sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Estilistas criam soluções em moda para pessoas com deficiência

Criada há oito anos, a iniciativa tem como proposta estimular jovens estilistas a pensar em soluções funcionais na moda, por meio do respeito à diversidade

Foto do desfile com roupas inclusivas; três modelos estão em uma passarela. O primeiro modelo é um homem negro e jovem, à esquerda; as duas outras modelos, mulheres brancas e jovens, estão em cadeira de rodas

Em parceria com a Secretaria do Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência há oito anos, a Vicunha Têxtil realiza o Concurso Moda Inclusiva. A iniciativa tem como proposta estimular jovens estilistas a pensar em soluções funcionais na moda, por meio do respeito à diversidade.

Os finalistas abusaram da criatividade para elaborar looks divertidos e inovadores, que respeitem as limitações físicas de pessoas com deficiência e exponham ideias práticas para ampliar o conforto e a autoconfiança.

Há anos, o projeto cria um engajamento que gera frutos que vão muito além do próprio evento. O vencedor da última edição do Concurso Moda Inclusiva, o gaúcho Eligolande Furtado, criou peças inspiradas nas Paralimpíadas do Rio 2016.

Com ênfase na celebração das delegações, as criações eram repletas de funcionalidade, com bolsos com lapela conversível e cós pensado para firmar a carteira e zíperes descartáveis com encaixe facilitado. “Desde que venci o concurso, criei em Pelotas, no Rio Grande do Sul, um grupo de pesquisa em moda inclusiva que abrange diversas áreas para discutir a mobilidade”, conta Eligolande.

Para esta edição, a estilista colombiana Natsue Kiyama pensou nas pessoas que sofreram amputações dos membros inferiores para criar um look inspirado nas “Pilchas Gauchas”, indumentárias utilizadas pelos gaúchos colombianos, refletindo as tradições e raízes da região.

“Busquei resolver problemas cotidianos que pessoas com amputação enfrentam ao se vestir, conferindo autonomia, segurança e conforto”, explica Kiyama. Para criar uma calça, a estilista utilizou o brim Ypoá, da Vicunha. Um poncho com recortes geométricos na cor amarela e com aplicações de crochê foi elaborado no brim Kidman.

Já o paraense Rodolfo Arlen vê a iniciativa como uma realização pessoal, pois conviveu com pessoas com deficiência e sempre sonhou em ajudá-las de alguma maneira. Para o concurso, se inspirou em figuras que demonstram força e superação, como o Soldadinho de Chumbo, do conto “O Quebra-Nozes”, de Alexandre Dumas, personagem que não tinha uma das pernas.

Os denims super stretch Malvina, ideal para criar peças que permitem liberdade de movimento, e Colin, 100% algodão, foram escolhidos para a produção das peças. “Uma roupa não define quem você é ou o que pode se tornar. Já presenciei, inúmeras vezes, pessoas com deficiência ficarem desconfortáveis com roupas, constrangidos com olhares de curiosos. Então, é neste momento que entro com minha proposta de acessibilidade, visibilidade e cuidado”, conta Arlen.

A mineira Larissa Cunha, por sua vez, focou na moda casual para criar adaptações que facilitem a locomoção de pessoas com mobilidade reduzida. Priorizando o conforto, a estilista buscou aproveitar texturas que despertem sensações táteis, investindo em detalhes que conferem charme ao look.

“A coleção propõe um olhar moderno e conceitual da moda casual, promovendo bem-estar, para que o usuário encontre facilidade no vestir e ganhe mais independência e interação com a roupa”, conta Cunha. O brim Baldwin, com sarja diagonal bem marcada, foi a escolha da estilista para a confecção das peças.

Além de fornecer os tecidos para a confecção dos looks dos finalistas e como prêmio aos três melhores colocados, a Vicunha Têxtil oferece ao grande vencedor um mês de estágio remunerado na empresa.

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