sábado, 25 de março de 2017

Nova Victoria? Potiguar de 18 anos desponta como promessa do goalball

Comparada a uma das melhores jogadoras do mundo, Amanda Santana perdeu a visão gradativamente após sua mãe contrair bactéria na gravidez. Brasil está invicto no Parapan de Jovens

Por Flávio Dilascio, São Paulo

Nova Victoria? Potiguar de 18 anos desponta como promessa do goalball

O talento e o jeito de arremessar chamam a atenção de quem tem acompanhado as partidas de goalball da seleção feminina do Brasil nos Jogos Parapan-Americanos de Jovens, em São Paulo. Com apenas 18 anos, Amanda Santana vem sendo lapidada para servir à equipe principal do país em breve. A moral da jogadora é tanta que a jovem potiguar vem sendo chamada de "Nova Victoria". Artilheira da seleção principal, Victoria é considerada uma das melhores jogadoras de goalball do mundo. Integrante do cronograma da Paralimpíada, a modalidade é disputada por atletas cegos. O Brasil ficou em quarto na competição feminina na Rio 2016.

- Acho muito interessante essa comparação com a Victoria, uma honra para mim, porque se trata de uma jogadora muito talentosa e experiente. Quem sabe um dia eu chego no nível dela. Eu a conheci pessoalmente nos Jogos Escolares. Ela foi muito simpática comigo. Nunca tivemos proximidade, mas gosto muito de ser comparada à Victoria - disse Amanda.

Moradora do bairro Bom Pastor em Natal, Amanda se divide entre o goalball e os estudos. Mesmo com a rotina de treinos no seu clube, o IERC, a atleta tem cursado o primeiro ano do Ensino Médio em uma escola da capital potiguar. Amanda perdeu a visão aos dez anos de idade. A jogadora nasceu enxergando parcialmente e foi perdendo o sentido durante a infância.

Amanda Santana fez 18 dos 32 gols do Brasil no Parapan de Jovens (Foto: Leandro Martins/CPB/MPIX)
Amanda Santana fez 18 dos 32 gols do Brasil no Parapan de Jovens (Foto: Leandro Martins/CPB/MPIX)

- Os médicos dizem que foi por causa de uma bactéria que a minha mãe pegou durante a gravidez. Já nasci com uma pequena deficiência na visão, que foi piorando com o passar dos anos. A partir dos dez anos, passei a não enxergar mais. Foi um período muito triste, me senti muito mal. Ficava o tempo todo dentro de casa. Aos poucos, fui me soltando, graças muito aos meus amigos, que me motivaram a voltar a ter uma vida normal - contou.

Líder do torneio feminino de goalball dos Jogos Parapan-Americanos de Jovens de São Paulo, o Brasil soma três vitórias em três jogos realizados até aqui - o campeão será conhecido na sexta-feira. As outras seleções participantes são Colômbia e México. Ao todo, a seleção brasileira marcou 32 gols até aqui. Amanda balançou a rede 18 vezes, o que aumenta ainda mais a expectativa sobre o futuro da jogadora.

- Confesso que comecei o Parapan um pouco nervosa, mas depois as coisas começaram a fluir. Estou muito satisfeita com o meu desempenho e o da seleção brasileira. Vamos com tudo em busca desse título - concluiu Amanda.

Amanda (à direita) faz a defesa na vitória sobre o México (Foto: Cezar Loureiro/CPB/MPIX)
Amanda (à direita) faz a defesa na vitória sobre o México (Foto: Cezar Loureiro/CPB/MPIX)

Os resultados do goalball feminino brasileiro no Parapan de Jovens:
Brasil 10 x 0 Colômbia
Brasil 12 x 2 México
Brasil 10 x 0 Colômbia

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