sexta-feira, 24 de março de 2017

Nove morrem nos EUA por câncer relacionado ao uso de silicone nos seios

FDA relata mais de 300 casos de doença rara, que tem tratamento

Do R7

Getty Images

Cirurgia de implante mamário é popular no mundo todo

Nove pessoas morreram em decorrência de um câncer extremamente raro chamado de LACG (linfoma anaplástico de células grandes) segundo relatou a FDA (Food and Drug Administration), órgão do governo dos Estados Unidos responsável por regulamentar alimentos e medicamentos no país. A doença foi associada às próteses de silicone, presente em todas as vítimas. Houve registro também de 359 casos da doença, entre 2016 e o dia 1º de fevereiro deste ano.

A agência não confirmou que os implantes são os causadores do câncer, mas admitiu que as mulheres que possuem a prótese tem mais risco de ter a doença: "Todas as informações que temos até o momento sugere que as mulheres com implantes mamários têm um risco muito baixo de desenvolver LACG , mas essa chance está aumentado em comparação com as mulheres que não têm".

De acordo a FDA, a doença se desenvolve no tecido cicatrizado que se forma ao redor da prótese e tem tratamento, na maioria dos casos. Segundo observação preliminar, o câncer parece estar mais associado as próteses com texturas.

Geralmente, a LACG só é descoberta após o aparecimento dos sintomas como dor, inchaço, acúmulo de líquidos. A doença afeta as células do sistema imunológico. O tumor pode se apresentar na pele ou nos gânglios linfáticos e não pode ser considerado um tipo de câncer de mama.

Cerca de 10 milhões para 11 milhões de mulheres no mundo têm implantes mamários, de acordo com a Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos. Menos de 10 são diagnosticadas por ano com câncer de mama em decorrência do implante.

O sonho de consumo de colocar silicone nos seios para muitas mulheres está cada dia mais acessível. Dados da Isaps (Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética) mostram que o Brasil é o segundo país que mais realiza plásticas no mundo, atrás apenas dos EUA, e o implante de silicone é um dos procedimentos mais realizados. O cirurgião plástico e membro da SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) Fernando de Almeida Prado afirma que a cirurgia plástica bem sucedida ajuda a melhorar a autoestima, mas não devem ser vistas como ideal para a vida.

A cirurgia plástica está aliada à mudança de vida e à filosofia de fazer as coisas diferentes. Mas a pessoa não deve pensar que o procedimento vai mudar todos os problemas. Um bom exemplo são pessoas que fazem lipoaspiração achando que vão emagrecer.

A possibilidade de parcelar o pagamento e até combinar “pacotões” com outros procedimentos estéticos impulsionam o número de cirurgias, o que também aumentam as possibilidades de golpes e erros médicos, que traumatizam diversas pacientes. O especialista recomenda que os pacientes pesquisem o histórico do profissional para evitar futuros desgostos, pois não existe nenhuma norma que proíba a realização de implantes de silicone por médicos não credenciados.

Se um médico oferece um “pacotão” muito barato, desconfie. A paciente tem que observar o médico, analisar, buscar a carreira dele, procurar informações no CRM (Conselho Regional de Medicina), saber se ele tem processo. Além disso, é preciso sentir segurança e perguntar à vontade. Isso diminui possibilidade de ter problema. A informação é a melhor arma do paciente.

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Em meio a tantas notícias de próteses de silicone que dão problemas, surgem questões sobre a segurança da cirurgia e suas possíveis complicações.

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