domingo, 25 de fevereiro de 2018

Acompanhe os resultados da 1ª etapa regional do Circuito Loterias Caixa

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Por CPB

A temporada 2018 do Circuito Loterias Caixa começou neste sábado, 24, com as disputas da 1ª etapa regional São Paulo. As provas de natação e de atletismo vão até este domingo, 25, no Centro de Treinamento Paralímpico, na capital paulista.

Acompanhe os resultados em tempo real:



O Circuito
O Circuito Caixa Loterias é organizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro e patrocinado pelas Loterias Caixa. Este é o mais importante evento paralímpico nacional de atletismo, halterofilismo e natação. Composto por quatro fases regionais e duas nacionais, tem como objetivo desenvolver as práticas desportivas em todos os municípios e estados brasileiros, além de melhorar o nível técnico das modalidades e dar oportunidades para atletas de elite e novos valores do esporte paralímpico do país. Em 2018, as disputas das fases nacionais serão separadas por modalidade - haverá ainda um Campeonato Brasileiro de cada esporte.

Patrocínios
O paratletismo tem patrocínio das Loterias Caixa e da Braskem.
A natação tem patrocínio das Loterias Caixa.

Programação*
Circuito Loterias Caixa de Natação e Atletismo - Etapa Regional São Paulo
Sábado (24/2) - 8h às 12h e 14h às 18h
Domingo (25/2) - 8h às 12h
*Sujeita a alterações

Fonte: cpb.org.br

Após brilhar nas Escolares, nadadora bate recorde no Circuito Loterias Caixa

Daniel Zappe/MPIX/CPB
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Por CPB

A nadadora Ana Karolina Soares, da classe S14 (para deficientes intelectuais), fez sua estreia em grande estilo no Circuito Loterias Caixa Fase Regional São Paulo, na manhã deste sábado, 24, no CT Paralímpico, na capital paulista. A competição marca a abertura do calendário 2018 do Circuito Loterias Caixa e reúne 655 atletas do Estado de São Paulo no atletismo e na natação neste final de semana.

A paulista, representando a Associação Paradesportiva JR-SP, bateu o recorde brasileiro em sua classe nadando os 100m costas, com o tempo de 1min17s28. Melhorou a antiga marca nacional em mais de um segundo, tempo que também pertencia a Ana Karolina, alcançado em agosto do ano passado. “Minhas expectativas estão altas, espero alcançar os índices para as etapas nacionais do Circuito Loterias Caixa e conquistar mais medalhas aqui”, comentou a nadadora, que entrou na água nesta tarde para mais duas provas. Nos 200m medley e 100m borboleta, conquistou a medalha dourada. Fechará sua primeira participação no Circuito Loterias Caixa neste domingo, 25, nadando mais duas provas.

Ana Karolina participou das Paralimpiadas Escolares do ano passado e conquistou a medalha de ouro nos 100m livre. Também em 2017, disputou o campeonato Mundial de natação da INAS (Federação Internacional de Esportes para Deficientes Intelectuais), quando faturou nove medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze.

Ela começou a nadar aos quatro anos de idade e chegou a competir entre os atletas convencionais, mas não acompanhou os resultados. Há apenas um ano recebeu o convite para conhecer o esporte paralímpico.

São Paulo é a primeira parada das fases regionais do Circuito Loterias Caixa na temporada. Em março, serão realizadas as fases Rio-Sul, em Porto Alegre (RS), nos dias 10 e 11, e Norte-Nordeste, do dia 22 a 25, em Aracajú (SE). Goiânia (GO) receberá a última fase, Centro-Leste, de 12 a 15 de abril.

Os atletas que atingirem os índices estabelecidos pelo departamento técnico do CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro) garantem participação nas etapas nacionais do Circuito Loterias Caixa, em junho e agosto. O Campeonato Brasileiro, antiga terceira fase nacional, reunirá os melhores do ano em outubro. As três competições serão realizadas no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo.

Imprensa
Os profissionais de imprensa interessados em cobrir a etapa regional São Paulo do Circuito Loterias Caixa de Atletismo e Natação não precisam de credenciamento prévio. Bastará dirigir-se à sala de imprensa do Centro de Treinamento Paralímpico para identificação.

O Circuito
O Circuito Caixa Loterias é organizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro e patrocinado pelas Loterias Caixa. Este é o mais importante evento paralímpico nacional de atletismo, halterofilismo e natação. Composto por quatro fases regionais e duas nacionais, tem como objetivo desenvolver as práticas desportivas em todos os municípios e estados brasileiros, além de melhorar o nível técnico das modalidades e dar oportunidades para atletas de elite e novos valores do esporte paralímpico do país. Em 2018, as disputas das fases nacionais serão separadas por modalidade - haverá ainda um Campeonato Brasileiro de cada esporte.

Patrocínios
O paratletismo tem patrocínio das Loterias Caixa e da Braskem.
A natação tem patrocínio das Loterias Caixa.

Serviço
Data: 24 e 25 de fevereiro
Cidade: São Paulo (SP)
Local: Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro - Rodovia dos Imigrantes, Km 11,5 - ao lado do São Paulo Expo

Programação*
Circuito Loterias Caixa de Natação e Atletismo - Etapa Regional São Paulo
Sábado (24/2) - 8h às 12h e 14h às 18h
Domingo (25/2) - 8h às 12h
*Sujeita a alterações

Fonte: cpb.org.br

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Sem apoio, brasileiro nº1 do mundo no lançamento de dardo anuncia adeus

Aos 48 anos, o cadeirante brasileiro Jonas Licurgo já foi prata no Mundial de Londres de Atletismo classe F55. Carioca terminou 2017 como o primeiro do mundo na modalidade

Jonas Licurgo prata lançamento de dardo Mundial de Londres 2017 (Foto: Daniel Zappe/MPIX/CPB)
Jonas Licurgo prata lançamento de dardo Mundial de Londres 2017 (Foto: Daniel Zappe/MPIX/CPB)

Por GloboEsporte.com, Rio de Janeiro, RJ

Jonas Licurgo não é o primeiro e nem será o último atleta brasileiro obrigado a abandonar o esporte de alto rendimento por falta de patrocínio. Prata no Mundial de Londres em 2017, ouro no Jogos Parapan-Americanos de Toronto e bronze no Mundial de Doha, ambos em 2015, o carioca figurava, há 5 anos, entre os 3 melhores do mundo do lançamento de dardo paralímpico. Em 2016 e 2017, terminou a temporada como o primeiro.

Hoje, aos 48 anos e ainda no auge, Licurgo precisou abandonar a carreira profissional no esporte. E não por motivos naturais, como os decorrentes desgates físico e mental comuns no esporte. Muito menos por ter dedicido fazer outra coisa da vida. Jonas retirou-se das competições por falta de apoio. Em post nas redes sociais, publicado nesta quarta-feira, o atleta, claramente decepcionado, explicou que seu retorno financeiro no esporte não permitia nem ao menos que ele comprasse sua passagem de avião para os torneios:

Anuncio hoje a minha aposentadoria no esporte de alto rendimento. Quando, o que você ganha no esporte não dá mais pra comprar uma passagem de avião pra competir, não dá pra você se alimentar adequadamente, não dá pra você pagar o seu treinador, não dá pra você comprar os suplementos adequados para repor o que gasto com os treinos... então, é porque não dá mais pra continuar. 

Dei o máximo com o que eu tinha, agora, vejo que fui muito além, até mesmo das minhas expectativas. Tive uma carreira curta, porém com muito êxito... estou entre os 3 melhores atletas do mundo a 5 anos. Terminei o ano de 2016 e 2017 em 1° do Mundo, e o que que eu ganhei com isso? Absolutamente nada! A não ser dezenas de tapinhas nas costas e várias entrevistas em todas as emissoras do Brasil que não me somaram em nada. Vocês não têm noção de como estou me sentindo neste momento, sabendo que competições importantes estão por vir, e eu sem condições de competir em todas por falta de recursos. Só tenho que agradecer a todos vocês que sempre estiveram ao meu lado, sempre torceram por mim, choraram comigo e se alegraram juntos, só que não dá mais. Fica aqui, o meu muito obrigado por tudo que vcs fizeram por mim - escreveu Jonas em sua página.

Além da falta de patrocínio, Jonas ainda lida com o fato de que a sua principal prova - lançamento de dardo F55 - ainda não foi ncluída na Paralimpíada. Em 2016, no Rio, a prova para a sua classse não entrou no cronograma dos Jogos. Para Tóquio 2020, o carioca sabe que enfrentará o mesmo problema.

Jonas Licurgo é prata no Mundial paralímpico de atletismo (Foto: Marcio Rodrigues/CPB)
Jonas Licurgo é prata no Mundial paralímpico de atletismo (Foto: Marcio Rodrigues/CPB)

Na disputa pela prata em Londres, Jonas Licurgo chamou a atenção ao envolver-se em uma situação bastante curiosa. Na ocasião, o atleta já tinha feito 3 dos 6 lançamentos a que tinha direito e todas as marcas estavam bem abaixo das expectativas até então e o brasileiro mal conseguia se equilibrar na cadeira no momento das tentativas. Licurgo então se dirigiu ao árbitro pedindo para ver a lista dos atletas eliminados (os dois últimos ao fim da primeira rodada). Ao ver o nome do grego Charalampos Varytimidis, Jonas não pensou duas vezes e foi até o atleta e sua técnica, pedindo uma cadeira emprestada. Varytimidis cedeu o equipamento prontamente,  e Jonas conquistou a prata com 29.05m de marca.






Grupo 'Supermães' promove palestra gratuita sobre autismo em Tatuí

Evento será neste sábado (24), às 16h, no Lions Clube.

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Por G1 Itapetininga e Região

O grupo "Supermães", de Tatuí (SP), promoverá a palestra “Como ressignificar o autismo que chegou em minha vida?”, com a criadora do método Coaching Corpo e Mente, Wanessa Moreira. O evento será no sábado (24), às 16h, no Lions Clube de Tatuí.

A palestra é gratuita e voltada para pais, familiares, professores e cuidadores de portadores de TEA (Transtorno do Espectro Autista).

Ela abordará a vida após o luto do diagnóstico, a reestruturação das emoções da família, a interação entre pais e terapeutas e o papel dos educadores.

Os interessados devem confirmar presença até esta quinta-feira (22) com Josiane, pelo telefone (15) 99661-9737. O evento conta com o apoio da Prefeitura Municipal de Tatuí e do Lions Clube de Tatuí.

Fonte: g1.globo.com - Imagem Internet/Ilustrativa

Justiça bloqueia verbas de município para tratamento de paciente no Maranhão

Comarca determinou o sequestro de valores do Município de Bacabal para fins de tratamento de saúde a uma paciente com paralisia cerebral tetraplégica, epilepsia e deficiência mental.

Imagem Internet/Ilustrativa
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Por G1 MA, São Luís

A 4ª Vara da Comarca de Bacabal determinou o sequestro de valores do Município para fins de tratamento de saúde a uma paciente com paralisia cerebral tetraplégica, epilepsia e deficiência mental. Na ação, foram enumerados todos os medicamentos e parte da alimentação especial necessária, totalizando R$ 9.656,74.

De acordo com o juiz João Paulo Mello, o bloqueio de verbas públicas é medida considerada de caráter excepcional, que deve ser concedida em casos de comprovada desídia estatal e/ou reiterada omissão no fornecimento do medicamento/equipamento e de risco à saúde ou à vida do interessado.

Conforme a decisão, o Município de Bacabal demonstrou negligência no cumprimento de sua obrigação, cabendo à Justiça efetivar a decisão, nesse caso, o bloqueio de verbas públicas para obrigar o Poder Público a cumprir ordem judicial que concede medicamento, equipamento ou tratamento de saúde.

A decisão judicial informou que será expedido um alvará em nome da parte autora a ser sacado por sua representante legal assim que ocorra a transferência dos valores para conta à disposição da Justiça.

“Posteriormente, deverá ser apresentada a prestação de contas e cópia das notas fiscais referentes aos gastos arcados com os recursos dispostos, sob pena de ressarcimento dos valores e de se sujeitar às sanções cabíveis, inclusive de natureza criminal, além de revogação das liminares concedidas”, finalizou a decisão.

Fonte: g1.globo.com - Imagem Internet/Ilustrativa

Conceito de moda inclusiva vai produção de peças adaptadas a uso de modelos com deficiência

Agência e digital influencer impulsionam conceito de igualdade para todos

                                Agência O Globo / Fábio Guimarães
                                     
                                Uma das modelos da agência Becs Model

POR LUANA SOUZA* *Estagiária, sob supervisão de Virginia Honse


NITERÓI — A inclusão nunca esteve tão na moda. Etiquetas em braile, calças com design curvo para cadeirantes, aberturas e zíperes em lugares estratégicos. Estas são algumas das funcionalidades da moda inclusiva. No Brasil, cerca de 6% da população tem algum tipo de deficiência, segundo o IBGE, e as grifes estão de olho nesse mercado. Em Niterói, a Equal Moda Inclusiva foi criada por Silvana Louro com este conceito. Ela trabalha há 20 anos no segmento, sempre preocupada em mudar a situação das pessoas com deficiência que não encontram muitas opções para se produzir.

Temos vestidos, saias, blusas, casacos, calças, tanto adaptadas quanto não. O conceito é incluir. Então, não adiantaria ter roupas só para pessoas com deficiência — conta Silvana. — As roupas têm que ser funcionais, lindas e para todos. É importante democratizar cada vez mais a moda.

Um ‘look’ de sucesso

Apesar do ativismo crescente e do surgimento de grifes como a Moda Inclusiva, ainda é difícil conseguir roupas adaptadas que estejam na moda e sejam estilosas. A modelo e digital influencer niteroiense Rebeca Costa, que tem nanismo, criou um perfil no Instagram para mostrar as peças de roupas que consegue encontrar. Unindo o interesse por moda e a vontade de ajudar, Rebeca criou o Look Little.

Eu compro em lojas normais de adulto. Não acho nada inclusivo para minha deficiência. Eu faço adaptações quando dá, mas em roupas de panos mais duros, é necessário recorrer à costureira — explica Rebeca. — Todas as roupas e sapatos que eu ganho e compro, eu compartilho no Instagram. para mostrar que podemos ser o que quisermos, ainda que a moda nos exclua. Aliás, o meu interesse pela moda surgiu inspirado em minhas irmãs, que sempre se vestiram muito bem. Mas sempre foi muito difícil trocar figurinhas porque a moda não é nada inclusiva para as pessoas que fogem do padrão.

Além do seu guarda-roupa, Rebeca compartilha sua vida no Instagram. Aos poucos, a digital influencer foi começando a falar sobre autoestima e determinação. Assim, acabou atingindo vários tipos de público. Hoje, ela tem mais de 30 mil seguidores que esperam por suas fotos, dicas de estilo e alimentação e curtem sua rotina na academia e suas mensagens de apoio.

Eu influencio principalmente meninas com algum tipo de deficiência ou que sofrem bullying e depressão. Ao mesmo tempo em que as ajudo, aprendo e me ajudo também. Eu pude perceber muitos princípios e ideais lindíssimos nos seres humanos. Mas, infelizmente, ainda existe preconceito. O mundo não está preparado para o diferente. Mas como eu sempre digo, o preconceito está nos olhos de quem o enxerga e quem o vive. Eu não vivo isso. Sou definida pelos meus sonhos e conquistas.

Quem quebrou preconceitos foi Rozi Marinho. Fundadora da Becs Model, que agencia modelos há 20 anos em Niterói, começou há três, por acaso, o trabalho de inclusão por conta de um concurso de miss.

Uma menina curtiu a página do concurso, gostei do perfil dela e resolvi convidá-la para participar do concurso. Durante o bate-papo ela me disse que era deficiente auditiva, e eu falei que não havia nenhuma cláusula no regulamento que a impedisse.

Essa foi a porta de entrada para Rozi agenciar outras modelos com deficiência. Hoje já são 17 agenciados, e Rebeca é uma delas.

A Rozi conheceu meu trabalho pelo do Instagram e acreditou no meu potencial. Ela viu em mim uma mulher que a sociedade não enxerga e me fez acreditar que posso ser todos os tipos de mulheres que quero ser — afirma Rebeca.

Segundo Rozi, as marcas, hoje, estão atentas à importância da inclusão, da diversidade e da quebra de padrões de beleza:

Um bom exemplo são as modelos plus size. As pessoas com deficiências também são capazes de exercer a profissão de modelo, trabalhando sua autoestima e gerando representatividade no mercado da moda.







Ninguém é melhor do que nós. A deficiência não é uma fatalidade.

«Há os que lutam um dia e são bons, há os que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam a vida toda e esses são os imprescindíveis.»

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O objetivo da associação é mostrar a todos como integrar pessoas com deficiência.

Texto Ana Pago | Fotografias Gerardo Santos/Global Imagens

O poema de Bertolt Brecht foi inspiração para Nitucha Sousa, sempre em luta para conseguir oportunidades iguais para gente portadora de deficiência (como ela). Depois das escolas, o projeto que criou, Imprescindíveis em Ação, chega agora às empresas para mostrar como se trabalha a sério.

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A paralisia cerebral provocou 70 por cento e incapacidade motora a Nitucha Sousa. Mas isso não a detém. Criou a associação Imprescindíveis em Ação.

À noite, quando se permite parar, acontece a Nitucha Beatriz Sousa ficar muitas vezes em silêncio à janela. Devia estar cansada das frustrações, pensa a jovem animadora sociocultural de 28 anos, com setenta por cento de incapacidade motora. Cansada de levar pontapés por ter paralisia cerebral e o mundo aceitar mal as diferenças.

Ainda assim, não desejava estar noutro lugar. E hoje até foi um bom dia, agora que começou finalmente a ir às empresas promover a inclusão social e a igualdade de oportunidades no mercado de trabalho para os portadores de deficiência. Ninguém segura o furacão Nitucha.

«Houve um tempo em que me senti diminuída e inútil. Não me achava essencial, isso estava a definir‑me aos poucos. Considerava‑me um estorvo», diz Nitucha, que tem paralisia cerebral.

«Por muito que a minha vida seja bem mais do que a paralisia cerebral, houve um tempo em que me senti diminuída e inútil. Não me achava essencial, isso estava a definir‑me aos poucos. Considerava‑me um estorvo», diz a jovem empreendedora, familiarizada com o sentimento genérico de exclusão a que nunca se resignou.

Em 2015, terminado o curso de Animação Sociocultural no IDS – Instituto para o Desenvolvimento Social, em Lisboa, foi procurar emprego. Bateram‑lhe com porta atrás de porta na cara. A violência do embate foi de tal ordem que daria para derrubar um touro. A ela, deu‑lho e fúrias para ir à luta. Chegava de revolta a consumi‑la por dentro.

«Foi quando agarrei no trabalho que desenvolvi no meu último ano de curso e criei o projeto Imprescindíveis em Ação, com que concorri a um financiamento da Associação Salvador em 2016», conta Nitucha. De 65 candidaturas apresentadas, 23 saíram vencedoras e a dividir um prémio de cem mil euros entre elas. Uma delas era a sua.

«A missão consistia em desenvolver ações de sensibilização para a temática da deficiência em escolas, prisões, empresas.» Nunca na perspetiva do coitadinho – penas têm as aves –, mas de anunciar à sociedade que cada um encerra o seu potencial próprio, sem exceção. «Não queria que mais pessoas na minha posição passassem pelo mesmo.»

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Nas escolas, associação simula situações de mobilidade reduzida para os alunos terem consciência das limitações.

Pelo contrário, precisava de lhes mostrar que fazem falta. Dizer a todas que são fundamentais, no sentido preconizado pelo dramaturgo alemão Bertolt Brecht. 

«Ninguém faz o que quer que seja melhor do que nós, a deficiência não é uma fatalidade. Temos capacidades. Podemos estudar, trabalhar e realizar‑nos como qualquer um.»

Creio que a maioria de nós não está preparada para lidar com a deficiência, nem sequer está para aí virada», observa João Piedade, um dos responsáveis da empresa visitada pela Imprescindíveis em Ação.

O que nos traz de volta à igualdade de oportunidades no mercado de trabalho e ao dia – 26 de janeiro, uma estreia absoluta – em que Nitucha levou a Associação Imprescindíveis em Ação aos escritórios de Lisboa da Hi Portugal, empresa de transfers e tours turísticos.

«No meu caso é diferente, porque também tirei Animação no IDS, tenho as bases do social. Mas creio que a maioria de nós não está preparada para lidar com a deficiência, nem sequer está para aí virada», observa João Piedade, um dos responsáveis.

Tudo isto lhe mexe com os nervos: como é possível, por exemplo, alguém reparar num invisual a tentar atravessar uma estrada movimentada sem lhe dar a mão? Somos os piores cegos por não querermos ver.

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E perceberem como é possível ultrapassá-las.

«Passamos a vida fechados na nossa bolha, sempre com problemas mais importantes do que os dos outros. Acho que as pessoas precisam de lidar com um caso concreto para se interessarem», sublinha o manager da firma de transporte turístico, confiante de serem estas experiências de proximidade as que mais inspiram a mudança.

No que lhe diz respeito, não tem dúvidas de que ter conhecido a Nitucha lhe foi mais útil a ele do que a ela. «Se não soubermos o que se passa à nossa volta até podemos não ter problemas, mas também não vamos detetar oportunidades nem saberemos descobrir soluções», sublinha João Piedade, adepto da máxima que diz que parar é morrer.

«Um recluso do Estabelecimento Prisional de Caxias disse‑me que a prisão, afinal, não é a pior das limitações. Mesmo em reclusão vai lutar pelos seus sonhos. E essa é a minha mensagem: podemos ser tudo.»

Daqui em diante, à medida que esta etapa junto das empresas for ganhando forma, a ideia da Associação Imprescindíveis em Ação é colocar os trabalhadores no papel de funcionários com necessidades especiais, como têm vindo a fazer nas prisões e escolas um pouco por todo o país.

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Se for preciso vendá‑los, tolher‑lhes um pouco os movimentos, pois que seja: só assim chegarão ao final do dia cientes de que todos puderam desempenhar a respetiva função, apesar das limitações a que estiveram sujeitos. Mais importante: tê‑lo‑ão feito ultrapassando as inevitáveis barreiras nascidas do preconceito.

«Eu própria tenho consciência de que cruzar‑me com estas pessoas mudou a minha vida», reconhece Nitucha, que desde abril de 2016 já falou para trinta turmas em escolas da Grande Lisboa e correu sete estabelecimentos prisionais e centros tutelares educativos na capital.

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Nitucha já falou para trinta turmas em escolas da Grande Lisboa, foi a sete estabelecimentos prisionais e centros tuitelares educativos.

Tem sido oradora em seminários e conferências no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa), Universidade Fernando Pessoa (no Porto), Escola Superior de Saúde de Santa Maria (também no Porto), Instituto Politécnico de Castelo Branco e Universidade do Algarve (UAlg).

Ter uma «uma mãe sensacional» ajudou‑a. «A pouco e pouco deu‑me assistência para eu mexer no fogão, passar a ferro, ser independente.»

Agora, além de alargar a sensibilização às empresas, quer ainda fazer acompanhamento personalizado a quem mais precisa. «Um recluso do Estabelecimento Prisional de Caxias disse‑me que a prisão, afinal, não é a pior das limitações», diz Nitucha. «Mesmo em reclusão vai lutar pelos seus sonhos. E essa é a minha mensagem: podemos ser tudo.»

Ter uma «uma mãe sensacional» ajudou‑a a cortar o medo de uma machadada. «A pouco e pouco deu‑me assistência para eu mexer no fogão, passar a ferro, ser independente.»

Quando há coisa de 13 anos os pais foram para Angola tentar melhor vida e ela ficou com os irmãos – duas raparigas mais velhas de 33 e 31 anos, uma mais nova de 25 e o irmão com 30 –, continuou a tratar da casa como se nada fosse.

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A Hi Portugal, empresa de tours turísticos, é uma das empresas onde Nitucha esteve com a sua associação a desenvolver uma ação de formação.


«Ir de novo morar com os meus pais, confortável mas dependente, seria um retrocesso quando o que eu quero é andar para a frente»

«Muita gente diz que não gosta de viver sozinha… eu cá adoro!», ri‑se a mentora do Imprescindíveis em Ação, decidida a levar avante a sua associação, custe o que custar. Uma a uma, as irmãs partiram para Angola, para junto dos pais; o irmão está a viver na Holanda.

Ela escolheu ficar. «Ir de novo morar com os meus pais, confortável mas dependente, seria um retrocesso quando o que eu quero é andar para a frente», justifica.

Ainda há muito caminho a percorrer no sentido da inclusão social. A sociedade precisa de Nitucha. «Os problemas existem, claro que sim. Só não podemos deixar que nos limitem mais do que as nossas limitações.»

DO PIOR DOS MEDOS À MELHOR DAS REVOLTAS

Parece‑lhe que já perdeu a conta às pancadas dolorosas, mas se tivesse de eleger apenas uma seria aquela. A mais violenta de todas. A pior. «Acabei o curso em 2015 e consegui entrevista numa empresa de distribuição de publicidade», conta Nitucha, incapaz de esquecer.

Ia esperançada – precisava muito do trabalho para se orientar com os irmãos. Não supunha que a deixassem quarenta minutos à espera sem a olharem nos olhos uma vez que fosse.

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«Quando o responsável apareceu, limitou‑se a dizer que não me contratava. Perguntei porquê, se não me conhecia. Propus‑lhe trabalhar uma semana de graça, só para mostrar as minhas capacidades, e ele respondeu que não o faria por eu ser assim, uma vergonha para a empresa.» Foi a gota de água que fez transbordar.

«As pessoas mostram-se muito sensíveis, criam personagens que ficam bem na televisão, mas na prática o preconceito mantém-se igual ao que era há uns anos», diz Tiago Matos.

No espaço de um ano, Nitucha criou o Imprescindíveis em Ação, conseguiu financiamento, viu chover solicitações e transformou o que era um projeto escolar na Associação Imprescindíveis em Ação (AIA), de modo a conseguir estruturar as respostas. A equipa cresceu entretanto para sete pessoas, entre as quais Ruben Machado – professor dela no curso de Animação Sociocultural no IDS – e Tiago Matos, formado em Gestão pelo ISCTE e especialista em mentoria de projetos na área do mercado de trabalho.

No seu caso, a visão reduzida a dez por cento nunca foi entrave para nada, embora admita que a sociedade não está preparada para a deficiência. «As pessoas mostram-se muito sensíveis, criam personagens que ficam bem na televisão, mas na prática o preconceito mantém-se igual ao que era há uns anos», diz Tiago.

Ainda bem que Nitucha soube transformar o seu pior medo na melhor das revoltas.