quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Sobreviventes de câncer de mama participam de regata em Santos, litoral paulista

“Outubro Rosa” é o mês de conscientização para prevenção do câncer de mama.

 
Sobreviventes de câncer remam em regata no litoral. Usam colete cor de rosa, em alusão ao "Outubro rosa"

Neste final de semana, 21, 22 e 23/10, cerca de 200 mulheres sobreviventes do câncer de mama estiveram reunidas para participar do 1º Festival Ka Ora Brasil Baixada Santista, em São Vicente. A iniciativa do festival é do canoísta Fábio Paiva, que há mais de uma década trouxe ao Brasil a canoa havaiana e também foi o pioneiro no país com o Dragon Boat, uma canoa originária da China e adotada como o esporte oficial do combate ao câncer de mama.

O nome Ka Ora significa “vida” em maori, o idioma dos nativos da Nova Zelândia. O objetivo do festival é justamente propagar que existe vida após a doença. A “Ka Ora” é composta por mulheres sobreviventes do câncer de mama e consiste em regatas com 200 metros na Praia dos Milionários, próximo da Ilha Porchat, litoral paulista.

O evento contou com a participação de atletas do Canadá, Argentina, Nova Zelândia, Estados Unidos e Brasil. Foram seis equipes por categoria, divididas em baterias de três Dragon Boats. Ao final do evento foi realizada a Cerimônia das Rosas, uma homenagem às mulheres ausentes, vítimas do câncer de mama.

                            
                            Remadoras ao ritmo de som de tambor

As regatas foram realizadas na manhã de domingo, 23. Na véspera, as participantes receberam treinamento teórico e prático sobre técnicas de remadas e contato com o barco. O Dragon Boat comporta 22 pessoas, sendo 20 remando (dez de cada lado), uma no leme e uma no tambor, responsável pelo ritmo das remadas. Na competição, as equipes de sobreviventes contaram com 16 remadoras.
             
Concentração de mulheres na praia, antes do início da regata, no litoral paulista.

A ação contou com a participação de sete pacientes do Projeto Remama do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), da Rede de Reabilitação Lucy Montoro e da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo. Segundo a Dra. Christina May Moran de Brito, médica fisiatra e Coordenadora do Serviço de Reabilitação do ICESP, o festival contribuiu para chamar a atenção da importância da atividade física na recuperação de pacientes com câncer de mama e simboliza o potencial de uma vida plena. “A atividade de remar é emblemática, pois envolve a musculatura peitoral e de membros superiores, desmistificando limitações. Sua importância consiste em demonstrar esta realidade não apenas às próprias sobreviventes, mas à sociedade como um todo”, destacou a médica.


Concentração de mulheres na praia, antes do início da regata, no litoral paulista.

PALESTRA DE DON MACKENZIE
O Dragon Boat foi descoberto pelo médico esportivo canadense Donald McKenzie, que abriu o evento na noite de sexta, 21, no anfiteatro do Sesc Santos, com palestra sobre o resgate da qualidade de vida das mulheres que tiveram câncer de mama. O médico Don McKenzie, PHD, é professor no Departamento de Medicina Esportiva da Universidade de British Columbia. Ele defende o exercício da remada como grande benefício na recuperação da doença. Ele abordou o tema “Remar em Dragon Boats é Medicina”.

O 1° Festival Ka Ora Brasil Baixada Santista é uma realização da Canoa Brasil, com apoios institucionais da UNIFESP, Sesc Santos, TV Tribuna, ICESP, Instituto Neo Mama, 98 FM, Secretaria de Turismo, Esporte e Lazer de São Vicente – SESPOTUR e FMA Notícias. Colaboração do Colégio Jean Piaget, Píer 27, Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo e Hospital Sírio-Libanês.


Auditório lotado para a palestra domédico esportivo canadense Donald McKenzie

CÃNCER DE MAMA
O objetivo do Outubro Rosa é a conscientização sobre a necessidade de exames e suas repetições periódicas, a título de acompanhamento, como a realização de mamografia e visitas ao médico.

Quanto antes o Câncer de Mama for diagnosticado, melhores as perspectivas e o sucesso do tratamento. As remadoras sobreviventes e o festival Ka Ora têm o objetivo principal de propagar a mensagem: EXISTE VIDA APÓS O CÂNCER. Elas já passaram pelas mais difíceis etapas e seguem celebrando a vida, remando.

Entre 2009 e 2014, o número de casos da doença no país aumentou 13,4%, número que representa uma taxa de aumento de mais ou menos 2% ao ano. Ao todo, são 57 mil novos casos de câncer de mama no Brasil a cada ano, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA).

De acordo com o coordenador de Mastologia do Hospital Sírio-Libanês, Alfredo Barros, esse aumento no número de casos nos últimos anos se deve a alguns fatores. O primeiro deles diz respeito à reprodução, uma vez que a mulher, atualmente, engravida tarde e poucas vezes. Além disso, amamenta por pouco tempo e também toma reposição hormonal de forma exagerada na menopausa. Esses fatores, associados a obesidade, fumo, má alimentação, poluição, estresse e sedentarismo dobram as chances de incidência de câncer de mama.

Dados da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) indicam que a taxa de mortalidade é maior entre mulheres com mais de 70 anos. Há também uma diferença nos índices verificados por região: no Sul e no Sudeste morrem 6,6 mulheres a cada 100 mil habitantes; enquanto no Norte e no Nordeste a taxa é de 14 por 100 mil.

Depois dos 40 anos, as mulheres devem se submeter ao exame de mamografia uma vez por ano, segundo recomenda a Sociedade Brasileira de Mastologia.

Com dados do site Coração e Vida (coracaoevida.com.br)

Fonte: pessoacomdeficiencia.sp.gov.br

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