terça-feira, 6 de dezembro de 2016

A arte da Suspensão Corporal com Pessoas Com Deficiência! - Veja o vídeo.

Você já ouviu falar sobre "Suspensão Corporal"? Ela é considerada como arte que utiliza ganchos para pendurar o corpo pela pele!

 

Você pode até achar assustador, doloroso, mas quem pratica se sente totalmente livre e feliz ao conseguir expressar a arte com essa técnica tão diferenciada.

A suspensão corporal está disponível para toda e qualquer pessoa que tenha interesse em passar por essa experiência. Todas de verdade, o que inclui pessoas com deficiência. É uma prática tão poderosa que pode transformar a vida de quem faz a suspensão e também de quem assiste.

Os bailarinos Marcos Abranches e Ale Bono Vox , ambos com deficiência e apaixonados pela arte, decidiram juntos conhecer mais sobre essa técnica e também serem suspensos pelos ganchos. Mas antes de falar sobre isso, te convido para assistir o vídeo a seguir e conhecer as histórias deles: 
           

Marcos Abranches e Ale Bono Vox estão focados no desenvolvimento de sua nova obra. A dupla que é de São Paulo, já vem trabalhando junta há alguns anos e dessa vez buscaram a suspensão corporal como técnica corporal para as suas danças. Ambos com paralisia cerebral, ela cadeirante, nos mostram que o corpo pode mais do que o discurso médico, normatizador e de senso comum diz.


Dentro da arte contemporânea a suspensão corporal em si tem sido utilizada como obra. Uma série de outros artistas passaram a utilizar a suspensão corporal como técnica, sendo assim, uma parte da obra e não a sua totalidade. Ale e Marcos buscam com suspensão corporal criar danças, explorando a condição do corpo sustentado por ganchos na pele possibilitando outros movimentos.

A nova obra da dupla ainda não tem data de estreia, mas obviamente que iremos divulgar por aqui. Haverá um vídeo também desse momento e já estamos ansiosos para assistir.


Abaixo vamos compartilhar na íntegra o depoimento de Luciano Iritsu, que ficou responsável pela execução do trabalho. Sua fala reafirma a ideia das potências dos corpos – todos eles – e da prática da suspensão corporal:



“Difícil escrever em palavras, mas vamos lá… Desde a primeira vez que nos encontramos foi tudo muito natural. Terminamos a primeira reunião e saímos da Galeria Olido. Acabou que eu estava conversando com a Ale, peguei a cadeira de rodas e sai pilotando. Nunca havia guiado uma cadeira de rodas antes… 

No meu segundo contato foi quando eu conheci a mãe da Ale, porque ela tinha dúvidas sobre a suspensão e queria uma boa conversa sobre o assunto. Pude deixá-la tranquila quanto ao procedimento e depois disso agendamos o grande dia no Gal. Espaço onde eu já havia feito algumas suspensões e o Gal que iria filmar, sou fã do trabalho dele, das suas fotografias voltadas para o corpo e tal.

Antes disso fiquei pensando na suspensão da Ale, como iria proceder tecnicamente, por fim, desencanei e fui nos meus sentidos. Fui sentindo a pele, percebendo qual era a elasticidade, qual era a posição que ela ficaria mais confortável e quando chegamos no estúdio, a primeira coisa que o Marcos me disse é que queria subir também. Fiquei ansioso em dobro.

Chegou a hora, antes disso a Ale havia dito que estava muito feliz e que era um sonho pra ela. Fui montar as coisas e como eu disse antes pra ela, o foco estava todo voltado e concentrado pra ela. 

Fiz a marcação com ela na cadeira de rodas e fizemos as perfurações no chão. Todo processo que você conhece, respiração, pupilas dilatadas, ganchos colocados e voltamos para a cadeira. Ela entraria em cena levando a cadeira e o Marcos a conectaria. Deixando que ela ficasse sozinha, para que pudesse movimentar e sentir seu próprio corpo. Nesse momento o seu semblante era tranquilo, sem nenhuma interrogação e foi… Subindo com toda delicadeza e leveza saindo da cadeira de rodas sozinha. Nunca tinha saído antes, ficado em pé. Subiu e logo seu sorriso fazia parte do momento. Estava presente e isso é o mais importante. Parecia muito leve e se divertiu bastante. A coloquei com os pés no chão, ela ficou sem auxílio de nada, apenas ela e os ganchos Aproveitamos para tirar fotos todos juntos, todos estávamos em êxtase. Perguntava para a Ale se ela queria ir para cadeira e recebia um não. Colocamos a Ale em pé pela primeira vez na vida. 

Chegou a vez do Marcos. Preparamos, limpamos e acho que ele sentiu um pouco mais os ganchos, porque os homens são mais razão do que as mulheres, que são mais coração. Fomos para a suspensão, ele subiu meio tenso, demorou um pouco para relaxar, lembrando que ele é mais razão… Por fim, foi tão intenso quanto a Ale.

São duas pessoas super especiais, não estou dizendo pelo corpo e sim pela alma. Eles são intensos, acho que não existe dificuldade em nada, existe a falta de vontade de querer fazer algo.Teve um momento que fui descendo o corpo do Marcos com os pés no chão e ele ficou na horizontal e quase beijou o chão. Por ser dançarino ele tem o abdômen muito forte e ficou linda a cena também. Me lembrou um pouco você que dança suspenso. Fazia movimentos usando o gancho como ponto fixo e foi lindo. Até chegar no momento que ele tinha cansado, descemos, nos abraçamos e foi lindo tudo!”

Ale descendo da suspensão
Marcos experimentando a Suspensão Corporal 

Marcos de pé, totalmente suspenso

Um lindo registro que esperamos que possa reverberar entre tantas outras pessoas que sempre tiveram interesse em experimentar a suspensão. Há muito para descobrir, e parafraseando Morus, “assim aspiro, muito mais do que espero“.

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