segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

“Por que ela é branca?”, família sofre preconceito e mãe desabafa

As diferenças de características físicas entre os pais e uma das filhas faz com que eles precisem passar por situações constrangedoras no dia a dia. A cabeleireira Sammy Rebouças de Lima usou as redes sociais para expressar o que sente

Por Vanessa Lima

    Sammy, o marido e as filhas, Emily e Lauryn (Foto: Arquivo pessoal/ Danilo Pessoa)
    Sammy, o marido e as filhas, Emily e Lauryn (Foto: Arquivo pessoal/ Danilo Pessoa)

“Quando Emily nasceu, estávamos passeando na rua. Meu marido estava com ela no colo e um policial o abordou. Ele queria entender por que um negro estava andando com um bebê branco no colo. Perguntei o que estava acontecendo e disse que ele era meu marido e que aquela era nossa filha”. Situações como essa são comuns na vida da família da cabeleireira Sammy Rebouças de Lima, que mora em São Paulo com o marido, Robson, e com as filhas, Emily, 8 anos, e Lauryn, 2. Os questionamentos acontecem porque a menina mais velha é loira, tem cabelos lisos e olhos verdes, enquanto os pais e a caçula são negros. “Já passamos por cada uma, que daria um livro”, conta, em entrevista a CRESCER.

“O primeiro dia em que ele a busca na escola é bem difícil, pois as professoras não acreditam que é o pai dela. Sempre perguntam se é pai mesmo ou padrasto”, relata. Por conta de todas essas situações, Sammy resolveu desabafar pelo Facebook. “Estou entalada. Essa é a minha família. Andamos passando por situações muito chatas em relação à cor das nossas filhas”, escreveu. “Quando saímos na rua, as pessoas ficam olhando com cara de ponto de interrogação. Algumas se atrevem a perguntar ou algumas até mesmo confirmam que a mais velha não é filha dele. Aí vêm as velhas perguntas: ‘Nossa, por que ela é branca?’, ‘De onde saiu essa menina?’, ‘É filha dele mesmo?’, ‘O cabelo dela é bom, né?’”, contou.

“Estou de saco cheio de ter que ficar explicando a etnia da minha família, de onde vem o branco do nosso sangue”, desabafa Sammy, que é neta de um italiano loiro de olhos azuis. “A mãe do meu marido era branca e assim seguem as nossas raízes”, contou.

E como fica Emily nessa história?
“Ela sempre fala para mim que acha tudo isso muito chato e sem noção. Fica chateada, triste. Quando perguntam: ‘É seu pai?’, ela responde: ‘É, sim, por que? Algum problema?’”, conta a mãe. Sammy disse ainda que uma vez, durante uma aula sobre cultura africana na escola, Emily falou ao professor que o maior medo dela é de que o pai seja abordado na rua ou que sofra algo simplesmente por ser negro. “O professor chorou muito”, relata a mãe.

Para ajudar a menina a lidar melhor com as situações, os pais conversam bastante com ela, explicando as origens, a etnia. “Ela é bem resolvida, mas é criança e sei que sente por tudo isso. Ela já chegou a me falar que deveria ter nascido aquelas ‘negonas bem grandes’”, diz Sammy. Até quando?

Fonte: revistacrescer.globo.com

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