quinta-feira, 2 de março de 2017

Sem acessibilidade, cadeirantes não conseguem aproveitar orla de Maceió - Veja o vídeo.

Críticas de deficientes vão de estacionamento público a rampas de acesso. Prefeitura diz estar trabalhando para manutenção e melhoria dos serviços.

Michelle Farias Do G1 AL

Cadeirante precisa de ajuda para subir na rampa porque ela é muito alta (Foto: Michelle Farias/G1)
Cadeirante precisa de ajuda para subir na rampa porque ela é muito alta (Foto: Michelle Farias/G1)

Águas calmas, areia clara e sol forte praticamente o ano inteiro fazem da orla de Maceió uma das mais belas do país. Mas infelizmente nem todos conseguem aproveitar essas belezas naturais porque a orla não está adaptada para o deficiente físico, principalmente se ele depender de uma cadeira de rodas.

A reportagem do G1 acompanhou a assistente administrativa Rosiana Alves, 45, que é cadeirante, durante um passeio na orla. Os problemas enfrentados por ela vão desde a saída do carro no estacionamento público até a descida para o mar 

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Ela diz não se lembrar a última vez em que entrou no mar. “Eu acho lindo o mar, a praia. Mas eu não tenho coragem de enfrentar as barreiras para curtir. Minha filha reclama muito, mas eu não consigo chegar na areia e preciso de ajuda. Então se o cadeirante precisa de ajuda, não tem acessibilidade”, afirma.

Os problemas começaram no estacionamento mesmo. O piso estava rachado e as rodas da cadeira emperraram. Depois, a cadeirante tentou passar pela rampa de acesso, mas também esbarrou em problemas.

Rosiana Alves diz que nem lembra a ultima vez que conseguiu tomar um banho de mar (Foto: Michelle Farias/G1)
Rosiana Alves diz que nem lembra a ultima vez que conseguiu tomar um banho de mar (Foto: Michelle Farias/G1)

“É um absurdo porque a cadeira emperra. A acessibilidade tem que ser para que o deficiente consiga andar sozinho, sem precisar de ajuda, mas com as rampas nessa situação fica difícil, eu tenho muito medo de cair, como já aconteceu várias vezes”, afirma.

Depois de passar pela rampa, os obstáculos estão na calçada, que está quebrada e ela precisa fazer manobras até chegar próximo à areia. “Eu só consigo chegar até esse ponto. Não consigo entrar na areia sem ajuda”.

A prefeitura de Maceió tem um projeto chamado Praia Acessível, com uma estrutura montada em alguns fins de semana para os cadeirantes. Mas nos dias em que o projeto não é realizado, o mais perto do mar que eles conseguem chegar é uma rampa de concreto nos primeiros metros de areia.

“Há apenas uns dois metros de uma rampa de concreto que não deixa o cadeirante perto [da água]. As ações da prefeitura não ocorrem todo final de semana”, lamenta Rosiana.

Rampa de concreto não deixa o cadeirante perto do mar, diz Rosiana (Foto: Michelle Farias/G1)
Rampa de concreto não deixa o cadeirante perto do mar, diz Rosiana (Foto: Michelle Farias/G1)

O presidente da Associação dos deficientes Físicos de Alagoas (Adefal) explica que as ações da Praia Acessível ocorrem uma vez por mês. Além disso é feito um sorteio com as instituições cadastradas e apenas 20 cadeirantes podem participar.

“Se um cadeirante quiser vir com a família em um outro dia, ele não consegue chegar até a praia. Se ele quiser ir para Ponta Verde ou Jatiúca, por exemplo, ele não pode porque essa rampa de concreto só tem nesse ponto específico e que não atende à realidade dos deficientes”, afirma.

Rampas de acesso
As rampas de acesso na orla da capital até existem, mas muitas não atendem às necessidades dos deficientes. Em outros pontos, elas sequer existem. Rosiane explica que a maioria é muito alta e passar por elas sozinha é uma tarefa praticamente impossível.

“Você tem que fazer mais força, mas quando ela é muito alta, se não tiver alguém para ajudar, você cai. Muitas vezes eu tenho que dividir o espaço com os carros no meio da rua porque não consigo passar para a calçada”, afirma.

Em um ponto na Pajuçara, há apenas uma rampa de acesso para cadeirante em um dos lados (Foto: Michelle Farias/G1)
Em um ponto na Pajuçara, há rampa de acesso para cadeirante em apenas um dos lados da pista (Foto: Michelle Farias/G1)

A reportagem também acompanhou a cadeirante em outro ponto no bairro da Pajuçara, na Avenida Dr. Antonio Gouveia, próximo a uma academia. Rosiane tentou descer pela rampa, em frente a uma faixa de pedestres, mas não conseguiu sozinha. Com ajuda, chegou ao outro lado da rua, mas não tinha rampa.

“De um lado, a rampa que não consigo passar, e do outro, eu não consigo voltar para a calçada. Uma cidade turística que recebe pessoas do mundo todo não está adaptada para os deficientes, algo mínimo e que está na lei", afirma.

Sobre a falta de acessibilidade na orla, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Sustentável informa que está com uma equipe de trabalho permanente para manutenção da infraestrutura da orla da capital, incluindo serviços de melhorias para acessibilidade da região.

A Secretaria Municipal de Esporte, Lazer e Juventude, responsável pelo Praia Acessível, afirma que realiza atividades esportivas e de lazer, com banho de mar assistido, uma vez por mês, mas que o projeto está em fase de ajustes com previsão de retorno em março e perspectiva de ampliação para ocorrer duas vezes por mês.

Fonte: g1.globo.com

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