segunda-feira, 21 de novembro de 2016

'Me sinto útil', diz deficiente auditiva de 60 anos que estuda música no PI - Veja o vídeo.

Francisca Borges estuda teclado em projeto social de Teresina. 'Eu tenho muito orgulho da minha mãe' diz filho mais velho Hélio Borges.

Do G1 PI

Dona Francisca tem o sonho de tocar na igreja em que frequenta (Foto: Samantha Rodrigues/ G1 Piauí)
Dona Francisca tem o sonho de tocar na igreja em que frequenta (Foto: Samantha Rodrigues/ G1 Piauí)

Choro, sorrisos e timidez. Foi assim que a dona de Francisca Borges recebeu a equipe do G1 para contar um pouco de sua história. A conversa transcorreu através de leitura labial e, em alguns momentos, por meio da escrita. Deficiente auditiva desde a infância, o que poderia ser barreira se transformou elemento decisivo de superação. Estudante do curso de teclado, no Projeto Música Para Todos, em Teresina, ela usa a música como terapia e instrumento de inclsuão.

Click AQUI para ver o vídeo.

Natural da cidade de Beneditinos, localizada a 91 km da capital piauiense, desde criança Francisca convive com o seu mundo quase que sem som. Foram os pais que descobriram a deficiência, mas por falta de condições financeiras não recebeu o tratamento adequado. Apenas aos quinze anos de idade, ela foi levada a um hospital, onde foi informada que nunca mais poderia ouvir regularmente.

A dona de casa alucinada por música, tem na atividade a sua principal atividade diária. Nem mesmo na aposentadoria ela conseguiu dar entrada.

“Sinceramente, eu não senti nada quando os médicos me falaram isso porque como eu não ouvia há muito tempo, acabei arranjando outras formas de conversar com as pessoas. Isso, às vezes, é ruim, pois muitos não acreditam que eu não ouço. O INSS mesmo não aceita porque consigo conversar com as pessoas”, contou Francisca.

                             Dona Francisca é aluna de teclado do Projeto Música Para Todos (Foto: Samantha Rodrigues/ G1 Piauí)
Dona Francisca é aluna de teclado do Projeto Música Para Todos (Foto: Samantha Rodrigues/ G1 Piauí)

Aulas iniciaram com dificuldade
A alegria das pessoas com a música sempre foi algo visível para ela. No Projeto Música Para Todos ela encontrou um óasis repleto de felicidade e ali já imaginava ser um dos seus espaços de vivência.

Nas primeiras aulas, os professores ficaram meio preocupados em como seria a metodologia. Foi então com a coordenação do projeto optou por mecanismos de inclusão, fazendo dona Francisca se ambientar nos espaços com os demais.

“Eu não consigo ouvir nada, mas sempre vi como as pessoas reagem ao ouvirem uma música. Quando cheguei ao Música Para Todos para fazer minha inscrição, eles me receberam muito bem, mas ficaram sem saber como seria ensinar para uma pessoa como eu”, disse.

As aulas teóricas básicas foram as principais barreiras enfrentandas. Isto porque eram ministradas em sala com um grande número de alunos.

Meu sonho é tocar na minha igreja e um dia, com fé em Deus, vou conseguir"
Francisca Borges

“Tem coisas que eu preciso estudar mais e eu sei disso. Mas aqui eu me sinto útil, porque chega uma idade que para alguns é para descansar e para mim é a hora de eu fazer o que não pude antes”, disse.

A professora de teclado Viviane Neves conta que dona Francisca já está no segundo dos quatro cadernos do curso livre. “A dona Francisca é muito esforçada. Fazemos teoria aplicada com ela, e que o eu observo é que ela pesquisa sobre o que eu ensinei em sala e tem o cuidado de estudar para compreender o assunto. Ela está evoluindo muito bem”, disse.

Sonho musical
Nem todos acreditam que ela possa tocar. No entanto, como mostrado no vídeo que abriu esta reportagem, ela demonstra através dos acordes e arranjos o potencial que surge aliado à superação.

“Muitas pessoas acham que não adianta, que eu nunca vou conseguir tocar, mas meu filho mais velho me apoia muito e me explica o que eu não consigo entender. Ele diz, ‘vá estudar mãe, isso é muito bom para a senhora’ e eu realmente gosto muito, me sinto muito bem”, explicou.

O filho mais velho de Francisca, Hélio Borges, diz que a mãe nunca deixou que a deficiência a atrapalhasse e destaca o orgulho por ela.

“Ela sempre tentou fazer tudo independente de não ouvir. Minha mãe criou todos os filhos, cuidou e ainda cuida de uma casa e isso nunca foi um empecilho. Eu tenho muito orgulho da minha mãe e por isso mesmo apoio que ela deva buscar realizar os sonhos, como é o sonho dela de tocar”, contou.

Com o sorriso estampado no rosto tímido, uma das muitas estudantes de música com deficiência no Projeto Música Para Todos, ainda tem muitos sonhos a serem realizados. Um deles, claro, tem como principal protagonista a musica.

“Meu sonho é tocar na minha igreja e um dia, com fé em Deus, eu vou conseguir”, finalizou Francisca Borges.

Fonte: g1.globo.com


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