domingo, 15 de janeiro de 2017

Universidades aumentam investimentos em acessibilidade para alunos com necessidades especiais

Ramon de Angeli

Sala de entrada da Universidade Estácio de Sá
Sala de entrada da Universidade Estácio de Sá Foto: Divulgação

Pensar arquitetura e urbanismo sem levar em conta o conceito de acessibilidade não faz mais parte da concepção dos projetos atuais. Ainda, remodelar construções antigas e realizar adaptações não deve ser visto como gasto extra e sim como implementações necessárias para o bem-estar e inclusão de pessoas com necessidades especiais, além de ser bom para os negócios, já que abarca e permite o acesso de uma maior parcela da população.

Algumas instituições de ensino também estão se adequando para proporcionar ao aluno uma experiência rica e completa dentro das salas de aula. É o caso da Unigranrio, que desde sua fundação promove o atendimento individualizado aos estudantes com necessidades educacionais especiais, através do Núcleo de Práticas Inclusivas (NuPI), englobando, a proteção dos direitos da pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

                         Tecnologia: sistema para facilitar o acesso de alunos com necessidades especiais da Unigranrio
Tecnologia: sistema para facilitar o acesso de alunos com necessidades especiais da Unigranrio Foto: Divulgação

Para Haydea Maria Santanna Reis, Coordenadora do curso Pedagogia e Especialista em Educação Inclusiva da Unigranrio, diz que integrar alunos com e sem de algum tipo de deficiência é de extrema importância.

Nos atendimentos de acessibilidade são planejadas as diferentes formas de garantir a autonomia do aluno através das adaptações didáticas. Sempre procuramos desenvolver o empoderamento desse aluno com o uso das tecnologias assistivas. Nos preocupamos com o profissional que estamos formando dando-lhe oportunidades para desenvolver suas habilidades com as ferramentas de tecnologias assistivas.

Atualmente, estudam na instituição deficientes físicos, visuais, auditivos e com paralisia cerebral, e para os alunos com deficiência auditiva, um intérprete de LIBRAS é designado para a tradução simultânea das aulas e demais atividades acadêmicas.

                             Tecnologia ajudando alunos com deficiência visual na Unigranrio
                      Tecnologia ajudando alunos com deficiência visual na Unigranrio Foto: Divulgação

Antes de entrar para a UFRJ, onde Isabelle Maia afirma ser um campus pouco acessível para suas dificuldades, a aluna - que possui deficiência auditiva - já havia se formado em Administração pela Unigranrio, onde relata ter tido uma ótima experiência com esse tipo de questão.

A Unigranrio me ofereceu um intérprete para me acompanhar nas aulas e isso me ajudou bastante. Tive todo apoio que precisei e até o meu juramento, quando me formei, foi em libras, junto com uma colega, que fez em português.

Na instituição, professores e funcionários participam de um programa de capacitação para educação inclusiva constando, especialmente, da oferta de informações sobre as características essenciais necessárias ao aprendizado de pessoas com deficiência. No Núcleo de Práticas Inclusivas acontecem encontros semanais com pesquisadores, auxiliares de pesquisas, professores e alunos, onde dialogam sobre conteúdos acadêmicos a serem trabalhados e adaptados, via utilização de equipamentos e recursos próprios de tecnologias, para que as pessoas com deficiência visual se apropriem de ferramentas facilitadoras para o aprendizado.

Para alunos com deficiência visual, a Biblioteca da Universidade encontra-se equipada com Laboratório de Didática Inclusiva, e em ambientes de convivência, elevadores e rampas com corrimãos para facilitar a circulação de cadeirantes, portas e banheiros adaptados com espaço suficiente para permitir o acesso e circulação de cadeira de rodas, além de barras de apoio nas paredes dos banheiros.

                          Sistema de leitura em braile da Unigranrio
                         Sistema de leitura em braile da Unigranrio Foto: Divulgação

Quem também preza por um melhor acesso aos portadores de necessidades especiais a Universidade Estácio de Sá, que vem desenvolvendo ao longo dos anos, uma série de ações para promover o acesso de pessoas com restrições de mobilidade ou aprendizado em suas instalações.

De acordo com Alberto Marques, Diretor de Infraestrutura do Grupo Estácio, foi criado um Comitê de Acessibilidade e um plano diretor pensando sempre em discutir e fomentar novas ideias para os colaboradores e alunos. Segundo ele, os principais pilares estão pautados em questões de infraestrutura das instalações.

Um outro pilar importante é a Comunicação e Integração, para que todas unidades tenham sinalização visual tátil e podotátil. Os professores e colaboradores são treinados e capacitados para abordagem apropriada aos alunos com necessidades especiais. E também existe um pilar dedicado à Tecnologia, com desenvolvimento e adequações de sistemas para facilitar o acesso e inclusão ao aprendizado.

                          Mapa acessível da Universidade Estácio de Sá
                         Mapa acessível da Universidade Estácio de Sá Foto: Diculgação

Para Alberto, instalar equipamentos de última geração são de grande ajuda para os alunos e faz toda diferença no aprendizado.

Utilizamos softwares de integração para conhecimento DOXVOX e NVDA; Equipamentos adaptados para deficiências motoras como mouse, teclado em braile, impressora em braile, scanner leitor com voz. Os elevadores estão sendo equipados com comunicador sonoro de posição, além dos equipamentos eletromecânicos de deslocamento e acesso (carro escalador, grua de transferência etc).

Uma das alternativas para diferenciar o ensino da Universidade é o uso de um assistente virtual animado para a plataforma de ensino a distância, e além dos tradutores, é possível cursar a disciplina de libras, presente na grade curricular dos cursos de diversas áreas.

Existem algumas instituições de ensino preocupadas em buscar adequações, mas ainda há uma parcela com dificuldades no acolhimento do portador de necessidades especiais. Além das barreiras físicas/arquitetônicas, é necessária uma mudança de cultura dentro das instituições. Os edifícios antigos nem sempre facilitam o acesso dos portadores de mobilidade reduzida, e os profissionais que se deparam com esses novos alunos não se sentem seguros e preparados para a nova realidade.

Nenhum comentário: