quarta-feira, 19 de abril de 2017

Startup usa tecnologia para transpor barreiras entre surdos e ouvintes

    Foto: Divulgação
    A imagem está no formato retangular na horizontal. Nela contém três rapazes jovens usando roupa usando camisas sociais, dois estão em pé com os braços cruzados e outro está entre eles sentado com os  braços cruzados também, eles estão possando para a foto. Atrás deles tem uma lousa de giz com muitas palavras e desenhos aleatórios. Contém também ao lado dos rapazes uma ilustração do personagem Hugo que faz parte do aplicativo Hand Talk. Fim da descrição.

Um grupo de três jovens empreendedores, criaram o Hand Talk, que é um aplicativo responsável pela tradução automática de texto e voz para Libras, alcançando diversos tipos de públicos.

Acelerado pela Artemisia, o aplicativo é uma das grandes inovações nacionais do segmento de tecnologia assistiva. O termo, originado do inglês assistive technology, é utilizado para identificar recursos e serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar as habilidades funcionais de pessoas com deficiência, resultando em inclusão e melhor qualidade de vida.

“Nesse setor, potencializamos negócios que por meio da tecnologia oferecem produtos e serviços inovadores, que ampliam as habilidades das pessoas com deficiência. Na prática, gerando inclusão e promovendo autonomia – sobretudo da população menos favorecida, de baixa renda. Identificamos e apoiamos a Hand Talk por termos percebido a genuína intenção dos empreendedores e o grande potencial do impacto do negócio, que oferece uma solução inovadora e escalável, e que hoje já influencia a vida de milhares de brasileiros”, avalia Priscila Martins, gerente de Relações Institucionais da Artemisia.

A história do aplicativo começou em 2008, quando o publicitário Ronaldo Tenório, CEO da Hand Talk, teve uma ideia que mudaria não só a própria vida, mas a realidade de milhões de surdos nos quatro cantos do país – um projeto de faculdade, idealizado quando o empreendedor percebeu que poderia unir duas paixões: tecnologia e comunicação, para resolver um problema global e ajudar milhões de pessoas. A ideia ficou guardada por quatro anos. 

Em 2012, Tenório, em parceria com dois amigos e sócios – Carlos Wanderlan (analista de sistemas) e Thadeu Luz (arquiteto especialista em 3D) – se uniram para criar a Hand Talk e o simpático intérprete virtual, Hugo.

Dentro da empresa foi criado o aplicativo Hand Talk, um tradutor de bolso que é usado como um recurso de tradução para Libras, estreitando laços entre surdos e ouvintes. O app conta com a ajuda do Hugo, um intérprete virtual 3D, que traduz texto e voz para a Língua Brasileira de Sinais – que também está presente em uma sessão educativa chamada Hugo Ensina, com uma série de vídeos que ensinam expressões e sinais em Libras a crianças e adultos.

Segundo Ronaldo Tenório, devido à percepção das pessoas e empresas sobre a importância de tornar os canais acessíveis à comunidade surda, a solução já está presente em milhares de websites brasileiros. “O número de usuários tem aumentado exponencialmente. Existem planos para todos os tipos e portes de sites, de forma que a ferramenta pode ser adquirida por um pequeno blog até um grande portal. Quase 70% dos surdos têm dificuldade de compreender o português e, até então, a internet era inacessível para eles”, afirma, acrescentando que tem entre os clientes marcas como Magazine Luiza, Avon, Natura, Pinacoteca do Estado de São Paulo e Catraca Livre.

Desde a criação, a empresa vem recebendo prêmios no Brasil e exterior; foi eleito o melhor aplicativo de inclusão social do mundo no World Summit Award Mobile – prêmio criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), realizado em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. No ano passado, Ronaldo Tenório foi eleito pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology) como um dos 35 jovens mais inovadores do mundo (Innovators Under 35).

A história da Hand Talk começou a mudar em 2013, quando os empreendedores foram selecionados pela Artemisia para passar por um processo de aceleração. “Esse processo foi muito rico para nós. Tivemos muitos mentores, empreendedores e pessoas trabalhando com a gente. Saímos de Alagoas e participamos de vários eventos ao redor do país. Foi um processo esclarecedor em vários pontos de vista, principalmente para entendermos que um negócio de impacto social não é uma ONG: ele tem que ser sustentável, ter escala e receita para crescer e aumentar seu impacto”, conta Carlos, que hoje atende como CTO da empresa.

Hoje, o aplicativo ultrapassou a marca de 1 milhão de downloads e tem 150 mil usuários ativos por mês. Desde a criação, já impactou mais de 6 milhões de pessoas. Em 2017, o app se tornará uma ferramenta global ao incluir a Língua Americana de Sinais. Estima-se que 5% da população de um país seja de surdos, o que representa 15,9 milhões de pessoas nos Estados Unidos. “A expectativa é que até o final deste ano o aplicativo seja lançado nos Estados Unidos e, a partir daí, será mais fácil escalonar para outras línguas e países. Pretendemos, também, abrir uma nova e mais robusta rodada de investimento”, afirma.

Nenhum comentário: