sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Mãe abre mão de R$ 40 mil da operação do filho para salvar outra criança e recebe R$ 300 mil de doações

As duas crianças de Mogi das Cruzes, na Grande SP, nasceram com má-formação no intestino

Dinalva Fernandes, do R7

Foto: Reprodução/ Instagram


Com apenas quatro anos de idade, Francisco Marzola Benitez, o Chico, viveu quase metade de sua vida em hospitais. Morador de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, o menino sofre da síndrome do intestino curto após nascer com gastrosquise — má-formação que faz com a pessoa nasça com o intestino para fora do corpo e, no caso de Chico, apodrecesse. Hoje, o menino convive com apenas 50 cm de intestino delgado e não consegue se alimentar pela boca. A família dele lançou campanha para arrecadar R$ 400 mil para custear as despesas de uma cirurgia na Inglaterra para que ele se livre dessa condição. Há uma semana, Jéssica Marzola, de 25 anos, mãe do garotinho, doou R$ 40 mil, que era parte do valor arrecadado, para ajudar Isabela Ponte Ramos Diringer, de 12 anos, nascida com o mesmo problema do filho. Após o gesto de solidariedade, ela viu o saldo da conta disparar e está mais próxima de atingir o objetivo.

A dona de casa Jéssica Marzola lançou campanha para arrecadar R$ 400 mil para arcar com as despesas de uma cirurgia chamada Lilt (Alongamento Intestinal Longitudinal), realizada no Royal Manchester Children’s Hospital, em Manchester, na Inglaterra, para o filho de quatro anos, que nasceu com gastrosquise. Jéssica conta ter descoberto a má-formação nos primeiros meses de gravidez, durante exame de ultrassom. Na época, o médico explicou que bastava colocar o intestino para dentro e o menino receberia alta em poucos dias. Mas a situação de Chico se complicou porque, assim que ele nasceu, perceberam que boa parte do órgão estava necrosada e precisava ser retirada imediatamente.

Eles tiraram o intestino necrosado e ele ficou com a síndrome do intestino curto. Mais tarde, ele fez mais duas cirurgias aqui no Brasil para alongar o órgão. Na última vez, ele ficou com aproximadamente 50 cm.

A desvantagem da cirurgia de alongamento feita no Brasil é o fato de não ser definitiva.

Quase metade da vida de Chico aconteceu dentro de hospitais. Segundo Jéssica, a primeira vez que ele recebeu alta foi após completar um ano de idade. Depois dos dois anos, o menino passava três, quatro meses no hospital, e o restante do ano em casa. Somente há pouco tempo ele começou a comer comida pela boca.

Como ele ficou muito tempo no hospital sem comer, ele adquiriu aversão à comida. Ele foi liberado para experimentar os alimentos, mas não consegue porque tem muita náusea e não sente prazer em comer. Ele só coloca na boca pizza e biscoito de polvilho.

De acordo com Jéssica, atualmente a alimentação de Chico é feita por dois meios: gastrostomia, que é uma espécie de buraco feito no estômago para a introdução de alimentos, e o cateter. A gastrostomia serve para que ele receba alimentação através de um aparelho, que fica “pingando” alimento no aparelho digestivo do menino. Desta forma, o intestino não para de funcionar. Já pelo cateter, ele recebe vitaminas e sais minerais essenciais para a nossa sobrevivência, mas que o intestino dele não absorve.

Apesar das dificuldades, Chico tenta levar a vida de forma mais normal possível, afirma Jéssica. Ele frequenta a escola durante 3 horas desde abril de 2016, o que o ajudou em seu desenvolvimento.

O médico liberou para poder ir para a escola no horário em que está livre. Como ele ficou muito tempo no hospital e não tinha contato com outras crianças, ele evoluiu bastante. Ele já era faladeiro e ficou mais ainda.

Segundo a dona de casa, por ter ficado muito tempo no hospital, Chico tem dificuldade com atividades que exigem coordenação motora, como pegar no lápis, correr e subir escadas.

Ele é super inteligente. Já é alfabetizado e sabe inglês, mas só começou a falar aos três anos e tem o tamanho de uma criança de dois anos.

Jéssica e o marido, o cabeleireiro Bruno Benitez Ferreira, de 30 anos, têm mais dois filhos: Antonio, de um ano e seis meses, e Helena, de seis meses. Além do convênio médico, eles gastam em média R$ 1 mil por mês com despesas extras, como consultas e exames que o convênio não cobre.

A única alternativa para curar o menino seria a cirurgia feita na Inglaterra, explica Jéssica. A jovem tomou conhecimento do procedimento por meio de outros pais de crianças com o mesmo problema, como Glaucia Diringer. As duas mulheres moram na mesma cidade e se conheceram por causa dos filhos. O total para arcar com todas as despesas dessa cirurgia, internação e hospedagem chegam a quase R$ 500 mil.

Eu fiquei sabendo de outros pais que foram para lá e as cirurgias deram certo. Como não temos esse dinheiro, a nossa família vendeu alguns imóveis e arrecadamos R$ 100 mil, por isso precisamos de mais R$ 400 mil. Espero conseguir o restante do dinheiro com a campanha.

Há cerca de 20 dias, Jéssica iniciou a campanha VaiChico através do site, com doações e venda de objetos. Na sexta-feira (6), ela já estava com R$ 97 mil, mas abriu mão de parte do valor para ajudar Glaucia, mãe de Isabela. Com a ajuda, Glaucia conseguiu o valor que faltava para pagar a cirurgia da filha. De acordo com Jéssica, com a divulgação do caso, a campanha dela ganhou força.

Após doar o dinheiro para ela, a gente ficou com R$ 57 mil. Depois, a campanha deu um salto. Hoje, já chegamos a R$ 307 mil.

Chico terá 93% de viver uma vida normal após a cirurgia, mas a recuperação completa deve demorar anos, informou Jéssica.

A cirurgia não é milagre. Ele vai continuar com risco de pegar infecção e ter parada cardíaca, como já aconteceu. Essa é a nossa maior preocupação. Em média, os pacientes demoram de dois a três anos para ficarem livres do medicamento e viverem normalmente. Existe 93% de chance de isso acontecer com o Chico.

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