quarta-feira, 24 de maio de 2017

Empresa inclusiva tem funcionário mais produtivo

Exemplo da Accenture mostra que compreender as características de pessoas com deficiência, suas necessidades e objetivos, transforma o ambiente corporativo de forma positiva. Apostar na qualidade de vida dos empregados traz benefícios para a companhia.

Luiz Alexandre Souza Ventura

           Imagem: Divulgação
           Giselle Serafim tem hemiplegia no lado esquerdo e, dois dias por semana, exerce suas funções em casa. Imagem: Divulgação
Giselle Serafim tem hemiplegia no lado esquerdo e, dois dias por semana, exerce suas funções em casa.

A fonoaudióloga Giselle Serafim, de 32 anos, trabalha há nove na Accenture Brasil, empresa global de consultoria. Atua como especialista em potencializar talentos. Ela tem hemiplegia no lado esquerdo e, dois dias por semana, exerce suas funções em casa.

“Dois pontos me ajudam muito. Consegui diminuir minha carga horário de trabalho, conforme orientação médica, de oito para seis horas diárias. E essa redução melhorou minha qualidade de vida porque posso fazer minhas atividades físicas sem chegar no limite do esgotamento”, explica.

Trabalhar à distância, em home office, pode parecer simples, fácil de fazer, uma forma moderna de atuar profissionalmente, mas existem detalhes que precisam ser observados com atenção.

Samantha Dutra é gerente senior da Accenture. Imagem: Divulgação/Sebastião Moreira

Essa prática ainda é adotada por muitas companhias para manter a pessoa com deficiência no quadro funcional, respeitando a cota exigida pela Lei nº 8.213/1991 – a chamada ‘lei de cotas’ -, mas sem qualquer interesse na capacidade dessa pessoa.

Para evitar a sensação de exclusão, a Accenture oferece tecnologia e recursos. “Os funcionários participam da rotina da empresa e de suas equipes. Temos acompanhamento de profissionais da área de recursos humanos para apoio em qualquer possível dificuldade”, afirma Samantha Dutra, gerente senior da companhia. “É uma prática oferecida aos profissionais e alinhada com as respectivas lideranças, de acordo com as características de cada posição e cada projeto”, diz.

Samantha destaca que a flexibilização é benéfica para empresa e funcionário. “Permite, por exemplo, que os colaboradores mantenham um equilíbrio saudável entre vida pessoal e profissional, tornando-se mais engajados e produtivos. É parte importante da nossa cultura”, explica a gerente.

“Não tem como eu me sentir só. Trabalho com colegas de Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Buenos Aires e Recife. A interação é tão grande que nem parece que estamos em estados diferentes ou até mesmo em outro país. Tanto do escritório quanto de casa eu me sinto envolvida e em equipe sempre”, destaca Giselle Serafim.

“Tanto do escritório quanto de casa me sinto envolvida e em equipe sempre”, destaca Giselle Serafim. Imagem: Divulgação

E não é apenas quando o empregado está longe que a acessibilidade é uma preocupação. Dentro do escritório a estrutura física para pessoas com deficiência tem base nas características e condições desses funcionários, a partir de sugestões de profissionais técnicos da área de acessibilidade, validação da equipe de segurança do trabalho e dos próprios colaboradores.

São rampas de acesso, banheiros e elevadores acessíveis, painéis em braile nas áreas comuns e nas máquinas de café, e um aplicativo de voz para pessoas com deficiência visual.

Mercado de trabalho – Giselle Serafim afirma que, de maneira geral, existe acesso de pessoas com deficiência ao emprego, mas longe do ideal. “Muitas vagas são generalistas, deixando para depois a avaliação do perfil do profissional e seu direcionamento dentro da empresa”, comenta a fonoaudióloga.

Lei de Cotas – “É sempre um ponto que gera discussão. O principal erro que as empresas ou demais instituições cometem é ter como prioridade apenas o cumprimento da regulamentação, sem preocupação com a qualidade dessas contratações e o desenvolvimento dos profissionais que incorporados”, conclui Giselle.

Encontro anual da Accenture celebra o Dia Internacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Imagem: Divulgação

Entre as políticas adotadas pela Accenture para defender e ampliar a inclusão está um encontro anual, criado para celebrar o Dia Internacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (3 de dezembro), organizado pelo setor de Recursos Humanos. Nessa reunião, aproximadamente 100 funcionários debatem políticas de inclusão, diversidade, contratação e gestão de pessoas com deficiência física, sensorial e intelectual.

#blogVencerLimites participou do encontro de 2016. Entre os pontos abordados, um dos mais importantes diz respeito à forma como a empresa trata os funcionários com deficiência, contratados por suas capacidades e habilidades, e não apenas para cumprir a cota exigida por lei.



Antonio Salvador (Grupo Pão de Açucar – GPA), Christiane Berlinck (IBM), Beatriz Sairafi Heinemann (Accenture), Maria Elisa Gualandi Verri (TozziniFreire Advogados), José Luiz Rossi (Serasa Experian), Fábio Maceira (JLL), Alexandre Espinosa (Natura), Roberto Martorelli (EY) e Osvaldo Kalaf (Dow) assinaram a carta de adesão ao Pacto pela Inclusão de Pessoas com Deficiência. Foto: Divulgação
Antonio Salvador (Grupo Pão de Açucar – GPA), Christiane Berlinck (IBM), Beatriz Sairafi Heinemann (Accenture), Maria Elisa Gualandi Verri (TozziniFreire Advogados), José Luiz Rossi (Serasa Experian), Fábio Maceira (JLL), Alexandre Espinosa (Natura), Roberto Martorelli (EY) e Osvaldo Kalaf (Dow) assinaram a carta de adesão ao Pacto pela Inclusão de Pessoas com Deficiência. Foto: Divulgação

Pacto – A Accenture Brasil foi uma das 15 empresas nacionais que receberam em dezembro do ano passado, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York (EUA), o prêmio ‘Reconhecimento Global – Boas Práticas para Trabalhadores com Deficiência’, promovido pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo.

E a companhia também faz parte da Rede Empresarial de Inclusão Social, que assinou em 20 de outubro de 2016 a carta de adesão ao  Pacto pela Inclusão de Pessoas com Deficiência.

O documento, que tem a chancela da OIT (Organização Internacional do Trabalho), estabelece metas e diretrizes para promover uma cultura interna e um ambiente inclusivo e acessível nas empresas, cria um diagnóstico e o monitoramento do progresso das organizações para a inclusão, além de avaliar constantemente o interesse genuíno das empresas envolvidas em cumprir os compromissos assumidos.

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