segunda-feira, 6 de março de 2017

Pacientes com epilepsia na Venezuela lutam pela vida em meio a falta de medicamentos

Em busca de alternativas, alguns até se submetem a tomar remédios antigos

Do R7

Foto: Reuters 
Vivendo uma forte crise econômica, agora mais um problema delicado atingiu a Venezuela: a falta de medicamentos. A recessão pela qual o país passa fez com que os abastecimentos de drogas nas farmácias fosse paralisado e quem mais está sofrendo com isso são os pacientes com epilepsia

Vivendo uma forte crise econômica, agora mais um problema delicado atingiu a Venezuela: a falta de medicamentos. A recessão pela qual o país passa fez com que os abastecimentos de drogas nas farmácias fosse paralisado e quem mais está sofrendo com isso são os pacientes com epilepsia.

Segundo uma associação farmacêutica do país, 85 dos 100 medicamentos comercializados na Venezuela estão fora das prateleiras e os anti-convulsionantes estão entre os mais difíceis de serem encontrados.

Estimativas da organização de suporte LIVECE, que tem base em Caracas, entre 2 e 3 milhões de venezuelanos sofrem crises de epilepsia pelo menos uma vez na vida e as vítimas da doença têm dificuldades para encontrar remédios desde 2012.

Foto: Reuters 
Um dos inúmeros casos graves é o do encanador Marcos Heredia, que percorreu 20 farmácias em um dia, mas não conseguiu encontrar medicamentos cruciais para impedir que seu filho de 8 anos tivesse mais convulsões que causassem danos cerebrais irreparáveis

Um dos inúmeros casos graves é o do encanador Marcos Heredia, que percorreu 20 farmácias em um dia, mas não conseguiu encontrar medicamentos cruciais para impedir que seu filho de 8 anos tivesse mais convulsões que causassem danos cerebrais irreparáveis.

A opção que ele encontrou foi viajar 860 km de ônibus para a fronteira com a Colômbia para pegar medicamentos que o primo dele havia comprado no país.

Assim como Heredia, pacientes e famílias tentam de tudo o que puderem para conseguir os remédios. Existem grupos criados no WhatsApp especificamente para trocas farmacêuticas e pessoas que até usam remédios vencidos.

Foto: Reuters 
A neurologista Beatriz Gonzalez, da LIVECE, disse estar preocupada com as mães epilépticas que dão à luz crianças deformadas porque tomam o medicamento errado ou perdem a criança porque não conseguem encontrar as drogas

A neurologista Beatriz Gonzalez, da LIVECE, disse estar preocupada com as mães epilépticas que dão à luz crianças deformadas porque tomam o medicamento errado ou perdem a criança porque não conseguem encontrar as drogas.

Mas o problema vai muito além daqueles que têm epilepsia. Convulsões inesperadas podem afetar também crianças com febre, vítimas acidentadas o pessoas com outros tipos de problemas neurológicos.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, culpa a falta de medicamentos por um plano de direita que quer derrubá-lo, mas em um discurso recente, ele disse que havia aprovado "grandes investimentos em dólares" para aumentar a disponibilidade de remédios, sem fornecer detalhes.

A Venezuela está preparada para abrir três laboratórios médicos, anunciou Maduro na semana passada.



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