terça-feira, 4 de abril de 2017

“Vontade de morrer”: síndrome que deixa crianças refugiadas em estado de coma se alastra pela Suécia

Mais de 400 já foram diagnosticados nos últimos 10 anos; distúrbio causa mudez e apatia

Do R7

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Mais de 400 crianças e adolescentes refugiados vivendo na Suécia foram diagnosticados com a síndrome desde 2005

Na Suécia, uma síndrome que se alastra entre crianças refugiadas preocupa as autoridades de saúde. É a chamada “síndrome da resignação” — ou uppgivenhetssyndrom —, que se manifesta depois que os meninos e meninas são informados de que serão deportados. Os pacientes entram em estado de coma e passam a apresentar sinais como apatia, mudez, imobilidade, perda de tônus muscular e incapacidade de comer e beber. A longo prazo, permanecem de cama ou em cadeiras de rodas e têm de ser alimentados por sondas.

Acredita-se que a síndrome exista apenas no país escandinavo, onde mais de 400 crianças e adolescentes de idades entre 8 e 15 anos foram diagnosticados desde 2005. De acordo com o jornal médico Acta Paediatrica, um dos mais renomados da pediatria mundial, só em 2016 foram mais de 60 pacientes.

Os especialistas descrevem a doença como “vontade de morrer”. Estímulos que costumam obter bons resultados nos pacientes em coma não deram certo com os diagnosticados com a síndrome da resignação, mas outras avaliações mostraram que as crianças e adolescentes refugiados não sofreram nenhum dano cerebral.

Para os médicos, o distúrbio está diretamente ligado ao medo que os meninos e meninas têm de voltar ao seu país de origem, onde estariam em perigo, além da insegurança de ter de se adaptar a uma nova sociedade depois de já terem se ajustado à realidade na Suécia. A maioria dos afetados vem de repúblicas que pertenciam às antigas Iugoslávia e União Soviética.

Segundo reportagem publicada pela revista The New Yorker, um fenômeno semelhante já havia sido observado entre prisioneiros dos campos de concentração nazistas.

A única cura possível para a síndrome da resignação seria que as famílias dos pacientes recebessem vistos de residência para continuar na Suécia — algo que, inclusive, já é reconhecido pelo Conselho Sueco de Saúde e Bem-Estar.

A melhora na saúde das crianças e adolescentes costuma ser observada meses após suas famílias receberem a reposta de que podem permanecer no país. Há relatos, por outro lado, de que meninos e meninas diagnosticados com o distúrbio que tiveram de ser deportados continuam em estado de coma bastante tempo após voltarem a seu país de origem.

País é recordista em pedidos de asilo

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   Suécia foi país da Europa que mais recebeu refugiados em relação ao tamanho da população em 2015

Entre 2015 e 2016, a Suécia recebeu mais de 160 mil pedidos de refúgio — mais do que qualquer país da Europa comparativamente ao tamanho de sua população. A Agência de Migração Sueca afirma que o país deu asilo a mais de 180 mil refugiados em 2015, o que representa mais que o dobro do total em 2014.

Atualmente, as autoridades do país sofrem para abrigar todos os refugiados em condições seguras: hotéis, escolas desativadas e antigos prédios foram transformados em abrigos temporários para imigrantes que ainda não obtiveram uma resposta para seu pedido de asilo.

Para conter a imigração, o país passou a adotar regras mais restritas no recebimento de refugiados. O controle surtiu efeito e diminuiu a chegada de imigrantes de 10 mil para 800 por semana no último ano.

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