domingo, 26 de fevereiro de 2017

O coração sente: deficiente visual, Rafael vota em Paquetá para o Puskás - Veja os vídeos

Em ação denominada "Paixão Cega", Fla e agência NBS levam rubro-negros com acompanhantes ao Raulino de Oliveira para acompanhar triunfo sobre o Madureira.

Por Diego Moraes e Fred Gomes Rio de Janeiro

Paixão Cega - Rafael Eleutério e Luciana Lasmar acompanham o jogo do Flamengo (Foto: Fred Gomes)
Rafael sorriu demais durante a partida (Foto: Fred Gomes)

"O que os olhos não veem, o coração não sente". O famoso jargão não entra em campo quando o amor entre rubro-negros e o Flamengo é o tema. Neste domingo, os corações de Rafael Eleutério, de 36 anos, e outros deficientes visuais, desde os mais pequeninos, sentiram intensamente a goleada por 4 a 0 sobre o Madureira.

Rafael, aliás, envolveu-se tanto que fez um pleito a respeito do gol de Paquetá.

O Flamengo e a agência de publicidade NBS levaram ao Raulino de Oliveira neste domingo o Paixão Cega, campanha em que o clube ofereceu a deficientes visuais e voluntários que não se conheciam um cadastramento para que acompanhassem os jogos do Flamengo juntos.

Além de buscar acompanhantes para os adultos, o Rubro-Negro ainda convidou crianças para o duelo com o Tricolor Suburbano.

Paixão Cega Flamengo crianças (Foto: Editoria de Arte)
Na foto da esquerda, Arthur está com a mãe. Na superior à direita, Thaís Vitória e Lucas sentam ao lado de Leandro, pai do menino. Na inferior, Adryan Phelipe e Nicolas estão ao lado de Raquel, mãe do último (Foto: Editoria de Arte)

Antes de a bola rolar, os pequenos Nicolas (6 anos), Thaís Vitória (9), Lucas (10), Arthur (10) e Adryan Phelipe (16) aguardavam ansiosos pelo encontro com os ídolos. Lucas estava tão emocionado (como o próprio descreveu em vídeo abaixo) que acabou não conseguindo entrar, mas ficou no banco com o goleiro Thiago, o meia Lucas Paquetá e o atacante Felipe Vizeu, que o convidou para sentar lá com eles.

Diego e Guerrero eram os preferidos da turminha, que estava muito animada.

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Rafael elogia ação "fantástica" e destaca que não podem ser independentes

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O rubro-negro Rafael Eleutério Ferreira, de 36 anos, emocionou a muitos que estavam ao seu lado. Com um celular à mão esquerda como um autêntico radinho de pilha, sorria a cada reação positiva da torcida antes de a bola rolar. No gol de Diego - o primeiro do jogo, no fim da entrevista com ele), uma explosão de alegria contagiante.

A ação, segundo Rafael, facilita a ida aos estádios para deficientes, já que muitos às vezes não tinham acompanhantes para determinados jogos.

É fantástico. Eu acho essa campanha do Flamengo muito bacana para a gente poder mostrar a necessidade da acompanhante. A gente tenta ter o máximo de independência, mas têm situações que realmente não tem como. No meu caso, que não tenho visão alguma, vir ao estádio sozinho realmente é muito difícil. Infelizmente a maioria dos deficientes não vêm por falta de companhia. Viver essa emoção é muito bom, com certeza.

Rafael exibe todo o prazer sentido no gol de Guerrero (Foto: Fred Gomes)
Rafael exibe todo o prazer sentido no gol de Guerrero (Foto: Fred Gomes)

Luciana Lasmar, selecionada para acompanhar Rafael no site do Paixão Cega, revelou-se arrepiada com o que vivera e decretou o nascimento instantâneo da amizade entre os dois.

É um prazer estar aqui. E, como flamenguista, trazer uma pessoa que ama o Flamengo da mesma forma que eu amo, é muito especial. Estou aqui narrando, falando o que está acontecendo no jogo. Fazer o percurso com ele é especial, é um prazer acompanhá-lo - disse.

Encontro com o ídolo e indicação de Paquetá ao Prêmio Puskás

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No vídeo acima, Rafael revela que apostara num 3 a 0, com gol de Everton, jogador que mais admira dentro do elenco rubro-negro. Perdeu a aposta, mas não perdeu o bom humor. "Votou" em Lucas Paquetá, autor do quarto gol, como candidatíssimo ao Prêmio Puskás - troféu que a Fifa entrega ao autor do gol mais bonito do ano em eleição feita pela internet (veja abaixo).

Foi melhor do que eu imaginava, podia ser cinco ou seis. Tivemos o golaço do Lucas Paquetá, quem sabe não vai o Prêmio Puskás para ele (risos)? Deu para ouvir aqui e também com a descrição da Luciana. Pegamos a descrição de cada um, aí conseguimos desenhar o lance.

E ainda ganhou o dia ao abraçar Everton, em encontro promovido pelo repórter Diego Moraes, da TV Globo, após a partida.

Everton cumprimenta Rafael após o jogo do Flamengo (Foto: Diego Moraes/Rede Globo)
Everton cumprimenta Rafael após o jogo do Flamengo (Foto: Diego Moraes/Rede Globo)

Não apenas o Flamengo enxergou a possibilidade de olhar para torcedores que têm menos oportunidades de acompanhar o time de perto. Não só Rafael e os pequenos sentiram o gosto da vitória. O triunfo foi geral, dos que participaram diretamente, dos acompanhantes e de quem apenas parou para vê-los torcer. O pioneirismo rubro-negro provavelmente estimulará ações semelhantes, pois já há o interesse de se levar o Paixão Cega para outras cidades e outras camisas. Goleada no campo e de sorrisos na arquibancada.

Presidente se emociona com campanha

Eduardo Bandeira de Mello vibrou com o resultado da ação promovida no Raulino de Oliveira e valorizou a espirituosidade de Rafael, que pediu o Puskás para Paquetá.

Muito emocionante a gente saber que têm torcedores do Flamengo que não enxergam, mas ainda assim se emocionam e torcem como nós. Só o Flamengo para nos proporcionar uma alegria dessa. Você vê que, apesar do infortúnio, o rapaz tem senso de humor. Realmente o gol do Paquetá foi tão bonito que mesmo quem não enxerga conseguiu captar a energia e a beleza do gol do rapaz - disse Bandeira.

Paixão Cega Flamengo adultos (Foto: Editoria de Arte)
Rafael acima, Diogo ao lado direito, Cristiane à esquerda inferior, e Rodrigo e Maicon na última foto (Foto: Editoria de Arte)

Fonte: globoesporte.globo.com

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