quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Transporte gratuito a pessoas com deficiência é suspenso em Ribeirão - Veja o vídeo.

Empresa alega falta de pagamento e Promotoria exige retomada do serviço.Prefeitura diz que fornecedores serão pagos segundo ordem cronológica.

Do G1 Ribeirão e Franca
  Eva Maria de Laia depende do transporte gratuito para levar o filho à Apae (Foto: Carlos Trinca/EPTV)
 Eva Maria de Laia depende do transporte gratuito para levar o filho à Apae (Foto: Carlos Trinca/EPTV)

O Ministério Público ingressou com uma ação na Justiça contra a Prefeitura de Ribeirão Preto (SP) exigindo o retorno imediato do transporte especial gratuito oferecido a pessoas com deficiência. O serviço foi suspenso há seis dias por falta de pagamento à terceirizada.

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Em nota, a empresa Sertran informou que também interromperá o transporte de pacientes em tratamento de hemodiálise a partir de quinta-feira (8). “A Prefeitura não apresentou nenhum cronograma de pagamento”, diz o comunicado.

Sem apresentar prazos, a administração municipal informou apenas que “trabalha para viabilizar todos os pagamentos aos fornecedores e que eles obedecem a ordem cronológica.”

O problema prejudica principalmente crianças atendidas pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). A dona de casa Eva Maria de Laia conta que todos os dias têm utilizado dois ônibus urbanos para levar o filho até a instituição.

“Nós estamos desesperados, é muito difícil. Vir de ônibus é muito difícil porque só tem uma vaga para cadeirante e se tiver um lá dentro, eles não pegam outro. Se tiver dois [cadeirantes] no ponto, eles só levam um”, explica.

Ainda segundo Eva, não há ponto de ônibus próximo à Apae, o que obriga as mães a levarem os filhos nas cadeiras de rodas especiais sob sol ou chuva. A dona de casa diz que não pode deixar de levar o garoto porque isso prejudicaria o tratamento.

“Em todo lugar que você vai tem imposto cobrando e a gente não tem direito a nada. Eles têm a coragem de dizer que é de graça. Não é de graça. É muito mais pago do que se tirasse dinheiro do nosso bolso. Estamos tendo nosso direito violado”, reclama.

A diretora da Apae, Elaine Cristina Zeoti Gomes, afirma que muitas crianças não têm comparecido aos atendimentos e às aulas porque as famílias não conseguem levá-las de transporte público, e também não têm condições de pagar por um serviço particular.

“Esses atendimentos para eles são muito importantes porque mantêm uma condição de vida melhor. Sem esses atendimentos, eles podem começar a ter prejuízos: dificuldade respiratória maior, dificuldade para deglutir. O prejuízo é da criança”, relata.

    Sem transporte gratuito, crianças estão deixando atendimentos na Apae (Foto: Carlos Trinca/EPTV)
   Sem transporte gratuito, crianças estão deixando atendimentos na Apae (Foto: Carlos Trinca/EPTV)

Autor da ação civil pública, o promotor Carlos Cézar Barbosa diz esperar que o caso seja apreciado pela Justiça antes da suspensão do serviços aos pacientes renais crônicos, que dependem do transporte para realizar as sessões de hemodiálise.

“Trata-se de um serviço essencial, que não pode ser interrompido. Nessa ação nós vamos responsabilizar a Prefeitura Municipal, a Transerp e a própria Sertran, que é a prestadora do serviço. É um serviço garantido por lei”, afirma.

   Eva reclama que ponto de ônibus fica longe da Apae em Ribeirão Preto (Foto: Carlos Trinca/EPTV)
  Eva reclama que ponto de ônibus fica longe da Apae em Ribeirão Preto (Foto: Carlos Trinca/EPTV)

Fonte: g1.globo.com

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