sábado, 23 de julho de 2016

Minha deficiência por minhas palavras

Recentemente, passei por duas situações que me fizeram pensar ainda mais sobre como eu me enxergo.

Por Nathalia Blagevitch*



Recentemente, passei por duas situações que me fizeram pensar ainda mais sobre como eu me enxergo. Trocar de fisioterapeuta e prestar um concurso público serviram de inspiração para esta coluna e para uma autoavaliação que divido com vocês aqui.

Nathalia, ainda criança e estrábica. Ela aparenta ter 8 anos de idade, é loira e veste uma regata preta.Na hora de fazer a inscrição para o concurso e assinalar a cota, precisei informar meu CID: no meu caso, o G802. Foi aí que resolvi pesquisar no Google para ver o que significava. Eis que veio a ‘paralisia cerebral hemiplégica espástica’. Nome grande, complicado, mas que, explicando em minhas próprias palavras, torna-se como o braço direito junto ao corpo e mobilidade reduzida.

Ao contratar o novo fisioterapeuta, ele pediu que fizesse um e-mail contando o meu histórico de cirurgias e tratamentos. Na hora em que eu estava escrevendo, ocorreu que algumas coisas eu sabia pelo nome técnico; outras, eu fui explicando com as minhas palavras. Como, por exemplo, a cirurgia de estrabismo, que, na minha explicação, é “a cirurgia que fez com que eu parasse de olhar para o meu próprio nariz”.

Toda essa convivência simples e leve entre mim e a minha deficiência não foi fácil, e tem dias que ainda não é fácil como parece. Mas acho que essas duas situações me mostraram que, apesar de nomes e peculiaridades de cada deficiência, o mais importante é como você se enxerga. Por isso, recomendo esse exercício: olhe para a sua deficiência sem deixar de olhar para você mesmo.

*Nathalia Blagevitch
Nathalia Blagevitch é palestrante, advogada, professora tutora de Direito do Trabalho e idealizadora do blogCaminho Acessível 

Site externo
Ela nasceu com hemiplegia, um tipo de paralisia cerebral que, neste caso, limita a mobilidade da parte direita do corpo. Biografada no livro Tente Outra Vez, do jornalista Rogério Godinho, atualmente, Nathalia é palestrante, advogada, professora tutora de Direito do Trabalho nos cursos preparatórios para o exame de Ordem do Damásio Educacional e estuda para o concurso de Magistratura do Trabalho. Sempre ligada aos temas acessibilidade e inclusão, no início de 2015, Nathalia lançou o Caminho Acessível, blog idealizado por ela para abordar temas diversos ligados à pessoa com deficiência, sem “coitadismos”


2 comentários:

Ida Guttenberg disse...

As religiões atrasadas manteem as pessoas na ignorância a respeito da real condição humana.Tudo e todos sao passageiros e frágeis. Mortais e sugeitos a transformações,por doenças acidentes ou velhice.Ao invés da condição de ser vivo ser vista com naturalidade e maravilhamento, as religiões dão uma conotação de pecado e castigo,às dificuldades.E isso ,e mais o narcisismo, criam os preconceitos a respeito das deficiências.

Ida Guttenberg disse...

As religiões atrasadas manteem as pessoas na ignorância a respeito da real condição humana.Tudo e todos sao passageiros e frágeis. Mortais e sugeitos a transformações,por doenças acidentes ou velhice.Ao invés da condição de ser vivo ser vista com naturalidade e maravilhamento, as religiões dão uma conotação de pecado e castigo,às dificuldades.E isso ,e mais o narcisismo, criam os preconceitos a respeito das deficiências.