domingo, 18 de dezembro de 2016

'Kombinha azul' testa habilidades de mercado de jovens com autismo no DF

Food truck faz parte de projeto de inclusão de jovens com autismo no mercado de trabalho. Neste sábado (17), a kombi fica estacionada no Parque da Cidade.

Por G1 DF

'Kombinha azul' testa habilidades de mercado de jovens com autismo no DF

Simbolo de um projeto que inclui jovens com autismo no mercado de trabalho, a "Kombinha azul" fica estacionada no Parque da Cidade, em Brasília, na tarde deste sábado (17). O food truck estimula o desenvolvimento de habilidades como atendimento a clientes e raciocínio lógico. A "kombinha" fica no Estacionamento 4 a partir das 14h. No cardápio, apenas alimentos sem glúten e sem lactose.

De acordo com o idealizador do projeto, Gustavo Tozzi, a "Kombinha azul" permite a vivência de uma experiência de mercado aos alunos que estão na faixa etária de jovens-aprendizes, entre 14 e 19 anos. Nas atividades do food truck, eles têm a oportunidade de trabalhar capacidades de relacionamento interpessoal e habilidades acadêmicas – matemática aplicada, por exemplo.

  No food truck 'Kombinha azul', jovens com autismo vendem alimentos sem glúten e sem lactose em Brasília (Foto: Kombinha Azul/Divulgação)
No food truck 'Kombinha azul', jovens com autismo vendem alimentos sem glúten e sem lactose em Brasília (Foto: Kombinha Azul/Divulgação)

“Eles precisam olhar para as pessoas, cumprimentá-las, identificar quantos produtos ainda têm, conseguir digitar os valores na calculadora de forma correta, receber o dinheiro e calcular o troco, entregar os produtos: coisas que parecem triviais para nós. Para eles, trabalhar com tudo isso de forma integrada é um desafio.”

A "Kombinha azul" surgiu de uma insatisfação de Tozzi com a recepção do mercado a estes profissionais em potencial. Segundo ele, dois ex-alunos do Instituto Ninar – que desenvolve trabalhos com pessoas autistas e do qual Tozzi é sócio – conseguiram emprego em uma padaria e em uma distribuidora de bebidas, mas “o mercado de trabalho, infelizmente, não vê com bons olhos estes profissionais”.

Projeto 'Kombinha azul' incentiva jovens com autismo a testar habilidades com vendas no DF (Foto: Kombinha Azul/Divulgação)
Projeto 'Kombinha azul' incentiva jovens com autismo a testar habilidades com vendas no DF (Foto: Kombinha Azul/Divulgação)

Esta é a segunda vez que a "Kombinha azul" estaciona no Parque de Cidade. A primeira vez foi em outubro e a intenção, segundo Tozzi, é levar o projeto a outras localidades de Brasília pelo menos uma vez por semana. “Quero que a kombi consiga andar com as próprias rodas", disse.

Por enquanto, o food truck não traz lucros. O dinheiro das vendas é destinado à manutenção do carro e reposição dos alimentos mas, se a kombinha conseguir ampliar as atividades, o lucro será repartido entre os alunos. "Nós fizemos um investimento alto e queremos que eles [os alunos] ganhem a comissão deles. Eles têm uma boa noção monetária.”

'Kombinha azul' vende alimentos sem glúten e sem lactose no estacionamento 4 do Parque da Cidade, em Brasília (Foto: Kombinha Azul/Divulgação)
Kombinha azul' vende alimentos sem glúten e sem lactose no estacionamento 4 do Parque da Cidade, em Brasília (Foto: Kombinha Azul/Divulgação)

Na cozinha
As comidinhas "ainda" não são produzidas pelos alunos. Segundo Tozzi, o projeto tem pretensões de criar uma cozinha funcional para que eles, efetivamente, “coloquem a mão na massa”. No cardápio deste sábado (17), apenas opções livres de glúten e lactose – os próprios alunos costumam ter estas restrições alimentares, informou o idealizador.

No menu salgado, a kombinha vai oferecer tortas de frango, de palmito, de espinafre e de champignon. Para sobremesa, brownie, bolo de cenoura com cobertura de chocolate e cucas de banana ou de maçã.

Kombinha pela cidade
Quando a "Kombinha azul" não está funcionando como food truck, ela roda pela capital com os alunos, acompanhados de terapeutas do Instituto Ninar, para fazer passeios turísticos e tratamentos ao ar livre em espaços públicos.

Fora da clínica, a sessão de cinema azul é outra programação destinada aos alunos com autismo. Uma sala no Boulevard Shopping, em Águas Claras, é preparada especialmente para eles, com o áudio modificado, sem trailer e propagandas, com luz reduzida em 50% e temperatura controlada.

"A parte sensorial deles costuma ser uma pouco 'atrapalhada'. Eles podem sentar nas escadas, levantar, dar uns pulinhos e sentar de novo". As sessões são abertas ao público externo, mas as pessoas "precisam estar preparadas para lidar com essa diversidade", afirma Tozzi.

Fonte: g1.globo.com

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