sexta-feira, 7 de abril de 2017

‘Descreve pra mim’, leva escritor cego a cobrar acessibilidade em rede social

Página tem mais de 700 seguidores e quase 150 fotos descritas por eles. Perfil é de Sidney Andrade, de Campina Grande, que é cego há cinco anos.

Dani Fechine* Do G1 PB

   Sidney está enconstado numa parede branca, de óculos escuros, vestido com uma camisa preta com a estampa vermelha de alguns ninjas e segurando uma bengala (Foto: Sidney Andrade/Arquivo Pessoal)
De óculos escuros e segurando bengala, Sidney está encostado em parede branca, vestindo uma camisa preta estampada com ninjas vermelhos (Foto: Sidney Andrade/Arquivo Pessoal)

Há cinco anos Sidney Andrade, de Campina Grande, deixou de ver o mundo com os próprios olhos por um descolamento de retina nos dois olhos. Perdeu a visão e passou a enxergar através da descrição de outras pessoas. De forma lúdica e para tentar mudar nas pessoas o peso e a estigma contra a cegueira, Sidney, que tem 30 anos, criou uma conta na rede social Instagram para publicar imagens e pedir descrições diferenciadas dos seguidores. A página “descreve pra mim” já tem quase 150 publicações e imagens diversas.

A página foi criada em maio de 2015, com o intuito de publicar uma foto por dia. Mas as limitações da própria plataforma dificultaram a periodicidade diária do projeto. Segundo Sidney, o aplicativo não é muito acessível aos cegos.

Para conseguir navegar pela internet no celular ou computador, ele usa um leitor de tela. No entanto, os elementos do Instagram não são identificados para que o leitor consiga fazer a leitura. “Por isso não posto diariamente, para eu publicar uma foto eu tenho que parar uns cinco, dez minutos”, confessou.

Quem não conhece a história de Sidney pode estranhar a criação do perfil no Instagram, já que o aplicativo é liberado apenas para a publicação de fotos. No entanto, as pessoas se surpreendem quando descobrem que o motivo por trás da iniciativa é a quebra de um preconceito e de uma limitação da própria sociedade. “Daí vem o motivo do instagram, a falta de informação. Muita gente desconhece o fato de uma pessoa cega usar computador e redes sociais, acham que a gente não está presente”, explicou.

A página “descreve pra mim” surgiu para ajudar outras pessoas, não apenas Sidney, que teve o privilégio de enxergar até os 25 anos de idade. “O instagram é uma rede só de imagens, seria o ambiente ideal para que eu estimulasse às pessoas esse ímpeto descritivo, para as pessoas entenderem que existem pessoas cegas nas redes sociais e também nas redes sociais que você imagina que não têm pessoas cegas, como o Instagram”, disse.

Fonte: g1.globo.com

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