terça-feira, 18 de abril de 2017

A importância de avaliar o idoso dentro de casa

por Mariza Tavares

Imagem Internet Ilustrativa
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No jargão médico, chama-se AGA. Traduzindo: avaliação geriátrica ampla. Isso significa examinar o idoso levando em conta aspectos físicos, funcionais, emocionais, cognitivos e sociais – o que envolve o trabalho multidisciplinar de diferentes especialistas. Felizmente, cada vez mais profissionais da saúde já se convenceram da importância de agir em conjunto, porque o envelhecimento abrange um leque muito amplo de conhecimentos. Este foi um tema recorrente no 10º Congresso Paulista de Geriatria e Gerontologia, realizado no início do mês de abril em São Paulo. O que chama a atenção é que avaliar o paciente em sua própria casa acaba sendo a maneira mais eficiente de traçar um retrato fiel do idoso e das suas necessidades. Afinal, é onde identificamos mais facilmente a história de vida da pessoa; é também o melhor posto de observação da sua rotina e dos cuidados que deverão ser adotados.

Apesar de este tipo de abordagem estar longe de ser o padrão, há pequenas ilhas de excelência no país. Uma delas é o Programa de Assistência Domiciliar ao Idoso da Universidade Federal de São Paulo, coordenado pela assistente social e doutora em ciência Nair Dutra Lemos. Ali também funciona o Ambulatório para Cuidadores, que os próprios especialistas definem como um “paciente invisível”: com frequência ele apresenta sinais de estresse e problemas de saúde que acabam sendo negligenciados. Se considerarmos que é cada vez mais comum encontrar filhos ou sobrinhos acima dos 60 anos que cuidam de familiares na faixa dos 80, podemos imaginar a dimensão do desafio em termos de políticas públicas.

O que faz uma equipe multidisciplinar ao avaliar a pessoa em casa? Como disse a professora Nair Dutra no evento, vai tentar superar “a visão fragmentada do conhecimento”. De que forma? Por exemplo, começando pelo inventário medicamentoso, ou seja, checando a caixa de remédios: a medicação está sendo consumida corretamente ou estão sobrando (ou faltando) pílulas? Nem sempre a prescrição médica é seguida à risca e a saída pode ser o monitoramento telefônico para garantir seu uso correto. Ou observando o ambiente para determinar que adaptações devem ser feitas para diminuir o número de quedas. Ou ainda providenciando orientação para a família sobre o curso da doença, para que os familiares estejam a par da progressão da enfermidade. Acompanhar a hora da refeição pode trazer um número impressionante de informações: o paciente pode se engasgar com facilidade, indicando um quadro de disfagia (quando há alteração no trânsito do alimento da boca para o estômago); ou talvez necessite de incentivo para se alimentar, não bastando deixar o prato pronto na mesa.

Identificar precocemente síndromes geriátricas – como quedas, dores crônicas, lesões de pele ou manifestações de demência – vai ajudar a criar a rede de apoio da família e de amigos. Em colunas anteriores, já tratei da importância de a pessoa mais velha manter ou recuperar sua independência e autonomia, mesmo com limitações impostas pela idade. Nos países mais desenvolvidos, há um esforço concentrado para evitar que o indivíduo perca suas referências mais preciosas. A casa é a última trincheira e devemos fazer o possível para garantir esse território aos nossos entes queridos.

Fonte: g1.globo.com - Imagem Internet Ilustrativa

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