quarta-feira, 8 de junho de 2016

BARRADA na AUSTRALIA por ser CADEIRANTE

Hoje estava conversando com a minha amiga linda, inteligente, estudiosa, sonhadora e CADEIRANTE e foi justamente essa ultima característica que destruiu o seu sonho de estudar fora.

             

Aqui abaixo esta o seu depoimento sobre o ocorrido!!

Primeiro lugar quero deixar o meu repudio ao Consulado Australiano e principalmente a esse medico que a examinou e alem de não conceder o visto para ela por ser cadeirante, ainda a barrou de entrar no país, e depois deixar claro não aceitaremos essa atitude preconceituosa e estarei ao lado da Thaís para que essa decisão seja revista 

"Uma vida baseada em.. 'Pra você, não!'

É assim que me sinto nos últimos dias. Meio sem forças, meio sem caminho.
Pra quem não sabe, meu nome é Thaís, tenho 25 anos e sou paraplégica desde os 16, quando caí de uma tirolesa. Mas isso nunca foi um problema ou motivo para deixar a vida passar. Briguei muito para chegar até aqui, com duas faculdades, dezenas de viagens e incontáveis histórias de um mundo pouco conhecido!

Não pude me formar no colégio na escola em que planejei, não pude fazer a faculdade de psicologia, não fui a diversos lugares que não me serviam. Já fui carregada dentro de aviões, de hospitais e de festas! Não tem como? A gente dá um jeito, mesmo que isso me incomodasse de uma forma sem explicação. Se não me servia, eu não queria!

Foi então que, a convite de um grande amigo, resolvi realizar um sonho de uma vida inteira e ir estudar fora do país! O lugar escolhido? A tão idolatrada Austrália! Um país 'novo', com estruturas exemplares e planas,com um povo receptivo, caloroso e educado! Era o sonho começando a se materializar.

Vamos lá! Aquela correria de escolher agência, fechar o curso de Liderança e Gestão, pedir o seguro saúde, pagar tudo, reservar as passagens! Mas não para aí, você precisa do visto, então é hora de juntar documentos, pagar mais taxas e passar por um médico que avaliará se você tem alguma doença transmissível e contagiosa. O que te dizem é que ele trabalha para a Embaixada, vai te solicitar exame de urina e uma chapa de pulmão! Eu nem imaginava, mas foi aí que todo o pesadelo começou. Uma agonia sem fim.

Marquei o médico e fui a um dos hospitais mais caros e renomados de São Paulo, esperei horas para ser atendida. A secretária me chama. Entro naquele consultório cheio de livros e vou respondendo às questões daquele senhor que pouco quis saber da minha saúde. Minha tensão era notada por qualquer pessoa, eu não estava entendendo as perguntas. Por fim, o médico me solicita a chapa, mas não pede o exame de urina, disse que não havia necessidade. Pois é, ele já havia tomado a sua decisão, e qual foi o exame que ele fez? O ocular! Apenas de olhar minha cadeira, ele já sabia o que ia fazer.

Volto pra casa e passo dias numa agonia sem fim.. Coitada da minha família, dos amigos, dos colegas. Unhas roídas e dedos machucados como nunca!

Então chega o dia em que recebo um e-mail da minha agente dizendo que meu visto foi negado e, sem muita coragem de me dizer o motivo, ela pede que eu leia a carta que o médico fez. Não precisava ler, eu já sabia. Mas assim o fiz! A cada palavra, muitas lágrimas. Eu estava sendo barrada de entrar no país por ser PARAPLÉGICA, sim, isso mesmo. E não havia margens para quaisquer dúvidas, estava lá, escrito com todas as letras.

O médico escolheu, foi uma escolha sim, me colocar como doente. Me descreve como alguém que não tem capacidade de viver e que, provavelmente, traria grandes riscos e gastos ao país! (???)

E, por fim, a parte de que não sirvo para a Austrália!

Não importa o que você faz, que você tenha mostrado que leva uma vida normal, que estuda, dirige, se vira. Não interessa se você já viajou ou tem outros vistos. Você tem uma cadeira, então.. Pra você, não!
Pra mim, já era! Não tenho mais chances, fiquei de mãos atadas. Meu sonho foi pelo ralo, minha vida agora tem o peso de não servir a um país inteiro!
Tenho vergonha de contar as pessoas que isso aconteceu comigo, é um sentimento sem explicação. Mas fiz o texto para mostrar que em uma ERA de inclusões, o preconceito ainda está por todos os lugares. Que não adianta tapar o Sol com a peneira ainda há muito que precisa ser feito!

Sobre os grandes danos financeiros, a gente corre atrás, se vira. Mas sobre um psicológico cansado, não há trabalho que traga um remédio fácil assim.

Agradeço a cada um que acreditou e colaborou para que esse sonho fosse concretizado, mas não deu.

Espero que muitos leiam e se conscientizem de que uma cadeira de rodas não é sinônimo de doença. Nem a cadeira e nem as condições que ela te oferece! A cadeira é um modo de se locomover e nada mais!"

2 comentários:

Vasti disse...

Vocês tem o Facebook da Thais? Escrevo para um jornal local e gostaria de saber mais sobre o incidente.

Carlos Alberto Raugust disse...

Bom dia Infelizmente não tenho...