quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Empresário é agredido no trânsito por ser gay

Pedro Heiderich Sumaré

Agressão| Lente dos óculos da 
vítima se soltou em Sumaré
Divulgação

Um empresário de 25 anos foi agredido no trânsito anteontem, em Sumaré, por ser gay. A vítima, de Rio das Pedras, estava de carro com seu namorado na Avenida Rebouças quando parou ao lado de outro veículo no sinal. Ele foi xingado de "bicha" e "viado" e levou um soco no rosto. O agressor ainda perseguiu o casal de carro, mandando que parassem para "aprender lição".


O empresário, que pediu para não ser identificado por medo de represálias, diz que é a primeira vez que é vítima de violência. "Este tipo de atitude não pode passar em branco, temos que denunciar. Já está mais do que na hora de mudarmos certos comportamentos com relação à vida alheia. A gente não fez nada para o agressor", ressalta.
A vítima conta que conversava normalmente com seu namorado. "Nós já evitamos nos beijar em público justamente por medo", destaca. Um Doblò verde, de placas EZS-9495, segundo a vítima, parou ao lado. Uma mulher dirigia o veículo. O passageiro começou a encarar o casal. "Reparei que ele ficou olhando para a gente sem desviar o olhar", contou o empresário.
O homem continuou a encarar o casal e na segunda vez que o empresário olhou, ele reagiu. "Ele começou a gritar do carro coisas como 'o que está olhando, viado?'. Disse para meu namorado 'você também, bichinha. Não fica olhando não'. Aí ele desceu do carro. Eu tentei subir o vidro, mas ele segurou e me deu um murro. Eu estava de óculos, quebrou a lente".
Depois da agressão, o empresário saiu com o carro no sinal vermelho e foi perseguido. "Ele veio atrás e gritava do carro para a gente parar para aprender uma lição", relata a vítima. Após despistar o agressor, o empresário foi registrar boletim de ocorrência no 1° DP. A placa do veículo foi anotada. "Nem conheço essa pessoa, nunca vi, e não sei do que ela é capaz".
O empresário vai procurar advogado ligado a crimes de homofobia para entrar com ação. Ele conta que a agressão acabou com o programa de domingo. "A gente tinha compromisso, mas ficamos tão assustados que resolvemos ir embora mais cedo. Ficamos nos perguntando por que uma pessoa desrespeita a outra assim, sem nada que interfere na vida dela", lamenta.
Segundo o GGB (Grupo Gay da Bahia), 318 gays foram assassinados no País no ano passado. O Estado de São Paulo lidera, com 55 vítimas. O último levantamento do GGB, de junho, estima que neste ano, a cada 28 horas, um homossexual morre violentamente no Brasil.
O Disque 100, canal criado para as vítimas de ataques homofóbicos, recebeu em 2015 cerca de duas mil denúncias de agressões contra gays. Em junho, o órgão já registrava 132 assassinatos de homossexuais no Brasil em 2016.

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