segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Paralimpíadas Rio 2016

Jogos Paralímpicos firmam o Brasil como potência mundial !!! Terminando a participação em oitavo lugar na colocação geral das medalhas, País impressiona pela organização, empenho dos atletas e participação do público que compareceu em massa para assistir as competições

     

Depois de uma cerimônia de abertura que encantou o mundo no dia 7 de setembro, a sucessão de disputas mostrou a qualidade dos atletas paraolímpicos e atraiu o público que compareceu em número expressivo nas Arenas, com 2,1 milhões de ingressos vendidos, sem falar na audiência na transmissão das competições, com muita gente acompanhando pela TV, mesmo com poucos canais transmitindo.

Os jogos paraolímpicos no Rio de Janeiro, contaram com 4.333 atletas de 160 delegações - 159 países mais os atletas refugiados - que quebraram 592 recordes paralímpicos, 208 recordes mundiais paralímpicos e levaram para casa 1.488 medalhas no total. Além disso, participaram 15 mil voluntários de 119 países e de 26 estados brasileiros. O número de turistas durante a paralimpíada foi de 243 mil, gerando uma renda de R$ 410 milhões. O que é extremamente significativo, levando em conta que os ingressos foram vendidos a preços infinitamente mais baratos que nos Jogos Olímpicos, o que permitiu que os torcedores – principalmente os brasileiros – comparecessem em massa.

  

  

  

  

  

  

A China, Grã-Bretanha, Ucrânia, Estados Unidos, Austrália, Alemanha e Holanda ficaram nos primeiros lugares. A meta brasileira de alcançar a 5ª posição no quadro medalhas dos jogos do Rio de Janeiro, disputados até 18 de setembro não se concretizou, acabando na 8ª colocação, mas o Brasil tem muitos motivos para comemorar: foram 72 medalhas no total, subindo ao pódio em 13 modalidades, sendo quatro de forma inédita. O resultado superou em muito a marca anterior, de 47, que havia sido estabelecida em Pequim (2008). Em relação a Londres (2012), o crescimento no número total de medalhas foi de 67 %.

Destaques
Os destaques brasileiros ficaram por conta do atletismo, que realizou a melhor campanha em todas as participações nos jogos até agora, e da natação, que igualou a melhor marca anterior no número de pódios. As quatro categorias em que o Brasil ganhou medalhas pela primeira vez foram: canoagem, ciclismo, halterofilismo e vôlei sentado.

“A meta de terminar na 5ª colocação geral não era a única, e todas as outras foram alcançadas. Um dos grandes objetivos era aumentar o número de medalhas no total e de modalidades no pódio. O desempenho dos atletas mostra que o trabalho foi bem feito. Nada menos do que 93 brasileiros fizeram no Rio as melhores marcas de suas vidas. A geração pós-Londres brilhou e 15 atletas (8 homens e 7 mulheres) com menos de 23 anos subiram ao pódio”, declarou Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro.

Modalidades vencedoras

Pelo número de medalhas, o atletismo foi o grande destaque: conquistou 33 medalhas, inaugurando a lista das vitórias brasileiras. Na primeira manhã de competições, Odair Santos ficou com a prata nos 500m T11. O primeiro ouro também foi na modalidade, com Ricardo Costa no salto em distância T11. No total, 28 atletas brasileiros foram premiados. Para se ter uma ideia da evolução, em Sydney 2000, foram 9 pódios. Em Atenas 2004, 16 pódios. Em Pequim, 15 pódios e em Londres, 18 pódios. No Rio, só de medalhas de prata foram 14, somadas aos 11 bronzes e 8 ouros. Isso dá um total de 32 pódios ! Outra modalidade que conquistou o público foi a natação: 19 medalhas no total, sendo 4 ouros, 7 pratas e 8 bronzes. Foram 5 pódios à frente dos Jogos de Londres 2012, quando o Brasil ficou com 14 medalhas na modalidade (9 ouros, 4 pratas e 1 bronze). No Rio 2016, as medalhas brasileiras foram conquistadas por 8 atletas diferentes em provas individuais, três a mais do que os cinco que subiram ao pódio em Londres 2012. Além disso, medalhas ainda foram alcançadas nos revezamentos 4x50m livre misto 20 pontos (prata), 4x100m livre masculino 34 pontos (prata) e 4x100m medley masculino 34 pontos (bronze).

Mais uma vez o destaque foi para Daniel Dias, que conquistou medalhas nas nove provas em que disputou, sendo 4 de ouro, 3 de prata e 2 de bronze. Com essa participação, ele se tornou o maior medalhista masculino da história da natação paralímpica e o oitavo maior medalhista da história da Paralimpíada. Aos 28 anos, ele conquistou 24 medalhas até agora e seu objetivo é ir a Tóquio em 2020 para novas disputas, em sua quarta participação nos Jogos Paralímpicos. No Futebol de 5, o Brasil manteve sua posição: conquistou a quarta medalha paralímpica consecutiva. Venceu quatro jogos e empatou um. A vitória e o ouro vieram sobre o Irã, por 1 a 0, gol de Ricardinho, numa partida que empolgou o público. No Futebol de 7 o time brasileiro ficou com o bronze e o torneio marcou a despedida da modalidade, já que não está na programação de 2020.

A Bocha também conquistou os torcedores e a comemoração dos atletas foi uma das mais reprisadas pelas tevês pela empolgação. O Brasil ficou com duas medalhas: 1 de ouro nos pares BC3, com Antonio Leme, Evelyn de Oliveira e Evani Soares, e 1 de prata nos pares BC4, com Eliseu dos Santos, Dirceu Pinto e Marcelo dos Santos. Na classe BC4, Eliseu dos Santos e Dirceu Pinto chegaram ao terceiro pódio consecutivo em Jogos - foram ouro nos pares em Pequim 2008 e Londres 2012. Esta edição também marcou a primeira vez dos atletas BC3 no pódio, e já com medalha de ouro. No judô foram 4 medalhas de prata, com destaque para o veterano Antônio Tenório, que em sua sexta participação em Jogos Paralímpicos (compete desde Atlanta 1996), conquistou sua sexta medalha. Ele agora tem no total 4 medalhas de ouro, 1 de prata e 1 de bronze. No tênis de mesa, a participação pode ser considerada histórica, conseguindo uma prata e três bronzes. Pela primeira vez em uma Paralimpíada, o Brasil alcançou medalhas em disputas individuais, com Israel Stroh, prata na classe 7, e Bruna Alexandre, bronze na classe 10. Os brasileiros ainda levaram o bronze nos times masculino classes 1 e 2 e feminino classes 6 e 10.

Na estreia da canoagem brasileira, Caio Ribeiro ficou com a medalha de bronze na classe KL3. Já no ciclismo, em que nunca um atleta brasileiro tinha conseguido uma medalha, Lauro Chaman levou 1 de prata e 1 de bronze, a primeira na prova de estrada C5 e a segunda no contrarrelógio C4 e C5. Também no halterofilismo, Evânio Rodrigues foi o primeiro brasileiro a conseguir uma medalha, ficando com a prata, na categoria até 88 Kg. Já no hipismo, o cavaleiro Sérgio Silva ficou com dois bronzes no adestramento, um no grau IA e outra no Estilo Livre grau IA. No vôlei sentado, pela primeira vez o Brasil conseguiu uma medalha nos jogos. A equipe feminina ficou com o bronze.

O legado

Talvez o principal legado dos jogos não tenha sido apenas o aprimoramento dos atletas brasileiros, mas sim a visão da própria sociedade em relação não só a eles, mas ao conjunto das pessoas com deficiência. "O verdadeiro legado que as Paralimpíadas vão deixar é uma mudança cultural no país. Os jogos têm que trazer uma mudança de atitude em relação à pessoa com deficiência. É preciso respeitar as diferenças e promover a igualdade para que possamos garantir a plena participação das pessoas com deficiência na sociedade", afirmou a secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Ministério da Justiça e Cidadania, Rosinha da Adefal.

Outro ponto positivo que se espera é que mais pessoas com deficiência saiam do sedentarismo e comecem a praticar esporte, como aconteceu na Grã-Bretanha, que reúne um conjunto de países (Escócia, Inglaterra, Irlanda do Norte e País de Gales) competindo sob a mesma bandeira. Menos de um ano após sediar os Jogos de Londres 2012, a nação teve um aumento de mais de 30 % no número de praticantes em algumas modalidades paralímpicas. Os britânicos, que já haviam conquistado um excelente resultado em casa, terminando em 3º com 120 medalhas (34 ouros, 43 pratas e 43 bronzes), nos Jogos Rio 2016 melhoraram o desempenho e ficaram em segundo, com 147 pódios (64 ouros, 39 pratas e 44 bronzes), perdendo só para a China que levou 239 no total (107 ouros, 81 partas e 51 bronzes). Ao final, o presidente do CPB considerou que os jogos superaram todos os problemas previamente anunciados e foi sucesso de público. “É uma tremenda prova do que esse país é capaz. Um problema ou outro sempre tem, em todas as edições. A gente conseguiu entregar grandes Jogos, que orgulharam o país e trouxeram para a América Latina a primeira edição. É uma nova fronteira. Dá orgulho de ser brasileiro nessa hora”, elogiou.

Andrew Parsons, que inclusive está cotado para ser o novo presidente do Comitê Internacional Paraolímpico, garante que o Brasil terá mais recursos durante o ciclo do Japão e aponta como diferencial o novo centro de treinamento inaugurado em São Paulo. Ele acredita também que a nova lei de loterias, a Agnelo Piva, que aumentou o percentual de recursos repassados ao comitê, trará um impacto grande. Segundo declarações à imprensa, ele calcula que os recursos ficarão por volta de R$ 170 ou R$ 180 milhões por ano, caso os contratos de patrocínio sejam renovados (o ciclo do Rio foi de cerca de R$ 100 milhões por ano).


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