quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Balé da vida: dançando em projeto, crianças sonham com futuro diferente - Veja o vídeo.

Com professora como exemplo, parceria entre escola de dança e ONG leva aulas de balé para comunidade na Zona Norte do Rio e enche alunos e os pais de esperança

Por Renata Domingues Rio de Janeiro

               EuAtleta - balé projeto social (Foto: Renata Domingues)
Meninas crescem com o sonho de se tornarem bailarinas (Foto: Renata Domingues)

Meu sonho é ser bailarina.

A frase dita em meio a lágrimas é da menina Érika Beatriz, de 12 anos, mas poderia ser de qualquer uma das cerca de 40 crianças atendidas pelo projeto Dançar a Vida, da escola de balé Petit Dense em parceria com a ONG Novo Horizonte. Em uma pequena sala na entrada do Morro da Formiga, na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro, duas vezes por semana elas calçam as sapatilhas doadas por ex-alunos e de coque no cabelo e sorriso no rosto fazem muito mais do que apenas dançar.

Click AQUI para ver o vídeo.

O local não parece uma sala tradicional de aulas de balé. É aberta e quente. Mas para elas é o melhor lugar do mundo, a porta para um futuro que pode não estar tão distante assim.
- Tem algumas coisas complicadas, mas cada complicação é um desafio, uma coisa nova. Gosto muito, amo - disse Josiane Barbosa, de 10 anos, com os olhinhos brilhando.

E brilho no olhar de uma criança é sinônimo de esperança para os pais. Mãe de dois filhos, Eliceia Barcellos vê no balé muito mais do que uma maneira de manter os filhos ocupados, em movimento, fazendo uma atividade física.

Aqui as crianças ampliam a visão de que viver na comunidade não é só aquele mundinho. Que eles tenham a oportunidade de fazer algo fora, de crescer e conhecer outros lugares. Com o balé isso é bem possível - afirmou a dona de casa de 31 anos.

A própria professora é um exemplo de que tudo é possível. Com apenas 20 anos, 14 de balé, ela também veio de um projeto social. Jhelly Furtado é pequena, menor que as alunas mais velhas, mas passa um respeito enorme para suas meninas, que a olham com admiração e seguem à risca todos os seus ensinamentos.

Olho para elas e imagino que elas talvez nem entendam o que está acontecendo. Era uma brincadeira para mim e hoje é minha profissão. Eu sentia que devia isso aos projetos sociais, é uma responsabilidade muito grande
E para virar exemplo, Jhelly passou pelas mãos de Nelma Darzi. A diretora da escola Petit Dense, que fica apenas a algumas quadras do projeto social, deu início ao projeto por uma questão pessoal. Ela sofria de síndrome do pânico e foi orientada a se engajar em uma iniciativa social. Deu certo. Curada, ela hoje ajuda a “curar” muitas crianças e suas famílias.

O projeto cultural tem uma função pedagógica, de socialização, de inclusão, e a gente vê uma transformação bem significativa no comportamento e interesse das crianças, até nos estudos. Se cada um fizer um pouquinho com certeza esse pouquinho consegue transformar a vida de muitas crianças - disse ela. 

   EuAtleta - balé projeto social (Foto: Renata Domingues)
Projeto atende cerca de 40 crianças das proximidades do Morro da Formiga (Foto: Renata Domingues)

A parceria com a ONG do Morro da Formiga foi um jeito de expandir as aulas que começaram dentro da própria Petit Dense, apenas com alunos de uma escola municipal vizinha. O projeto cresceu com a ajuda de Sérgio dos Santos, que foi criado na comunidade e se enche de orgulho e emoção ao falar da importância das aulas de balé na vida das crianças. 

                        EuAtleta - balé projeto social (Foto: Renata Domingues)
              No centro, professora Jhelly é exemplo para as alunas (Foto: Renata Domingues)

Sonhei com tudo isso e quando vejo essas crianças fazendo balé, você não tem ideia do quanto me faz bem... Sei a realidade dessas crianças, e isso não tem preço. É o sonho delas - emocionou-se.

O Dançar a Vida sobrevive de doações e parcerias, sem muitos recursos. Mas Sérgio acredita que o caminho é esse mesmo.

Acredito que onde chega dinheiro, também chega problema. Claro que o recurso é importante, mas o dinheiro às vezes em vez de ser solução, é problema.

E mesmo com dificuldades, Sérgio e Nelma têm a meta de dobrar o número de crianças no ano que vem. Que eles consigam, e, na ponta dos pés, os futuros bailarinos continuem levando disciplina, graça e talento pela vida.

  EuAtleta - balé projeto social (Foto: Renata Domingues)
Roupas e sapatilhas são doadas por ex-alunas e passam de umas para as outras (Foto: Renata Domingues)

Fonte: globoesporte.globo.com

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