terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Jogadora surda é destaque na superliga de vôlei - Veja o vídeo.

Natália Martins foi eleita a melhor jogadora do Pan-americano.Ela ajudou a entender a importância do uso aparelho auditivo no esporte.

Resultado de imagem para Natália MartinsCentral do Praia Clube se destacou na última temporada da Superliga feminina (Foto: Divulgação/Praia Clube)

Uma das jogadoras que mais tem se destacado na Superliga de Vôlei entra em quadra em desvantagem, em relação às outras. Pelo menos aparentemente.

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Os sons de um jogo de vôlei. Para ela, não são tão importantes quanto um gesto, um toque, uma conversa bem pausada. A Natalia, jogadora titular do Osasco, perdeu 70% da audição quando tinha quatro anos de idade.
“Escuto mais som, tipo batida, bola quicando, a torcida. Sem o aparelho consigo ouvir, mas eu não consigo entender”, diz Natália Martins, central do Osasco.

Desde que a surdez foi identificada, passou a usar um aparelho auditivo, que permitiu que ela aprendesse a falar e a jogar vôlei.

Mas isso era insuficiente para virar uma jogadora profissional. E aí, a Natalia precisou estimular os outros sentidos.

“Se alguém fizer um sinal assim, eu já olho; ou se alguém me tocar sem querer eu acho que está me chamando”, diz Natália.

Uma ótima leitura labial, ela sempre está de olho na boca das pessoas.

“Às vezes, eu nem olho pra ela. Eu só falo: ‘chute baixinho pra mim’, ela lê e puxa a bola”, conta Dani Lins, levantadora do Osasco.

A Natalia está no vôlei profissional há 14 anos, mas só em 2016, pela primeira vez, teve uma experiência diferente: ela foi convocada para o Pan-Americano de surdos. Lá teve que jogar sem o aparelho e aí foi como se descobrisse um novo esporte.

“Jogar sem aparelho foi como ficar sem chão. Eu tô acostumada a ouvir e maioria delas, não. Cada vez que eu atacava a bola eu queria ouvir o barulho da bola e não sentia”, afirma Natália.

O Brasil ficou com a prata e a Natalia foi eleita a melhor jogadora do Pan-Americano.

Foi uma troca: ela topou participar de um campeonato com nível esportivo bem abaixo, e por outro lado, ajudou a comunidade de atletas surdos a entender a importância do uso aparelho auditivo no esporte.

“Eu falo: vocês precisam colocar o aparelho pra vocês verem como é bom ouvir. O barulho da bola, a torcida gritando…”, explica Natália.

Em Julho de 2017, na Turquia, será realizada a Olimpíada para surdos. Alguma dúvida de que a Natália quer estar lá?

“Quero! Enquanto eu puder estar junta com elas eu quero” diz Natália.

Fonte: g1.globo.com

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