sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

CHAMADA DE “A MULHER MAIS FEIA DO MUNDO”, AMERICANA FAZ CONFISSÃO DE ARREPIAR SOBRE BULLYING

    Lizzie Velasquez (Foto: Reprodução/Instagram)
    Lizzie Velasquez (Foto: Reprodução/Instagram)

A americana Lizzie Velasquez, de 27 anos, sofre com gozações e zombarias desde a infância. Sempre carregou expressões e títulos cruéis a respeito de sua aparência física. Adulta, ficou conhecida como "a mulher mais feia do mundo". Diz que consegue superar o bullying interminável, e dá centenas de palestras motivacionais por ano contando como faz para viver com tanta gente debochando dela. Na internet, há centenas de memes implacáveis achincalhando Lizzy. No último domingo (11), a americana estava em casa, navegando nas redes sociais, quando viu um deles e decidiu desabafar. O post que ela escreveu é tocante, de arrepiar. O texto viralizou e comoveu muita gente.

Lizzy tem uma doença rara — a síndrome de Martan, que faz com que ela não consiga acumular gordura no corpo e ganhar peso. Com 1,57 m e 27 quilos, ela nunca deixou se ser alvo de piadas, que aumentaram muito nas redes sociais

Nesta semana, ela falou a seguidores no Facebook sobre a gozação sem fim: "Não sou só eu que sofre com esses memes, montagens fazendo 'humor' e piadas sobre a aparência. Estou aqui à noite, na minha casa, olhando o Facebook e vendo exatamente um deles. Fiquei pensando: quanta gente inocente deve estar sentindo o mesmo que eu. É uma sensação que eu não desejo nem ao pior inimigo".

Ela nem sabe contar quantas vezes chorou ou ficou com "vontade de sumir" ao ver memes zoando seu rosto e corpo: "Já fui alvo de toneladas de memes sobre minha aparência. Vou falar agora não como vítima do bullying, mas como voz, como uma pessoa que tenta representar outras que sofrem com o mesmo problema de serem atacadas com piadas e gozações".

"Não tem a menor importância o que somos nem o que aparentamos. No final do dia, como todo o mundo sabe, somos bem iguais — humanos e quase sempre sós", escreveu.

"Só peço que você, ao vir um meme com uma foto de alguém, um estranho, reflita sobre isso. Você pode achar engraçadíssimo, hilariante, mas pense na pessoa que está ali, sendo alvo da brincadeira. Ela provavelmente estará sentindo algo bem diferente do que você naquele momento", completou.

"É certo que, enquanto você ri, a outra pessoa está sentindo algo oposto", reforçou.

"Esses memes são sobre pessoas, que têm sentimentos", lembrou.

Sendo assim, em vez de palavras pejorativas, espalhe amor pela internet', concluiu INSCREVA-SE NO CANAL DO HORA 7 NO YOUTUBE! 

"Sendo assim, em vez de palavras pejorativas, espalhe amor pela internet", concluiu.

O post, publicado no último domingio (11), tinha mais de 100 mil compartilhamentos até esta quarta (14) e 130 mil curtidas. A conta de Lizzie no Facebook é seguida por cerca de 150 mil pessoas. No Instagram, ela tem 611 mil fãs.

Seu canal no YouTube contabiliza quase 55 milhões de visualizações dos vídeos.

"Só peço que as pessoas respeitem mais as outras", ela também escreveu.

Como o post viralizou, Lizzy foi tema de reportagens de jornais mundo afora. Deu entrevistas para publicações asiáticas, europeias e americanas.

Lizyy falou sobre a repercussão mundial em seu Twitter, com 61 mil seguidores: "Incrível. Mantenham essa onda positiva!".

A maioria das pessoas nas redes sociais mandou mensagens de apoio, dizendo ter se emocionado com o desabafo da americana.

"Lizzie nos faz lembra do quanto são devastadores e impertinentes muitos dos memes com pessoas que têm algum problema ou que não têm problema algum. São apenas escolhidas para fazer piadas cruéis", escreveu uma americana.

"Qualquer um pode virar meme, não existe nenhum tipo de fiscalização. Só pessoas levantando a questão e defendendo quem foi vítima de zombaria", lembrou um australiano.

'Existe uma cultura de bullying online', avisa. 'Que as pessoas nem sempre se dão conta'INSCREVA-SE NO CANAL DO HORA 7 NO YOUTUBE! 
"Existe uma cultura de bullying online", avisa. "Que as pessoas nem sempre se dão conta".

"Não estou dizendo para acabar com o humor na internet nem extinguir as piadas, a diversão. Gostaria apenas que se preocupassem mais com quem está sendo motivo de gozação", explica.

Lizzie, palestrante profissional e ativista anti-bullying, tem fãs em várias partes do mundo. "Muitas pessoas me param para dizer que se sentem amparadas pelo o que digo", escreve.

"Não quero estabelecer as regras. Só pretendo levantar algumas questões para as pessoas pensarem. Bullying na internet é sério e pode acabar com a vdia de muita gente", diz ela.

Ela diz que memes lembram bullying na escola. "É muito bobo e, ao mesmo, tempo, poderoso e assustador quando as pessoas são sensíveis", acredita.

"Sempre sofri com piadinhas, na escola, na adolescência, na faculdade", conta.

"Meus pais,Rita e Lupe, também eram alvo de chacota", lembra. Quando ela nasceu tinha pouco mais de 1,2 kg. Os médicos disseram que ela teria pouco tempo de vida.

O bullying na internet começou mesmo quando foi postado um vídeo em 2007, chamado "A Mulher Mais Feia do Mundo". Ela tinha 17 anos.

Desde então ela vem lutando contra o bullying, fazendo palestras e participando de debates. Também posta vídeos sobre motivação.

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Em 2015 foi lançado um documentário sobre a vida dela, chamado A Brave Heart: The Lizzie Velásquez Story, premiado em festivais e que será lançado este ano na TV americana.

Ela tem três livros publicados. Um deles, chamado Lizzie Beautiful: The Lizzie Velásquez Story, escrito com a mãe dela. Um outro, chamado Be Beautiful, Be You (Seja maravilhosa, seja você), foi lançado em 2012, traduzido em vários países na Europa. O terceiro chama-se Choosing Happiness e também tem como tema a superação.

"Na minha vida também sofri com gente me perguntando, ao tentar ser gentil, sobre 'o que tinha de errado comigo'", relembra. "Também é algo terrível e doloroso".

Ela não enfrentou apenas preconceito, ignorância e gozação. Lizzie passou a infância sendo tratada em hospitais.

Tem problemas de visão — é cega no olho direito e enxerga bem mal com esquerdo. Tem o corpo frágil e já passou por dezenas de cirurgias.

Sofre ainda com problemas pulmonares e costuma dizer que sente falta de energia — ainda assim, "não desisto nunca e nem deixo de trabalhar".

"Nem de aproveitar a vida", avisa.

"Minha vida é bem complicada, mas não posso me entregar assim tão fácil", costuma dizer. "Repetindo: não quero ser vítima. Só passar uma mensagem positiva para as pessoas".

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