quinta-feira, 30 de março de 2017

Suspeito de matar mãe e filha cadeirante 'por vingança' é preso em Vitória

Jovem de 18 anos foi detido na casa da mãe, em Jardim Camburi. Crime aconteceu em fevereiro, durante a crise de segurança no estado, quando vítimas presenciaram outra morte.

Por G1 ES

Suspeito de matar mãe e filha cadeirante  (Foto: Divulgação)
Suspeito de matar mãe e filha cadeirante (Foto: Divulgação)

Um dos dos suspeitos de assassinar mãe e filha em Vitória foi detido nessa terça-feira (28) pela equipe da Delegacia Especializada de Homicídios Contra a Mulher (DHPM).

Erlita Pereira Gonçalves e sua filha Juliana Pereira Gonçalves foram assassinadas no dia 9 de fevereiro, no bairro Caratoíra, horas após o homicídio de Nelson Eduardo Pereira Gonçalves, filho de Erlita. “Mãe e filha foram testemunhas da morte.

Logo após o crime, elas foram ouvidas e, durante o depoimento, Erlita indicou o suspeito e mais três pessoas como responsáveis pela morte de seu filho. Após saber disso, por vingança, o suspeito matou a mulher e a filha dela com disparos de arma de fogo”, afirmou o titular da DHPM, delegado Janderson Lube.

Durante o depoimento, suspeito negou o crime. “Ele alegou que após tomar conhecimento do homicídio de Nelson, o pai dele foi até o bairro e o levou até Jardim América, em Cariacica, onde ali permaneceu durante o dia todo. Porém, o pai do suspeito foi ouvido e desmentiu as informações prestadas por ele. Dessa forma, não restaram dúvidas que o suspeito participou no crime”, informou o delegado.

Janderson Lube informou também que os outros três suspeitos do crime já foram identificados. “Foram realizadas diligências para cumprir os mandados de prisão temporária, mas os suspeitos não foram encontrados”, disse.

O suspeito foi encaminhado para o Centro de Triagem de Viana (CTV).

Crime
No intervalo de pouco mais de 12h, a mãe e os dois filhos foram mortos a tiros dentro de casa, no Morro do Alagoano, em Vitória, durante a onda de crimes que ocorreu no Espírito Santo.

Morro do Alagoano, em Vitória (Foto: Carlos Alberto da Silva / Arquivo de A Gazeta)
Morro do Alagoano, em Vitória (Foto: Carlos Alberto da Silva / Arquivo de A Gazeta)

Com o policiamento nas ruas prejudicado devido a protestos de familiares de policiais militares, foram 145 homicídios registrados entre o dia 4 e 13 de fevereiro, segundo o Sindicato dos Policiais Civis.

A história de duas, entre 10 mulheres mortas no período, foi contada pela família no DML de Vitória. Mãe e a filha cadeirante foram mortas após presenciarem o homicídio do filho e irmão.

De acordo com o relato, Nelson Eduardo Pereira Gonçalves foi morto em casa, no dia 9 de fevereiro, com 12 tiros. Erlita Pereira Gonçalves e sua filha, Juliana Pereira Gonçaves, foram mortas na manhã do dia seguinte. "É muito triste vir aqui para reconhecer um parente, imagine três".

Os familiares contaram que o rapaz já tinha ficado preso durante seis anos e que recebeu um ultimato para abandonar o morro. Como não saiu do local, foi morto com tiros no corpo e no rosto.

Sem inimizades, mãe e filha podem ter morrido por presenciar o crime. “A mãe era muito querida na região, ela não tinha envolvimento com o tráfico, o filho que era o errado. Elas morreram porque viram o crime”.

A família acredita que as duas tenham sido executadas enquanto dormiam porque o colchão da cama ficou ensanguentado. Juliana, que ficou cadeirante após ser atingida por quatro tiros anos antes, ainda estava usando fraldas. “Os caras são tão covardes que mataram elas dormindo".

Desiludida devido à quantidade de mortes ocorridas no período, a família se sente insegura e não crê na resolução do crime. “Lógico que não vão investigar. O governo não está preocupado com as mortes, eles têm segurança. Quem está preso é a gente”.

A Polícia Civil informou que o crime está sendo investigado e que detalhes não podem ser passado para não atrapalhar o andamento dos trabalhos.

Fonte: g1.globo.com


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