quarta-feira, 29 de março de 2017

Caminhoneiro faz campanha de R$ 1 milhão para tratar perna 'gigante'.

Ana Carolina Silva Colaboração para o UOL.

                      Arquivo Pessoal
                      

Um milhão de reais. A quantia que costuma representar o sonho de vida de muitos é, para Estevão Ahnert, a grande esperança de uma nova vida.A perna esquerda do capixaba de Cariacica já chega a 100 quilos e o impede de trabalhar desde 2008, motivo pelo qual ele conta com a solidariedade das pessoas na internet: uma campanha para a arrecadação de cerca de R$ 1 milhão.

O caminhoneiro de 38 anos recebeu ainda na infância o diagnóstico de um linfedema. "Eu cortei a lateral do pé com um caco de vidro quando tinha 10 anos. Cortei uma das principais veias da perna, então por isso as outras secaram.Eu não tenho circulação de sangue e tenho retenção de líquido. Os linfonodos que a gente tem na batata da perna morrem por causa disso, então a água que está no sangue não circula para fora. Então vai crescendo, crescendo, acumulando e não para de crescer", explicou à reportagem do UOL.

O pequeno filho André e a jovem Ester, filha da esposa Diana que o vê como pai, são as principais motivações do capixaba para procurar tratamento.A intervenção cirúrgica, porém, custaria um valor impraticável para o orçamento da família: somada a hospedagem em São Paulo e os gastos com cada profissional, incluindo nutricionista e ortopedista, os Ahnert calculam o valor de de R$ 1 milhão. Para tanto, eles contam com a solidariedade dos internautas na "vaquinha" online para arrecadar a quantia, além de uma rifa organizada com os amigos que terá um caminhão como prêmio ao vencedor.

Estevão chegou a ser internado pelo SUS em 2008, tão logo abandonou a vida nas estradas, mas a experiência no Hospital Universitário da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo) só serviu para traumatizá-lo."Tomei um trauma muito grande lá dentro, vendo todo mundo naquela situação difícil e aquele monte de gente sofrendo. Essa água toda tem que sair, e só sai através de drenagem linfática, massagem e estimulação pela urina. Só depois disso vem a cirurgia, e esse procedimento leva um dia inteiro. Se eu continuasse pelo SUS, só poderia ir uma vez por semana e apenas durante uma hora. O Sistema Único de Saúde não vale nada hoje", desabafou. O nascimento do filho André em agosto de 2014, no entanto, deu a Estevão mais para brigar.

"Se me perguntassem em 2008, eu diria que preferia morrer desse jeito do que voltar para dentro daquele lugar [Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes, o HUCAM da UFES]. Aí a minha esposa engravidou e renasceu no meu coração a vontade de ficar bom. Se dependesse de mim, eu preferiria morrer assim porque já fui muito discriminado, mas hoje posso passar a humilhação que for, mas passo pelo meu filho", emocionou-se.

O angiologista e cirurgião vascular Dr. Robson Barbosa de Miranda, médico responsável por uma das equipes de cirurgia vascular no Hospital do Coração (HCor) comentou o relato de Estevão e acredita que a cirurgia é a melhor opção,já que um tratamento pode não surtir efeito. "São cirurgias de exceção. Você só faz um procedimento desse quando o paciente tem uma modificação funcional total. Na maioria dos casos é um tratamento clínico. No caso dele, com 100 quilos na perna esquerda, é provável que não tenha viabilidade de melhora clínica", analisou.

Mas teria o corte no pé causado o linfedema? "Isso, na verdade, é a visão que ele tem. Mas ele provavelmente já deveria ter um linfedema congênito que apenas não havia se manifestado ainda. E aí, com esse corte, o sistema linfático acabou prejudicado", explicou o médico. "O sistema funciona como a drenagem da linfa, que é um líquido formado por água, proteína e células de defesa. Está distribuído no organismo todo. Quando você tem um problema, ocorre a retenção de líquido. Quando chove muito em uma plantação e a drenagem está com problema,ocorre a retenção de líquido. Quando chove muito em uma plantação e a drenagem está com problema, ocorrem os alagamentos", prosseguiu o profissional, especialista pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV).

A vaquinha foi criada no dia 23 de março; até a publicação desta reportagem, pouco mais de R$ 900 haviam sido arrecadados oficialmente, enquanto outros R$ 1.000 permaneciam pendentes com boletos ainda não pagos.Embora se diga surpreso com a repercussão de seu caso na internet, Estevão não se anima com a contribuição. "Se você analisar a repercussão, os compartilhamentos estão grandes, mas a doação não dá muita coisa,Tem várias doações de 10 centavos na conta. Então não tenho toda essa perspectiva com a vaquinha, a esperança maior é de alguém influente poder me ajudar a divulgar", pontuou o caminhoneiro.

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