacientes que sofrem AVC, lesões medulares, paralisias cerebrais ou amputações. "Tudo que envolve aprendizado cognitivo, pode ser aplicado o robô", afirma o médico.

Como o tratamento depende muito do foco e da capacidade mental do paciente, em casos que o quadro envolve transtornos mentais, como a depressão, é preciso passar por outros tratamentos antes de iniciar a robótica.

No estado de São Paulo, para usar a terapia, é precisar entrar no site da  Rede Lucy Montoro.

domingo, 21 de janeiro de 2018

Plano municipal de acessibilidade de Niterói descumpre prazo para adoção de metas

Na esquina da rua Álvares de Azevedo com Moreira César, em Icaraí, Renato Guimarães se depara com obstáculo: falta de rampa na calçada - Fábio Guimarães / Agência O Globo

Publicado por O Globo

NITERÓI - Prestes a completar quatro anos, em abril, o Plano Municipal de Acessibilidade "Niterói Acessível", anunciado pela prefeitura em 2014 com diretrizes para 2016, tem metas que não foram totalmente cumpridas. Uma das principais promessas, tornar a Rua Coronel Moreira César, em Icaraí, um modelo de acessibilidade, com rota acessível até o Campo de São Bento, teve apenas parte concluída. Alguns trechos das calçadas não têm rampas para cadeirantes e os pisos táteis para cegos não seguem um traçado contínuo entre os quarteirões. A prefeitura argumenta que as metas vêm sendo cumpridas gradativamente e que, conforme o que determina o plano municipal, obras públicas e privadas na cidade só são autorizadas depois de constatado o respeito às normas de acessibilidade vigentes.

Coordenadora do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão Sensibiliza da Universidade Federal Fluminense (Nais-UFF), que trabalha para implantar e consolidar as políticas de inclusão dentro da instituição, Lucília Machado ressalta que, apesar dos avanços, ainda há muito o que ser feito em Niterói.

Antigamente as pessoas com deficiência não saíam de casa porque não tinha acessibilidade. Várias coisas melhoraram, mas ainda há muito a se fazer. Aqui em Niterói, por exemplo, podemos dizer que quase 99% da frota de ônibus são adaptados, mas não adianta nada essa adaptação se os motoristas não forem treinados e se não houver adaptação nos pontos e nas plataformas. Se a calçada não estiver na altura, não vai funcionar. Eu mesma já caí do ônibus porque o motorista insistiu que dava para entrar. Também não adianta ter uma rampa em cada esquina se essa rampa der no bueiro ou estiver esburacada, sem manutenção. Andando pela cidade, em qualquer esquina há uma armadilha - lamenta Lucília.

Estratégia contra armadilha

Moradora do Centro, a professora aposentada Ana Lúcia Macedo, que também se locomove em cadeira de rodas, conta que precisa andar pela rua, junto aos carros, já que a maioria das calçadas da Rua Visconde de Sepetiba, onde fica o seu prédio, não tem rampa. Ela diz que poucos metros depois do seu edifício - uma construção nova e adaptada, com calçadas padronizadas -, depara-se com uma realidade bem diferente. No mesmo quarteirão, na esquina com a Rua Marquês de Caxias, sentido Avenida Amaral Peixoto, começam os entraves: calçadas esburacadas e falta de rampas.

A minha locomoção melhorou muito há dois anos, quando ganhei uma cadeira elétrica. Mas se ainda é muito difícil para mim, imagina para quem não tem uma cadeira de qualidade. Quando saio de casa em direção à prefeitura preciso andar pela rua porque não há rampas ligando os quarteirões. O pior é o olhar de reprovação das pessoas, que devem pensar que sou maluca por estar me arriscando. Mas se eu não fizer isso, não me locomovo - lamenta Ana Lúcia.

                         
Ana Macedo para diante do meio-fio da Visconde de Sepetiba - Agência O Globo / Fábio Guimarães

Renato Guimarães, funcionário do supermercado Real, na Rua Moreira César, em Icaraí, adotou a estratégia de fazer sempre o mesmo caminho para chegar ao trabalho. No curto percurso, encontra alguns obstáculos. Ele mora na Rua Álvares de Azevedo, onde, na esquina com a Moreira César, tem um problema típico: só existe rampa num lado da rua.

Há muitas rampas espalhas pela cidade que não ligam a lugar nenhum. A gente tem que ficar dando "balão" pela rua para chegar ao destino. Como sempre faço o mesmo caminho, já tenho uma rota fixa na cabeça, mas imagina para um cadeirante que não mora na região - pondera.

E se não é difícil encontrar obstáculos em Icaraí e no Centro, dois dos bairros que mais receberam melhorias nos últimos anos, em áreas mais afastadas a falta de acessibilidade é ainda mais crítica. Há dois meses, O GLOBO-Niterói publicou reportagem mostrando que, a partir de uma ação do Ministério Público, a Justiça determinou que moradores de Camboinhas refizessem suas calçadas. O prazo para que eles fossem notificados pelo município, vencido em novembro passado, não foi cumprido. Questionada, a prefeitura não respondeu.

A Coordenadoria Municipal de Acessibilidade informa que mapeou toda a cidade no que diz respeito às rampas e a Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos (Seconser) já iniciou os reparos. De acordo com a administração municipal, no ano passado foram construídas 79 rampas.

"No Centro, rampas construídas fora do padrão por administrações anteriores vêm sendo refeitas. Algumas rampas da Visconde de Sepetiba ainda estão fora do padrão e serão reconstruídas. As principais vias do Centro já contam com rampas e orientação através de piso tátil. Lopes Trovão e Mariz e Barros, em Icaraí, e Quintino Bocaiúva, em São Francisco, estão entre as ruas que receberam rampas. Tornar a Rua Moreira César totalmente acessível foi uma exigência dos comerciantes locais e incluída no Plano de Acessibilidade. A rua já recebeu algumas rampas e está incluída na programação de intervenções urbanísticas para torná-la totalmente acessível", diz a nota da prefeitura.

A prefeitura destaca, ainda, que as vagas de estacionamento exclusivas para pessoas com deficiência foram demarcadas em toda a cidade e que Niterói tem hoje, segundo o Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Setrerj), mais de 90% dos ônibus adaptados.