quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Jovens com leucemia vivem ansiedade para fazer a prova do ENEM 2016 dentro do hospital - Veja o vídeo.

Marília e Jayssa têm leucemia e não deixam a doença atrapalhar os planos para o futuro

Do R7



Enquanto alguns alunos sofrem com o adiamento do ENEM por causa da ocupação de algumas escolas pelo Brasil, outros estão ansiosos à espera da prova; esse é o caso de 44 estudantes que passam por um tratamento de saúde e têm a autorização para fazer o exame nos hospitais.

Marília e Jayssa são duas jovens que lutam contra a leucemia, um tipo de câncer mais comum na infância e que atinge 33% dos pacientes até os 18 anos, mas que tem altas chances de cura. Além da doença em comum, as duas também sonham em ser médicas e estão se preparando para realizar o Exame Nacional do Ensino Médio.

Marília procurou um médico após sentir dores de cabeça e, depois de alguns exames, foi diagnosticada com câncer. Regina Célia Seriacopia, mãe da estudante, conta que a notícia foi um choque para toda a família.

É uma coisa que você acha que nunca vai acontecer na sua vida. Você vê as pessoas em volta e acha que nunca vai acontecer com você. Na hora a gente pede: "Eu quero que refaça o exame"; você não consegue acreditar! É um choque, dá um desespero muito grande e parece que o mundo desaba na sua cabeça.

Já Jayssa, de Belém, no Pará, não sentiu dores, e procurou um médico depois que dois nódulos no pescoço chamaram a atenção de sua mãe, que é médica. Dias depois, ela já estava com o diagnóstico fechado e de malas prontas para começar o tratamento em São Paulo.

Christiane Leite Freitas, mãe da garota, se emociona ao falar da doença.

A sensação que a gente tem, acho que já falei até com outras mães, é que você cai em um buraco e não consegue achar o chão, mas, de repente, você precisa encontrar esse chão para você lutar porque a gente quando recebe um diagnóstico desses, mesmo sendo médica, não temos ideia do que vamos passar. É muito difícil! Principalmente porque você tem que largar tudo, tem que abrir mão de tudo, principalmente, ficar longe de quem você ama. Isso maltrata muito!

Mesmo com dias tão difíceis, as duas jovens não abrem mão do sonho de ter uma carreira e a oportunidade de fazer o ENEM no hospital surgiu como um presente.



Marília, que está no segundo ano do ensino médio, vai apenas treinar.

Quero conhecer o ENEM, como ele funciona, como são as questões, como é tanto tempo de prova com questões mais abrangentes, porque na minha escola faço simulados, mas são questões muito específicas do trimestre, da matéria que a gente está vendo. Queria entender como funciona o ENEM porque não é [uma prova] só com certas matérias, são todas as matérias, tudo junto, então quero conhecer.

Jayssa vai encarar a prova para valer e, dependendo da nota, poderá ser aprovada em uma universidade. Apesar de não se achar muito preparada, a estudante acredita que fará um bom trabalho.

Tenho esperança! Todo mundo tem esperança de passar. Se não der esse ano, continuo ano que vem, tento de novo e assim vai.

O ENEM será aplicado por um funcionário do Ministério da Educação para os 44 estudantes que passam tratamento médico dentro de hospitais e os candidatos serão submetidos as mesmas regras dos demais alunos, incluindo o tempo de prova.

Como o curso de medicina é um dos mais difíceis para se conseguir uma vaga no país, Marília e Jayssa sabem que têm um longo caminho a percorrer, por isso, aproveitam cada minuto disponível para estudar.

Dentro do hospital, a professora Angelita Moraes Ferreira tira todas as dúvidas das meninas e por isso, neste momento, passa a ser uma aliada das estudantes.

O ENEM é um teste de resistência, não é só de conteúdo. A gente tenta fazer vários simulados para ir adaptando, acalmando, compreendendo como vai ser no dia.

Enquanto não chega a hora da prova, as duas intensificam os estudos. Com a ajuda das amigas, Marília fica por dentro de todas as aulas que acontecem em sua escola.

Elas me mandam a matéria e daí eu copio no meu caderno, e separo uma hora do dia para poder estudar. Estudo na cama mesmo, puxo uma mesinha, pego minhas coisas e estudo.

Como vai ao hospital uma vez por semana para fazer a quimioterapia, Jayssa aproveita o tempo em casa para estudar.

Trouxe parte do meu material de Belém e o resto tento pegar pela internet, fazendo simulados, essas coisas.

Mesmo estando aparentemente bem e sem a necessidade de ficar internada, a garota não pode ter contato com muita gente; a orientação dos médicos é que ela evite locais fechados ou com aglomeração, por isso ela não poderá fazer a prova em uma escola normal.

Longe de casa, da escola, da família, dos amigos e tendo que enfrentar a prova em um local tão diferente, o que não falta para Jayssa é incentivo. Seus colegas de classe, com quem ela tinha combinado de estudar junto para o ENEM, não abandonaram a amiga e fizeram questão de enviar mensagens de apoio. A estudante não conteve as lágrimas ao assistir os vídeos cheios de amor que recebeu.

Eles me deram muita força e isso é muito bom! É muito bom ser querida e receber tanto apoio assim sempre.

Com tanta determinação, o tratamento da Marília e da Jayssa é só um detalhe nessa busca pelo sonho.


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