sábado, 6 de maio de 2017

Garoto de dez anos fica cego por conta de reação alérgica a remédio para febre: "Ele queimou de dentro para fora"

Menino desenvolveu síndrome rara que compromete órgãos e causa erupções cutâneas

Do R7

                             Reprodução/Daily Mail
                                     
Xander Cabales desenvolveu reação alérgica rara chamada de Síndrome de Stevens-Johnson

Um garoto americano ficou cego após ter uma rara reação a um remédio para febre. Em junho de 2014, Xander Cabales, de dez anos de idade, havia tomado um medicamento chamado Motrin — remédio à base de ibuprofeno comumente usado para tratar crianças, que não necessita de receita médica para ser vendido.

Em um período de apenas cinco dias após o início do tratamento com o remédio, o organismo do menino respondeu mal à medicação e Cabales ficou com os órgãos comprometidos. Seu pulmão esquerdo, por exemplo, entrou em colapso. O garoto ainda sofreu um choque séptico — condição em que pressão sanguínea cai significativamente e o fluxo de sangue para o cérebro ou para os rins é interrompido.

Os médicos dizem que ele desenvolveu a Síndrome de Stevens-Johnson, uma reação alérgica grave e imprevisível que causa erupções cutâneas nos olhos, no nariz, na uretra, no trato respiratório e pode inclusive levar à morte.

A síndrome deixou Xander Cabales, que tinha visão perfeita, parcialmente cego. Atualmente, o garoto tem de usar óculos escuros todas as vezes em que sai para áreas externas. Ele também precisa da proteção em locais de luz artificial muito forte para que não perca o pouco de visão que ainda tem.

A mãe do menino, Laura, publicou recentemente as fotos em redes sociais para conscientizar a população sobre os efeitos da reação alérgica na vida de seu filho. Ela conta que, enquanto estava doente, Xander ficou "cheio de bolhas, descascando, queimando de dentro para fora. Foi devastador". Os médicos do hospital tiveram de enfiar um tubo de oxigênio por sua boca enquanto os pulmões do garoto não conseguiam trabalhar.

Laura e seu marido Ronnie haviam medicado Xander com Motrin por conta própria depois que o garoto alegou não estar se sentindo bem. Ele apresentava febre e, no momento que tomou o remédio, sua temperatura melhorou — mas voltou a subir em níveis muito piores apenas algumas horas depois. A febre atingiu 40,5 °C e Xander ficou letárgico, sem movimentos, e os pais decidiram levá-lo imediatamente ao hospital local.

Os médicos logo diagnosticaram o menino com uma série de enfermidades, como pulmão comprometido, infecção respiratória e pneumonia bacteriana. Ele teve de passar por um coma induzido e ficou inconsciente por três semanas até que o tratamento com antibióticos fizesse efeito e seu corpo pudesse se recuperar.

Danos a longo prazo

Quase três anos após o incidente, Xander está, finalmente, melhorando. Mas os impactos a longo prazo da reação alérgica são significantes: hoje, o menino não produz saliva e os tecidos de proteção de seu pulmão foram completamente comprometidos — o que significa que ele não pode tossir ou limpar naturalmente qualquer tipo de muco. Ele respira com a ajuda de um nebulizador, que usa três vezes ao dia.

A família ainda lamenta que, desde que voltou à escola após a recuperação, Xander tem sofrido bullying.

                                Reprodução/Daily Mail
                                        
Síndrome causou erupções cutâneas no corpo do garoto, que teve de ficar em coma induzido por três semanas

Um porta-voz da Johnson & Johnson, que produz o medicamento Motrin, declarou que a empresa "é comprometida com o fornecimento de medicamentos seguros e efetivos. Em décadas de uso, o ibuprofeno se provou seguro e efetivo quando usado corretamente e conforme orientação profissional. Nós nos solidarizamos com a dor sofrida por qualquer pessoa afetada pela Síndrome de Stevens-Johnson".


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