domingo, 26 de março de 2017

Quarteto albino brilha no Parapan de SP e renova esperanças do judô para 2020

"Irmãos" por ocasião, Thiego, Gabriel, Luan e João brincam com o fato de a maior parte dos judocas da seleção juvenil terem albinismo: "Fundamos a Associação Albina de Judô"

Por Flávio Dilascio, São Paulo

Quarteto albino brilha no Parapan de SP e renova esperanças do judô para 2020

A sociedade Brasileira de Dermatologia estima que existam de 10 a 12 mil albinos no Brasil. O albinismo é uma mutação genética que inibe a produção de melanina, proteína responsável pela cor da pele e dos cabelos.

Uma das consequências do distúrbio é a deficiência visual, característica que enquadra os albinos como deficientes de baixa visão. Thiego Marques, Luan Pimentel, Gabriel Nascimento e João Sousa não são parentes. Entretanto, nos últimos dias, o quarteto formou a "Família Albina" da seleção brasileira de judô para jovens. A união deu certo. Todos os quatro foram campeões em suas respectivas categorias nos Jogos Parapan-Americanos de São Paulo. Mais um motivo para as brincadeiras entre os próprios atletas.

Achei engraçado essa coincidência de termos quatro albinos entre os sete judocas convocados para o Parapan. Brincamos que nós fundamos aqui a Associação Albina de Judô do Brasil - disse o sul-matogrossense Luan Pimentel, ouro na categoria até 73kg.

Luan Pimentel em ação contra o chileno Ignacio Antillanca no Parapan de Jovens (Foto: Cleber Mendes/CPB/MPIX)
Luan Pimentel em ação contra o chileno Ignacio Antillanca no Parapan de Jovens (Foto: Cleber Mendes/CPB/MPIX)

Do quareto albino, apenas Gabriel e João já se conheciam de antes do Parapan de Jovens. Ambos são do Rio e frequentam o Instituto Benjamin Constant, escola voltada para cegos. Foi na instituição que os dois começaram a praticar o judô paralímpico, que é disputado apenas por deficientes visuais. Os resultados foram aparecendo de forma gradativa e hoje ambos gozam de prestígio na seleção brasileira juvenil, renovando as esperanças da modalidade para os Jogos de Tóquio 2020.

Sempre gostei de lutas, já fazia jiu-jítsu e passei a praticar judô paralímpico no Benjamin Constant. Minha primeira convocação foi em dezembro do ano passado. Estou muito feliz em ter conquistado o ouro no Parapan, mesmo só tendo brasileiros na minha categoria - comentou João, que mora em Maricá, na Região Oceânica de Niterói, e lutou os Jogos Parapan-Americanos de Jovens na categoria acima de 90kg.

Nascido e criado no Lins de Vasconcelos, Zona Norte do Rio, Gabriel tem 17 anos, um a menos que João. Campeão parapan-americano na categoria até 66kg, ele começou a praticar judô em 2010. Com experiência em competições internacionais, ele acredita que tem de tudo para estar na seleção principal em breve.

Joao Sousa domina o compatriota Sergio Fernandes em duelo da categoria acima de 90kg (Foto: Cleber Mendes/MPIX/CPB)
Joao Sousa domina o compatriota Sergio Fernandes em duelo da categoria acima de 90kg (Foto: Cleber Mendes/MPIX/CPB)

Lutei o Grand Prix e o Parapan e medalhei nas duas competições, então tenho certeza de que se continuar lutando bem e treinando forte eu vou encontrar o meu lugar - destacou Gabriel, que já jogou goalball e fez natação antes de decidir seguir carreira no judô.

Natural de Parauapebas, quinto município mais populoso do Pará, Thiego herdou o albinismo da avó paterna. Vencedor na categoria até 60kg dos Jogos de São Paulo, ele - que entrou para o judô motivado pelo sucesso do multicampeão Antônio Tenório - revelou que o ouro no Parapan de Jovens foi uma surpresa não só para ele como para todos os integrantes da "Família Albina".

Para falar a verdade, nenhum de nós imaginava ser campeão aqui. Foi uma experiência muito bacana e uma coincidência enorme. Nós quatro ficamos muito unidos porque temos muita coisa em comum. Por exemplo, treinamento no sol nós não podemos fazer, então vamos os quatro para a sombra. Andamos sempre juntos pelo CT, um auxiliando o outro. Me senti como se fôssemos parentes mesmo - finalizou.

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