quinta-feira, 25 de maio de 2017

DESABAFO - Não pude participar por ser cadeirante!

Eu estava passando por uma fase bem diferente de todas que já havia passado, me sentia rejeitada por todos, mas não entendia o motivo desse sentimento.


Depois de algum tempo eu comecei a refletir e perceber que essa minha tristeza começou a surgir desde o momento que eu me preocupava em ligar para os lugares (restaurantes, bares,...) para ver se tinha acesso pra mim, e na maioria das vezes não tinha. Quando eu não ligava, chegava no local e acabava tendo de ser carregada degraus a cima, ou ter que passar pela cozinha, e até mesmo ficar trancada na porta. Eu fingia que não, mas isso me deprimida muito...

Em certos momentos cheguei a tentar me convencer de que o melhor pra mim seria me isolar, "dar um tempo pra cabeça", pois deveria ser uma fase ruim e que logo as coisas iriam melhorar.

Mas os dias passaram e esse sentimento de rejeição não sumia, e para "ajudar", em menos de dois meses fui convidada para participar de dois eventos e um aniversário, mas os três foram realizados no segundo andar é não tinha acesso pra mim. Ouvir a frase "Todos estão convidados...Mas, desculpa Carol, não tem como você ir", me doía muito!

Nestas três vezes que eu não pude participar, em cada uma delas eu fui pro quarto praguejar a sociedade por ela não notar as minhas necessidades e nem fazer questão da minha presença... Mas do que isso iria adiantar?

Foi aí que decidi sair do quarto e fazer a sociedade me enxergar de verdade, e fazer a inclusão acontecer em todos os lugares!

Muita gente acredita que para a inclusão se tornar realidade, basta remover todas as barreiras arquitetônicas que está tudo resolvido... É claro que isso ajuda muito, mas antes de tudo, é essencial remover as barreiras ATITUDINAIS!

Na minha opinião, esse tipo de barreira é a pior de todas.

Barreiras atitudinais se refere a todo tipo de atitude que prejudica alguém. Como por exemplo, construir uma escada na entrada de algum local, sabendo que existem muitas pessoas que não conseguem subir nela. Essa falta de bom senso e de respeito é uma barreira atitudinal, pois devido a atitude de construir uma escada, acaba impedindo a entrada de pessoas com deficiência, idosos e outros.

Eu já fui em alguns pubs e sugeri algumas adaptações, mas não foram realizadas até hoje.

Essa falta de atitude em melhorar o ambiente pra gente, também é uma enorme barreiro que dificulta muito a inclusão das pessoas com deficiência.

Porém, quero acreditar que nem tudo está perdido e quero continuar sugerindo e provocando mudanças, pois sinto na pele como é ser excluída.

Chega de pensar que a culpa de eu estar passando por tudo isso, é da minha deficiência, a culpa é da sociedade que não quer me enxergar!

Vou fazer desse sentimento de rejeição, o meu combustível para brigar por mais lugares acessíveis, e também gritar "nós existimos"!

Não sei se vou melhorar, mas me isolar dentro do quarto por causa dos outros... não dá!
Mas lutar sozinha é muito difícil... Posso contar com sua ajuda também?

Um comentário:

JOSE MARCIO PEREIRA disse...

É isso mesmo tá certíssima, ninguém olha para nós deficientes passam por cima.
Depois vem com desculpas.