quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Menino com Síndrome de Down é impedido de fazer teste de natação no Ibirapuera

Avaliador do Conjunto Desportivo Constâncio Vaz Guimarães teria dito à mãe que 'não dá para dar atenção' a menino de 9 anos. Secretaria de Esportes pede desculpas pelo ocorrido.

Por Fernanda Cesaroni, G1 São Paulo

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A pisicóloga Elaine Hojaij levou o filho Gabriel, de 9 anos, para concorrer a uma vaga do curso gratuito de natação do Conjunto Desportivo Constâncio Vaz Guimarães, no Ibirapuera, na última quinta-feira (9), e afirma que foi surpreendida com a reação do avaliador. Segundo ela, o filho foi recusado no teste antes mesmo de entrar na piscina. A Secretaria de Esportes do Estado apura o caso e pede desculpas pelo ocorrido.

A mãe conta que ouviu do avaliador: "Olha, não é por nada, não. Acho que não vai dar certo com ele aqui. Ano passado, teve uma aluna e não deu certo. A mãe veio depois conversar com a gente. São muitas crianças aqui, não dá pra dar atenção. O melhor é encontrar um lugar que a senhora possa entrar junto com ele na piscina" .

O Conjunto Desportivo Constâncio Vaz Guimarães é ligado ao Governo do Estado e oferece cursos gratuitos à comunidade. O próprio site do Conjunto informa que tem seis piscinas para realização de grandes competições, além de quatro pequenas para aprendizado, aulas de hidroginástica e natação para pessoas com deficiência.

Decepcionada com a recusa, Elaine postou um desabafo no Facebook no fim de semana: "Na hora eu desfaleci, fiquei sem reação e com medo de meu filho perceber a situação. Não argumentei, talvez por conta disto.(...) Se um serviço público de esportes é para todos, também tem que ser para quem tem Síndrome de Down. Se os locais não têm estrutura e recursos humanos, que se capacitem" .

Ela conta que incentivou o menino a entrar na piscina mesmo assim, pra que ele não percebesse o constrangimento. Gabriel foi auxiliado por um salva-vidas que estava lá. Ficou um pouquinho e saiu.

Segundo Elaine, o filho fazia natação há três anos em uma escola particular. Mas, como deixou o período integral - que incluía atividade esportiva - e mora perto do Ibirapuera, foi tentar uma vaga no Conjunto Desportivo.

Primeiro, ela conta que já havia achado o tratamento dos avaliadores frio com as candidatas que estavam na fila antes do Gabriel. Mas quando ouviu essa recusa em relação ao filho antes mesmo de qualquer teste, ficou decepcionada. Além da reclamação com o tratamento, disse que a condição de higiene nos banheiros é crítica.

Elaine reclama que não é de hoje que encara o preconceito. Ela acha que falta estrutura e preparo às instituições. " Eu acho que a ideia é que todo mundo possa participar de tudo na sociedade. Todo mundo é cidadão, a sociedade é pra todos. Os que têm menos capacidade também fazem parte e merecem respeito e investimento. Vejo todo o esforço do meu filho em superar dificuldades que ele sabe que tem. A palavra inclusão nem deveria existir. Todo mundo faz parte. Não tem o não fazer parte" , conclui a mãe.

Em nota, a Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude do Estado de São Paulo (SELJ) "lamenta e pede desculpas pelos fatos relatados na reportagem do G1 no Complexo Desportivo Constâncio Vaz Guimarães". "O profissional responsável pelo atendimento já foi identificado e os acontecimentos no dia citado estão sendo apurados internamente para que as devidas providências sejam tomadas com o rigor inerente ao caso. A SELJ prima pela inclusão social por meio do esporte e rechaça qualquer comportamento discriminatório por parte de seus colaboradores", diz a nota.

Fonte: g1.globo.com

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