segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Sem professor para alunos especiais, mães assumem função na sala de aula - Veja o vídeo.

Elas dizem que precisam deixar trabalho para acompanhar filhos na escola.Prefeitura de Ribeirão diz que já autorizou atribuição de 161 profissionais.

Do G1 Ribeirão e Franca

A advogada Elisabeth Rosseti da Silva ao lado do filho Thomas, em Ribeirão Preto (Foto: Ronaldo Gomes/EPTV)
A advogada Elisabeth Rosseti da Silva ao lado do filho Thomas, em Ribeirão Preto (Foto: Ronaldo Gomes/EPTV)

Sem professores auxiliares, mães de alunos com deficiência física e cognitiva dizem que estão assumindo a função nas salas de aula da rede municipal de ensino em Ribeirão Preto (SP). Elas afirmam que o ano letivo começou sem que a Prefeitura contratasse os profissionais, e como os filhos dependem do apoio, elas têm passado os dias dentro das classes.

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Em nota, a Secretaria Municipal de Educação informou que já autorizou a atribuição de 161 professores de apoio para atuar nas escolas do município em atendimento a alunos sem autonomia. A situação deve ser regularizada nos próximos dias.

De casa até a sala de aula

A advogada Elisabeth Rosseth da Silva é mãe do estudante Thomas Rosseti da Silva, de 10 anos. O menino nasceu com paralisia cerebral e não consegue movimentar parte do corpo. Ao iniciar o 5º ano do Ensino Fundamental na Escola Dom Luiz do Amaral Mousinho, Thomas tem contado com a ajuda de Elisabeth do caminho para chegar à sala de aula até a execução das tarefas na classe, porque não há professor auxiliar.

“Meu filho tem que ser acompanhado até a sala, porque ele não consegue levar a cadeira de rodas. Ele precisa ir ao banheiro, tomar o lanche e não tem quem faça isso. Eu não posso nem ir trabalhar. Tenho que ficar aqui com a criança por que a prefeitura não consegue disponibilizar os professores de apoio para cuidar dele no período de aula. No ano passado teve. A escola deveria ter e não tem”, afirma a advogada.

Para Thomas, que fica ansioso para frequentar as aulas, a situação é constrangedora. “Eu me sinto envergonhado, acho um absurdo porque a minha mãe fica aqui comigo e eu passo vergonha na frente dos meus amigos”, reclama o estudante.

Thomas Rosseti da Silva, de 11 anos, tem paralisia cerebral e precisa de ajuda da família para se locomover (Foto: Ronaldo Gomes/EPTB)
Thomas Rosseti da Silva, de 11 anos, tem paralisia cerebral e precisa de ajuda da família para se locomover (Foto: Ronaldo Gomes/EPTV)

O problema é compartilhado por Ângela Carine Pacheco, mãe de Kauana, de 11 anos. A criança tem deficiência física e atraso intelectual, o que torna o trabalho do professor auxiliar essencial.

A falta do profissional para acompanhá-la nas lições e para ajudá-la a subir e a descer as escadas do prédio fez com que Ângela também passasse a assumir a função de monitora. “Não tem como dar rendimento na aula com uma criança especial para cuidar. A Kauana não consegue aprender e os alunos também não têm a atenção devida. A inclusão é para todos. Se ela tem esse direito, eu acho que ela tem que assistir a aula toda e ficar com a professora de apoio”, diz Ângela.

Solução

As mães afirmam que têm cobrado uma solução da Secretaria Municipal de Educação, mas dizem ter recebido respostas vagas sobre a situação. “Eu já falei na secretaria, com a diretora da escola, e não conseguem encontrar pessoa para resolver esse assunto”, reclama Elisabeth.

Procurada, a Prefeitura informou que 161 professores de apoio passarão a atuar nos próximos dias nas escolas municipais. No caso da escola Dom Luiz do Amaral Mousinho, onde estudam Thomas e Kauana, quatro profissionais acompanharão os estudantes.

Sem professor de apoio, Kauana Pacheco, de 11 anos, fica apenas meio período na escola. Ao seu lado, a mãe Ângela Carine Pacheco (Foto: Ronaldo Gomes/EPTV)
Sem professor de apoio, Kauana Pacheco, de 11 anos, fica apenas meio período na escola. Ao seu lado, a mãe Ângela Carine Pacheco (Foto: Ronaldo Gomes/EPTV)

Fonte: g1.globo.com

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