quinta-feira, 23 de março de 2017

Arambaré tem a primeira trilha adaptada a pessoas com deficiência visual no Estado


Por meio do toque, de cheiros e de sons, pessoas com deficiência visual podem curtir a natureza da Trilha dos Piquetes

Caminho de quem vai até a praia da Lagoa dos Patos em Arambaré, a Trilha dos Piquetes, trecho de 800 metros cheio de arumbevas, bromélias, butiazeiros, capororocas e tantas outras espécies nativas, é o local da primeira trilha acessível para pessoas com deficiência visual no Estado. Conhecer a natureza através de toques, cheiros e gostos, com placas explicativas e cordas-guia, é extremamente enriquecedor, visto pelo aspecto acessível e inclusivo.

Uma parceria entre Sebrae, gestores públicos e empreendedores locais foi feita para que a cidade, antes focada em conquistar visitantes nos períodos de sol, praia e Carnaval, encontrasse sua vocação turística. Em 2016, após um ano de trabalho, o projeto Qualificar o Turismo na Costa Doce — Náutico foi aberto para a visitação de moradores da região e estudantes guiados por componentes da Confraria do Bem Viver.

Estive lá no passeio inaugural, acompanhado por participantes do projeto e guias locais. Durante a explicação sobre a trilha, havia um cuidado especial com a descrição dos vídeos e das imagens, feita ao vivo pela turismóloga Regina Cardona. Era possível sentir uma diferença no ar, o barulho intenso dos pássaros e o ruído distante dos veículos. O terreno era predominantemente arenoso, e as raízes pouco atrapalhavam o trajeto, percorrido com as explicações do guia Pingo.

As cordas-guia eram um pouco baixas, então preferi ir de braço dado com ele. Acabei não fazendo a leitura de algumas placas — porque estavam muito quentes do calor do sol ou por dar preferência para outro deficiente visual ler. Ainda assim, era perceptível que algumas estavam com letras levemente apagadas.


Cordas-guia orientam o caminho pela natureza

No encerramento, descobri que a trilha não havia acabado — mas as cordas-guia, sim. Além disso, uma placa já encontrava-se mais distante da outra, o que não permite ao cego seguir sozinho pelo espaço (ele poderia se perder no caminho).

A primeira trilha acessível foi, na verdade, adaptada, porque tanto as cordas-guia quanto as placas precisam ser sempre retiradas e recolocadas a cada visitação, evitando assim que se estraguem com o tempo e não sofram a ação de vândalos.

Maicon Everton Gomes, que perdeu a visão há três anos por causa de um glaucoma, avalia que, por ser a primeira trilha acessível do Estado, o trajeto foi interessante, e a iniciativa, válida:

O trajeto foi bem bacana, mas, se pudesse modificar algo, tentaria afastar os galhos espinhentos, pois eles estavam muito juntos da corda-guia.

Já a auxiliar administrativa Letícia Severo da Rosa, 36 anos, pensa que é parte do passeio alguns arranhões, dificuldades na caminhada ou eventuais choques com os troncos das árvores.

O envolvimento das pessoas em trazer a acessibilidade foi espetacular — avalia.


Placas em Braille passam informações sobre o local

A aposentada Isoleide Baldin de Vargas, 47 anos, teve na Trilha dos Piquetes sua estreia nesse tipo de caminhada — que, segundo ela, superou suas expectativas:

Foi tudo muito acessível, a história da cidade é riquíssima, e a natureza, muito bela.

Como fazer

Quem ficou curioso para conhecer a Trilha dos Piquetes e as belezas da região pode entrar em contato com a Confraria do Bem Viver pelo e-mail para confrariadobemviver@gmail.com ou fazer o agendamento por meio das pousadas e dos hotéis do município.

O passeio deve ser marcado com pelo menos duas horas de antecedência, pois a estrutura de acessibilidade não é fixa, para preservar os equipamentos das intempéries do clima ou de possíveis danos patrimoniais. A visitação custa R$ 18 e pode ser feita em grupo ou individualmente.

Fontes: ZH Viagem - turismoadaptado.wordpress.com

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