quinta-feira, 25 de maio de 2017

Andreia, 38 anos, mãe de Miguel, 4, fala sobre o orgulho que tem do filho, a quem se refere carinhosamente por "downlindo"

Por Depoimento dado a Andrezza Duarte

Resultado de imagem para Síndrome de Down: “Essa condição contagia… Com doses extras de amor!”
Família Novais: "Eu e o meu marido temos muito orgulho do nosso filho e enchemos a boca para falar dele e de todas as suas conquistas e desafios durante esses quase 5 anos de vida". (Foto: Acervo pessoal)

“Às vésperas do meu aniversário, fui presenteada com Miguel, hoje minha alegria de viver. Era uma sexta-feira 13 e, naquela sala de cirurgia, um mix de sentimentos indescritíveis percorria por todo o meu corpo. Ao meu lado, médicos confiáveis, minha irmã na função de fisioterapeuta, e meu marido. Até que ouvi o primeiro chorinho.... Não dá para descrever. Soubemos da possibilidade de ele ter síndrome de Down poucas horas depois do parto. A pediatra havia dito que ele havia nascido com um olhinho um pouco baixo e que precisaria passar por alguns exames para descartar a doença, mas que tinha algumas características de Down. Foi um choque, afinal, seus exames durante o pré-natal estavam perfeitos - inclusive o que é realizado para averiguação de síndromes.

Teríamos a confirmação em um mês, mas independentemente do resultado, o Miguel já era nossa razão de viver. No fim, as suspeitas foram comprovadas. E receber a notícia foi como ficar de luto. Aquelas expectativas que geralmente antecedem os pais, antes da tão sonhada e esperada hora do nascimento, “como ele será”, cor dos olhinhos, como seria o cabelinho, ser mais parecido com o pai ou com a mãe, tudo que foi sonhado durante a gestação, nove meses de idealizações, foram perdidos e desfeitos com esse primeiro susto inicial. Só pensava: “Meu Deus...serei capaz?” Daquele momento em diante, passamos a viver pelo Miguel. O amamos acima de tudo. A síndrome para mim e meu marido, não é empecilho. Mas, desde o começo, reconhecemos que precisamos de ajuda para lidar com os novos desafios - se um bebê necessita de cuidados, uma criança com Down requer mais ainda.

Nosso maior desafio sempre foi o de proporcionar um desenvolvimento eficaz e de qualidade. E mostrar a ele quanto ele é capaz. Ah, se ele soubesse quanto nos influencia e nos ensina! Só temos a agradecer. Por isso, damos nosso melhor: o estimulamos desde cedo com atividades e terapia, o que traz um conforto diário e, consequentemente, ajuda no desenvolvimento, socialização e autonomia ao longo dos anos. Atualmente, há diversas opções de terapia, como equoterapia, fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia. Mas acertar um profissional que acompanhe essas crianças continuadamente, não é lá uma tarefa muito fácil. Várias tentativas acontecem - precisa ser bom tanto para o profissional, quanto para a criança e sua família.

Aos poucos, fomos encontrando um caminho. Aprendi que o Miguel é puramente uma criança encantadora, dono de um jeito único e especial de ser. Ele é capaz de irradiar amor e alegria por onde passa. E, assim como deve ser uma criança, ele é esperto, arteiro, sapeca, brincalhão e, claro, tem seus momentos de birra e teimosia. Aprendi também que o Miguel não é sinônimo de síndrome de Down. E que a síndrome de Down é simplesmente um acontecimento genético. Conviver com uma pessoa que tem 47 cromossomos em vez de 46 é, justamente, o que tem nos ensinado que ser diferente é normal. E que, acima de qualquer limitação, o que prevalece é o amor e o respeito ao próximo.

Dar esse depoimento à CRESCER não foi fácil, pois tivemos que reviver momentos difíceis. Mas nós, eu e o meu marido, temos muito orgulho do nosso filho e enchemos a boca para falar dele e de todas as suas conquistas e desafios durante esses quase 5 anos de vida. Ao mesmo tempo, poder falar sobre isso nos traz paz e uma certeza incontestável: somos imensamente feliz com nosso “downlindo”. Sem o nosso Miguel, não teríamos descoberto o verdadeiro amor e o verdadeiro sentido de viver.”

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