sábado, 11 de fevereiro de 2017

Voando com Hipertensão Pulmonar. Relatos de uma paciente viajante.

Isabel Brito em Pamukkale (Castelo de Algodão, em Turco), um conjunto de piscinas termais de origem calcária
Isabel Brito em Pamukkale (Castelo de Algodão, em Turco), um conjunto de piscinas termais de origem calcária

Isabel Brito, paciente de HAP (Hipertensão Arterial Pulmonar) conta como foi a viagem com oxigênio terapia a bordo dos aviões, com destino à Turquia.

Estava planejando essa viagem há muitos anos, mas sempre com medo do tempo de viagem. Até que um belo dia lendo o relato de Aline Câmara, outra paciente de HAP que fez viagens internacionais de longa duração vi que era possível sim. Já havia feito diversas viagens de avião, mas sempre no Brasil. E nos últimos tempos em companhia do meu concentrador portátil é claro. Mas sempre tudo correu da melhor maneira possível.

Enfim, depois de ler sobre todas as companhias e sobre os procedimentos, decidi que assim que fosse possível eu iria sim atravessar o continente. E não é que surgiu o convite dessa minha amiga, para vir ajudar na agência de viagens aqui na Capadócia? No Encontro do Dia Mundial de Hipertensão Pulmonar em São Paulo, tive a alegria de reencontrar a Dra. Guisla (Gisela), minha querida amiga de Porto Alegre, contei para ela sobre o que ia fazer, pensando, vai me xingar, dizer que sou louca, mas não é que adorou a idéia e me deu forças, pois realmente estou numa fase ótima da HAP. Mesmo estando em classe III. Ela me deixou mais confiante ainda.

Minha querida Dra. Adriana também de Ribeirão, no começo achou que era brincadeira minha, chamou até meus pais no HC para conversar, mas quando mostrei que consegui um médico aqui que era o presidente da Associação Turca, ficou mais tranquila quando viu o email dele colocando-se a disposição para qualquer coisa. Pois até isso eu fiz, fui atrás de empresa que fornece oxigênio e tudo mais por aqui.

Bem, tudo estava indo muito bem. Vê daqui, vê dali, pede autorização médica, refaz exames, consegue medicação para bastante tempo, organiza como vai receber, tudo pronto, só falta comprar passagens. Ou seja, escolher qual vai ser a empresa que vai me proporcionar o melhor vôo. Segundo o arquivo que a Aline postou, a British Airways é a única que não cobra o uso de oxigênio durante os vôos. E daí fui ver as passagens e as mais baratas para o período que eu precisava eram exatamente as da British.

Tudo certo até aí, mas antes tive que imprimir um relatório (MEDIF) e levar para minha médica preencher. Depois enviar através de email para a British em Londres juntamente com os horários dos vôos. Não foi tudo tão fácil assim, mesmo o relatório estando completo, eles me mandaram mais emails perguntando outras coisas do tipo, vai utilizar durante a espera do segundo vôo, vai sozinha, vai levar o seu concentrador junto, qual a marca, modelo, alguém vai me esperar, enfim, queriam saber tudo direitinho.

Foram uns amores, no aeroporto do Rio, pois embarquei lá, a passagem tinha quase 200 dólares de diferença de São Paulo. Mesmo contando com o avião de Ribeirão Preto até o Rio. A moça responsável pelo embarque já estava avisada sobre uma passageira embarcar com cuidados especiais. Sempre diga que é uma pessoa com deficiência, principalmente nos aeroportos internacionais, pois as distâncias entre tudo é muito longa. E nada melhor que alguém ajudar você até a porta do aeroporto.

Voltando ao embarque, dali já sai na cadeira de rodas, fui a primeira a embarcar no avião, e logo já vieram me avisar como seria o procedimento do oxigênio, ainda bem que entendo o inglês, hahaha. A British fornece O2 pois no país da companhia foi feita uma campanha e o congresso votou para que as empresas do Reino Unido ofertassem gratuitamente o O2 nos vôos, algo assim. Na decolagem coloquei um tubo pequeno que ficou nas minhas mãos, parecia um maçarico de cozinha, daqueles que se usa para fazer creme Bulê.

Depois de estabilizado o vôo, coloquei o do próprio avião, conforme a receita médica, usei 4 L/M durante as 11 horas que estive no ar. Depois na descida continuei com ele. Na chegada em Londres fui a última a descer, me esperavam de cadeira de rodas na porta do avião, me levaram para uma sala, depois peguei o metro até o local de espera pelo outro vôo. Me deixaram esperando numa sala só para pessoas com necessidades especiais. Uma loucura, fiquei lá 3 horas, podia sair, fui comprar umas meias numa freeshop, pois era muito frio no avião.

Depois embarque para Istambul, o avião já era menorzinho, daí me colocaram um torpedo embaixo do assento e fui com ele as 3 horas seguintes. Sem nenhum problema. As atendentes sempre passavam e perguntavam se eu estava bem, se estava com ar suficiente, enfim, uma super atenção que você acaba achando que não é mimada mesmo.

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