sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Vírus que ataca recém-nascidos e tem sintomas parecidos com os da gripe pode ser fatal para crianças

Fique atento aos sintomas de doença que tem graves riscos em prematuros recém-nascidos

Do R7* - *Colaborou: Juliana Cunha, do R7.


Bebês recém-nascidos e prematuros são comumente infectados Reprodução/Thinkstock

Quando um bebê apresenta coriza, espirros e congestão nasal, os pais logo imaginam que se trata de um resfriado ou gripe. Porém, fique atento, porque pode ser um caso de VSR (vírus sincicial respiratório), que acomete muitos recém-nascidos prematuros e é bem comum nessa época do ano. Se a criança não receber o devido tratamento, as consequências podem ser graves, conforme explica o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações).

Nos bebês, os sintomas incluem bronquiolite [uma infecção comum crianças que gera acúmulo de líquidos nos pulmões], falta de ar e pneumonia. Se o quadro não receber os cuidados necessários, a criança pode desenvolver um chiado no peito e até asma no futuro.

Os adultos que pegam VSR apresentam um quadro semelhante a de um resfriado. Porém, nos bebês é mais grave, já que os pulmões dos pequenos ainda não se desenvolveram completamente, o que aumenta as chances de doenças respiratórias.

Segundo Kfouri, a qualquer sinal da doença, é importante levar o bebê ao médico para que a doença não se desenvolva e seja tratada de forma adequada.


Durante a vida, a pessoa pode entrar em contato com o VSR diversas vezes. O infectologista explica que de 90 a 100% das crianças serão infectadas com ele em algum momento até os dois anos de idade. Ainda de acordo com Kfouri, não necessariamente os pacientes terão os sintomas mas esse agente se mantém na superfície do organismo, o que causa várias reinfecções durante a vida. A cada contato, os sintomas se tornam menos perigosos.

VSR causa 40% das internações

O VSR é a causa de 40% dos casos de hospitalização de crianças de até dois anos por problemas respiratórios. É o que mostrou o estudo Previne (Prevalência, Fatores de Risco, Índices de Codetecção e Sazonalidade de Vírus Respiratórios em Crianças com Infecções no Trato Respiratório Inferior no NE do Brasil), que avaliou um total de 507 crianças entre abril de 2012 e março de 2013 para medir e comparar a prevalência do VSR e outros sete vírus que acometem o sistema respiratório de bebês de zero a 24 meses em internação.

Segundo o coordenador do estudo, Ricardo Gurgel, professor do programa de pós-graduação em Ciências da Saúde da UFS (Universidade Federal de Sergipe), a média de prevalência do VSR entre as viroses respiratórias estudadas foi de 40,2%, mais do que o dobro do segundo vírus mais frequente, rinovírus, que é um dos principais causadores de resfriados comuns.

O estudo corrobora o que temos visto na prática: a alta incidência de VSR também no Nordeste, com início em fevereiro. Seus resultados podem contribuir para adoção de medidas preventivas mais eficazes, isto é, antes do pico de circulação do vírus.

No Nordeste brasileiro, a estação de circulação do vírus coincide com a estação das chuvas e tem seu pico nos meses de fevereiro, março e junho. Já no Sudeste, a infecção ocorre com mais força entre maio e julho. No Norte, a contaminação é mais homogênea.

A temporada desse vírus precede a do influenza, causador da gripe comum. Por mais que não haja diferenciação dos vírus na rotina clínica, é a sazonalidade que dá a dica ao médico de maior probabilidade do tipo viral de cada caso, facilitando a escolha do medicamento mais adequado.

Prevenção

Hoje em dia, não há vacina para o VSR. Porém, há um imunizante que pode ser aplicado na criança para proteger contra o vírus. O paciente recebe anticorpos geneticamente modificados que são adaptados ao organismo humano. Esses anticorpos, quando incorporados pela pessoa, impedem que o vírus entre no sistema respiratório. Porém, ele fica no organismo apenas durante um período, perdendo sua validade após alguns meses. Três grupos podem usar esse método: os recém-nascidos de até um ano; prematuros de até 29 semanas; os recém-nascidos de até seis meses prematuros de 29 a 31 semanas e os portadores de doença pulmonar ou cardíaca de até dois anos de idade.

A imunização está nas redes pública e privada e deve ser realizada de acordo com a orientação médica. Não oferece riscos para a saúde dos bebês e não interfere nas demais vacinas. Esse procedimento deve acontecer em até cinco doses, uma por mês. A aplicação, de acordo com o Ministério da Saúde, prioriza recém-nascidos de até um ano prematuros de até 29 semanas e portadores de doença pulmonar ou cardíaca de até dois anos.

Dicas simples aplicadas dentro de casa também ajudam na prevenção da doença. Adultos resfriados, por exemplo, devem ter muito cuidado ao se aproximar de bebês. Kfouri chama a atenção para grupos que se expõe a ambientes inseguros.

Há grupos de risco em termos de exposição, como bebês que moram em domicílios populosos, que têm irmãos em idade escolar, que frequentam creches e são tabagistas passivos. O cuidado com esse grupo deve ser ainda maior, mas há dicas gerais: deve-se evitar locais com aglomerações e, principalmente, lavar bem as mãos e tomar cuidado ao manusear objetos.

Além disso, o vírus também pode ser transmitido por vias respiratórias. Ao tossir e espirrar, cubra a boca e use lenços para evitar a transmissão.

Os prematuros (que ainda não desenvolveram seu sistema imunológico) e bebês com doenças pulmonares crônicas, cardiopatia congênita e imunopatia são os mais suscetíveis à doença. Por causa disso, o médico diz que o aleitamento materno é fundamental.

A amamentação é primordial para o fortalecimento do sistema imunológico dos recém-nascidos.


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