domingo, 2 de abril de 2017

Rotavírus: nova vacina é testada em países de baixa renda

A infecção mata cerca de 1.300 crianças por dia

Por Andrezza Duarte

Criança é atendida pela ONG Médicos Sem Fronteiras (Foto: Séverine Bonnet / MSF)
Criança é atendida pela ONG Médicos Sem Fronteiras (Foto: Séverine Bonnet / MSF)

diarreia é a segunda maior causa de morte entre bebês e crianças. E uma das principais causadoras é a infecção por rotavírus, que mata cerca de 1.300 crianças por dia, especialmente em países de baixa renda, onde o acesso a saneamento, água tratada e cuidados médicos é limitado.
Segundo informações da ONG Médicos Sem Fronteiras, há uma nova e inovadora vacina disponível, conhecida como BRV-PV, produzida pelo Instituto Serum, na Índia, e adaptada especialmente ao tipo de rotavírus encontrado em países da África subsaariana. Um teste conduzido no Níger, na África Ocidental, com mais de 4 mil crianças com menos de 2 anos, mostrou que o medicamento é seguro e eficaz no combate à gastroenterite grave. Os resultados positivos foram publicados no jornal científico New England Journal of Medicine. De acordo com a ONG, o aspecto mais inovador da nova vacina é que ela dispensa refrigeração, o que permite que o medicamento chegue a regiões remotas.
Atualmente, a vacina BRV-PV está sob revisão da Organização Mundial da Saúde (OMS). Uma vez aprovada, países de baixa renda poderão obtê-la a um preço acessível e fornecê-la às suas populações. Segundo o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, essa vacina não virá ao Brasil: “A vacina administrada na rede pública brasileira é tão atualizada quanto a BRV-PV, sendo a principal diferença a termoestabilidade”, diz.
A vacina no Brasil

Polêmica gira em torna da vacina contra o rotavírus. Isso porque é considerada um medicamento com possíveis efeitos colaterais fortes - muitos associam as reações ao desencadeamento de alergia à proteína do leite de vaca, por exemplo. “Isso é um mito. O que acontece é que ela é aplicada durante o primeiro semestre de vida dos bebês, período em que o sistema imunológico do bebê não está completamente desenvolvido, fazendo com que seja comum pegar viroses, por exemplo”, diz Renato Kfouri. Sobre a alergia ao leite, Kfouri garante que não há relação e diz que a criança que tem alergia provavelmente manifestará a doença antes do primeiro ano de vida, independentemente de ter tomado ou não a vacina. Para ele, a disseminação de informações erradas, principalmente pelas redes sociais, pode colocar em risco a saúde das crianças: “A vacina é indicada para todos e precisa ser administrada”. O infectologista diz, ainda, que, como qualquer vacina, reações como febre (comum em 10% dos casos) e cólicas intestinais (ocorrem em 5% dos casos) podem ocorrer. “Menos de 1% das crianças que tomam apresentam reações mais graves, como sangue nas fezes. Mas todos esses efeitos são passageiros e não necessitam de tratamento”, garante.

A vacina está presente no calendário brasileiro de imunizações desde 2006, e pode ser encontrada em duas apresentações: a monovalente, oferecida pela rede pública, que contém um tipo de rotavírus, mas é capaz de proteger dos outros tipos, por meio da proteção cruzada; e a pentavelente, que oferece proteção direta para cinco tipos de rotavírus e é encontrada exclusivamente na rede privada.
A vacina monovalente deve ser aplicada em duas doses, aos 2 e aos 4 meses de vida, enquanto que a pentavalente deve ser aplicada em três doses, aos 2, 4 e 6 meses. Vale lembrar que ambas as composições utilizam o vírus vivo, porém enfraquecido, o que é chamado de vírus atenuado.
De acordo com o Ministério da Saúde, ao comparar o período antes e depois da adoção da vacina contra o rotavírus houve redução de 74,1% dos óbitos em menores de 1 ano e de 61,4% na faixa etária de 1 a 4 anos. Além disso, foi verificada redução de 44,1% nas internações em menores de 5 anos, no período de 2007 a 2011.
A doença
O rotavírus se caracteriza por uma forma abrupta de vômito, diarreia e febre alta, que podem causar desidratação grave. Em alguns casos, também há sintomas como falta de apetite, náuseas e dores abdominais. A principal forma de contágio é via fecal-oral, ou seja, por contato pessoa a pessoa através de água, objetos e alimentos contaminados e, mais raramente, por propagação aérea.



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