terça-feira, 21 de março de 2017

Dia da Síndrome de Down é celebrado nesta terça; DF tem 10 mil portadores

Estimativa reúne dados do Entorno; centro de referência foi criado em 2013. Evento no Senado tratará sobre o empoderamento das pessoas diagnosticadas.

Por Letícia Carvalho, G1 DF


   Elaine Costa Depollo em foto com o senador Romário (PSB-RJ) (Foto: Arquivo pessoal)

Desde o ano passado, o dia 21 de março tem sido reservado para se pensar e problematizar a Síndrome de Down – alteração genética causada por um cromossomo a mais no par 21. No Distrito Federal, o Senado promoverá nesta terça-feira (21), a partir das 9h, o evento “Ir e Vir com Independência”, sobre o empoderamento das pessoas que têm a deficiência.

Elaine Costa Depollo, de 31 anos, trabalha há cinco anos como assessora parlamentar júnior do senador Romário (PSB-RJ) – parlamentar responsável pela ação desta terça. Ela estará na solenidade e, além de um discurso, vai participar de um desfile. Portadora da síndrome, Elaine é descrita uma das figuras mais queridas da casa – o carisma, segundo a família, foi o fator responsável pela contratação.

O pai da moça, Rubens Depollo, lembra que, durante uma visita à Associação de Pais e Amigos Excepcionais (Apae), Elaine correu para abraçar o ex-jogador de futebol e então deputado federal. “Foi emocionante. Ela não conhecia e não sabia da história do Romário. Desde então, trabalha no gabinete do agora senador”, contou Depollo.

“Sou muito feliz no meu emprego. Estou lá de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e não me canso”, disse a assessora em entrevista ao G1. Elaine nasceu na época em que a palavra “inclusão” começou, timidamente, a fazer parte do vocabulário social. Atualmente, crianças com deficiência intelectual são iniciadas desde cedo em processos de estimulação, e adultos, incorporados cada vez mais ao mercado de trabalho.

Acesso ao mercado
Maria Clara Machado Israel, 24 anos, também participará do evento no Senado. Com o discurso sobre autonomia na vida pessoal, a jovem vai partilhar um pouco da sua rotina como auxiliar de vendas em uma loja de joias da cidade, onde bate ponto há quatro meses. Assim como Elaine, a facilidade em se comunicar abriu portas no mercado.

Para a mãe da jovem, Maria de Fátima Machado Israel, 60, o emprego fez com que Maria Clara passasse a se sentir mais produtiva. “Desde o ensino médio, ela pedia para trabalhar. Após alguns cursos na Apae, a joalheria entrou em contato com a minha filha”, detalhou a arquiteta.

    Maria Clara Machado Israel, portadora da síndrome de Down, em foto de arquivo (Foto: Arquivo pessoal)

Inclusão
Estima-se que, no DF e no Entorno, 10 mil pessoas tenham Síndrome de Down. No Brasil, o número sobre para 400 mil. Os dados foram informados pelo médico clínico do Centro de Referência Interdisciplinar em Síndrome de Down, do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), Karlo Quadros. A unidade atende cerca de 2 mil famílias de portadores da trissomia do cromossomo 21.

Segundo Quadros, a inclusão social faz muita diferença na vida das pessoas com Síndrome de Down. “A inserção permite que elas percebam que não são tão diferentes dos outros. O indivíduo com Down alcança muito, desde que seja estimulado e recebido sem preconceito pela sociedade”, aponta o médico.

O Centro de Referência Interdisciplinar em Síndrome de Down foi criado oficialmente em 26 de março de 2013. Quase quatro anos depois, o espaço tem 26 profissionais entre médicos, psicólogos, nutricionistas e fisioterapeutas, que se organizam para promover a inclusão dos pacientes por meio da saúde. O espaço conta ainda com o suporte das ONGs Ápice Down e DFDown.

Atuando na unidade desde os primeiros meses de funcionamento, Quadros destaca que a capital federal tem avançado na implementação de políticas públicas voltadas para pessoas com deficiência intelectual. Por outro lado, ele reforça a importância de estimular e enxergar o potencial desse público.

“Uma das grandes barreiras que a gente enfrenta é infantilização da pessoa com Down. Tentamos trabalhar com as famílias para que elas possam desafiar a capacidade dessas crianças e jovens e, assim, inseri-los nas atividades comuns a cada faixa etária.”

No Brasil, a Lei de Cotas (8213/91) estabelece a obrigatoriedade da reserva de cargos para pessoas com deficiência àquelas empresas com cem empregados ou mais. O texto não faz diferença entre as deficiências físicas e mentais, e não estabelece o "grau" da condição do trabalhador.

Fonte: g1.globo.com

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