quinta-feira, 2 de março de 2017

Síndrome de Sjogren: como ela é?

Por Priscila Torres*

                            

O que é a síndrome de Sjögren?

A síndrome de Sjogren é uma desordem do sistema imunológico que pode ser identificada por seus dois sintomas mais comuns: olhos secos e boca seca. Muitas vezes ela é acompanhada de outras desordens autoimunes, tais como artrite reumatoide e lúpus eritematoso sistêmico, por exemplo. Na síndrome de Sjogren, as membranas mucosas e as glândulas dos olhos e da boca são afetadas unicamente ou em primeiro lugar, resultando em diminuição da produção de lágrimas e saliva.

Quais são as causas da síndrome de Sjögren?

A síndrome de Sjogren é causada pelo ataque do sistema às células e tecidos das glândulas exócrinas, nomeadamente as glândulas lacrimais e salivares.

Qual é a fisiopatologia da síndrome de Sjögren?

A síndrome de Sjogren é uma desordem autoimune, ou seja, em que o sistema imunológico erroneamente ataca e danifica as células e tecidos das glândulas exócrinas.

Certos genes parecem colocar as pessoas em maior risco de doença, mas verifica-se que é também necessário um mecanismo de disparo, um “gatilho”, tal como uma infecção por vírus ou bactérias. Embora qualquer pessoa possa desenvolver a síndrome de Sjogren, ela normalmente ocorre em pessoas com um ou mais fatores de risco conhecidos, que incluem pessoas do sexo feminino, com mais de 40 anos e que tenham uma doença reumática, como artrite reumatoide ou lúpus. Na síndrome de Sjogren, o sistema imunológico tem como alvo principal as glândulas dos olhos e da boca, secretoras de lágrimas e saliva, respectivamente, mas também pode danificar outras partes do corpo, como articulações, tireoide, rins, fígado, pulmões, pele e nervos.

Quais são os principais sinais e sintomas da síndrome de Sjögren?

Os dois principais sintomas da síndrome de Sjogren são olhos e boca secos. Os olhos secos geram queimação, comichão ou irritação, como se houvesse areia neles. A boca seca torna difíceis os atos de engolir ou falar. Além deles, pode ocorrer também dor, inchaço e rigidez nas articulações, inchaço das glândulas salivares, erupções cutâneas e pele seca, secura vaginal, tosse seca persistente e fadiga prolongada.

Como o médico diagnostica a síndrome de Sjögren?

Pode ser difícil de diagnosticar a síndrome de Sjogren porque seus sinais e sintomas variam de pessoa para pessoa e por que eles podem ser também causados por outras doenças e pelos efeitos secundários de alguns medicamentos. No entanto, uma variedade de testes pode ajudar a excluir outras condições e a apontar um diagnóstico da síndrome de Sjogren. Alguns exames de sangue que meçam a quantidade das diferentes células sanguíneas, a presença de anticorpos e forneçam indicações de inflamações e de problemas no fígado ou rins podem ser úteis. Um exame oftalmológico (teste de Schirmer) pode medir a secura dos olhos. A secura dos olhos pode ser diretamente observado pelo oftalmologista, por meio de um dispositivo de ampliação chamado de lâmpada de fenda. Além disso, exames de imagens como a sialografia e a cintilografia podem detectar características do fluxo salivar. Por fim, uma biópsia do lábio pode revelar padrões celulares e teciduais próprios da síndrome de Sjogren.

Como o médico trata a síndrome de Sjögren?

A síndrome de Sjogren não tem cura e os tratamentos que se pratica visam apenas aliviar os sintomas. Os olhos e boca secos podem ser gerenciados com o uso de colírios e o ato de beber água com mais frequência. Algumas pessoas podem precisar de outros medicamentos ou até mesmo cirurgia. Os medicamentos visam aumentar a produção de saliva. Se houver associação com artrite ou infecções, essas condições devem ser tratadas com medicações apropriadas. Medicamentos também podem ser indicados para suprimir ou minimizar a ação do sistema imunológico.

Pequenos tampões de silicone podem temporariamente ser inseridos nos canais lacrimais para obstruir a drenagem das lágrimas e o mesmo pode ser feito de modo definitivo por meio de uma pequena cirurgia. Alguns autocuidados podem ser de grande ajuda: usar lágrimas artificiais e/ou um lubrificante ocular, reduzir a exposição ao sol e ao vento, usar óculos de proteção quando sair ao ar livre, beber muito líquido, evitar respirar pela boca, usar pastilhas duras (sem açúcar) para aumentar o fluxo de saliva. Suco de limão também pode ajudar a estimular o fluxo de saliva. Há também spray ou pastilhas de saliva artificial que podem ser usados.

Como prevenir a síndrome de Sjögren?

Não há como prevenir a síndrome de Sjogren, mas algumas medidas podem prevenir ou minorar seus efeitos: escovar os dentes e usar fio dental após cada refeição, tratamentos diários com flúor e bochechos antimicrobianos, para evitar as cáries dentárias comuns nesta síndrome. Deve-se evitar banho em água quente, não esfregar a pele e aplicar um hidratante cutâneo. As mulheres que sofrem de secura vaginal devem usar hidratantes e lubrificantes vaginais.

Quais são as complicações possíveis da síndrome de Sjögren?

As complicações mais comuns da síndrome de Sjogren envolvem os olhos e a boca. Os olhos secos podem levar a uma hipersensibilidade à luz, visão turva e úlceras na córnea. Quanto à boca, a síndrome de Sjogren aumenta o risco de cáries dentárias, por falta da saliva que ajudaria a proteger os dentes. As pessoas com síndrome de Sjogren são também muito mais propensas a desenvolver candidíase oral, pneumonias e bronquites ou problemas com a função renal, hepatites ou cirrose no fígado.

Priscila Torres*
Jornalista, motivada pelo diagnóstico de Artrite Reumatoide aos 26 anos, enquanto atuava como enfermeira, estava acostumada a lidar com a dor, porém, a dor dos outros. De repente a dor passou a ser minha companheira. Troquei o cuidar assistencial pelo cuidar informacional e escrevi o Blog Artrite Reumatoide, para compartilhar a minha dor, aprendi então, que Dor Compartilhada é Dor Diminuída.
Hoje sou “Patient Advocacy”, Arthritis Consumer, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde e uma eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.




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