domingo, 12 de fevereiro de 2017

Inclusão leva à Universidade. E além.

Por Patricia Almeida

                            Jessica Figueiredo, graduada na faculdade de Fotografia em 2013 em Brasília.
                 Jessica Figueiredo, graduada na faculdade de Fotografia em 2013 em Brasília.

A cada novo vestibular vem aumentando o número de jovens com síndrome de Down que entram no ensino superior, o que muitos imaginavam impossível há poucos anos. No Brasil, tenho notícia de 30 (lista abaixo).

Débora Seabra, do Rio Grande do Norte, foi a pioneira. Em 2004 tornou-se a primeira professora habilitada a dar aulas na América do Sul. Ana Carolina Fruit, de Joinville, se formou em Pedagogia e também fez especialização. Outra que quis trabalhar com educação foi Erica Nublat, de Brasília.

Alguns rapazes preferiram Educação Física, como João Vitor Silverio de Curitiba, Humberto Suassuna de Recife e Bruno Knigel, de São Paulo. Outros escolheram artes, moda, história, geografia, turismo, gastronomia… Jessica Figueiredo, de Brasília, passou para três vestibulares esse ano! Escolheu o curso de fotografia.

Mais do que um rito de passagem, o sucesso acadêmico destes jovens, ao mesmo tempo que traz uma onda de otimismo e euforia para familiares e professores – e os próprios alunos com síndrome de Down – reforça duas certezas que nós mães e pais desses alunos temos: nada é impossível e o único caminho que levará nossos filhos a atingirem toda a sua potencialidade é a inclusão.

Todos esses jovens citados acima frequentaram escolas comuns. Tinham em seus companheiros estímulo para se esforçarem, como conta a mãe de Jessica, Ana Claudia Figueiredo: “Acho que por ela ter estudado em um regime de ensino regular, sempre conviveu com esse ambiente já no colégio. Por isso se interessou muito em prestar vestibular”.

Que motivação teriam se estivessem em escolas especiais, onde as expectativas são muito menos ambiciosas?

Não quero dizer com isso que todos os jovens com síndrome de Down devam ter como objetivo de vida chegar à universidade, nem que os que passaram por essa elapa sejam melhores do que os que não tentaram ou tentaram e não conseguiram. Afinal, quantos jovens brasileiros sem deficiência não passam no vestibular por falta de oportunidade interesse ou qualquer outro motivo, e nem por isso são piores ou melhores do que outros jovens?

Mas com a oportunidade de estudar, o indivídou vai descobrindo o mundo, conhecendo novas pessoas, encontrando seus talentos, desenvolvendo todo o seu potencial para direcioná-lo para um trabalho que o complete e satisfaça, alcançando assim uma vida produtiva e feliz.

A mensagem que quero deixar é que SIM, vale a pena investir na educação regular de alunos com síndrome de Down. Há desafios, mas comprovamos dia após dia que, com vontade e bons professores, os obstáculos vão caindo um a um. Nossos filhos têm o mesmo direito que qualquer estudante a receber uma educação de qualidade na escola regular mais próxima às suas casas. A nós pais, cabe garantir que esse direito seja exercido, com o apoio do Ministério Público, se for necessário.

O caminho nem sempre é fácil, mas, como nossos filhos, precisamos ser perseverantes e confiar em nossas convicções.

Abaixo, alguns dos jovens com síndrome de Down que entraram, estão cursando ou terminaram o nível superior. Caso conheça outros, por favor, nos informe: inclusive@inclusive.org.br

1 – Debora Seabra – Curso Normal – Natal, RN

2 – Humberto Suassuna – Educação Física – Recife, PE

3 – Joao Vitor Silverio – Educação Fisica – Curitiba, PR

4 – Erica Nublat – Pedagogia – Brasília, DF

5 – Ana Carolina Fruit – Pedagogia, com pós – Joinville. SC

6 – Henrique Bezerra – Historia – Maceió, AL

7 – Florença Sanfelice – Artes cênicas – Porto Alegre, RS

8 – Samuel Sestaro – Moda – Santos, SP

9 – Priscila Silveira – Gastronomia – Santos, SP

10 – Kalil Tavares – Geografia – Goiânia, GO (federal)

11 – Jessica Figueiredo – Fotografia e Moda – Brasília, DF

12 – Marina Marandini – Artes – Rio Grande, RS (federal)

13 – Bruno Knigel – Educação Física – São Paulo, SP

14 – Amanda Ferreira – Pedagogia – Recife, PE

15 – Amanda Amaral – Biologia – Vitória da Conquista, BA

16 – Bruno Ribeiro – Turismo – Recife, PE

17 – Gabriel Nogueira – Teatro – Pelotas, RS (federal)

18 – Henrique Cavalcante – História – Marechal Deodoro, AL

19 – Robson Deola – Tecnólogo em Gestão Pública – Irani, SC

20 – Andrielli Machado – Educação Física – Lajeado, RS

21 – Aline Hélio Figueiredo Terrinha – Direito – Belo Horizonte, MG

22 – Susana Roseli Bernardi – Moda, São Paulo, SP

23 – Benjamim Saidon – Gastronomia, São Paulo, SP

24 – Laura Reis – Gastronomia, São Paulo – SP

25 – Kiko Buzar- Turismo, São Luis – MA

26 – Pedro Carrera – Gastronomia, São Paulo – SP

27 – Genilson Protasio Filho – Técnico em Informática – São Luis – MA

28 – Tatiane Rotelli – Gastronomia – Santo Antônio do Pinhal – SP

29 – Bianca Dias Tagliacozzo – Educação Física – Indaiatuba – SP

30 – Rafaela Faelli – Estética e Cosmética – Campinas – SP

31 – Talita Alves Bezerra – Educação Física – Patos – PB

32 – Fernanda Schaeker Machado – Design – Porto Alegre – RS

33 – Raysa Braga – Educação Física – Rio Branco – AC (federal)

34 – Marina Gutierrez Nunes Viana – FACI – Belém – PA

35 – Ana Rita Fernandes Correa Silva – Sistemas de Informação – Belém – PA

36 – Amanda Falcão – Biologia – Castanhal – PA

37 – Flávia Bandeira – Pedagogia – Maceió – AL

38 – Felipe Martins – Gastronomia – Maceió – AL

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