domingo, 28 de maio de 2017

Hospitais do Estado têm 108 pacientes internados sem identidade conhecida

Delegacia especializada em pessoas desaparecida ajuda nas investigações

Juca Guimarães, do R7

Juca Guimarães/Montagem R7
Os hospitais alimentam o cadastro de pacientes que foram internados sem documento e não sabem quem são

Mais de uma centena de pessoas estão internadas na rede pública de Saúde do Estado de São Paulo sem que os médicos saibam o nome, quem são os parentes e qual o seu endereço.

Para tentar descobrir o passado desses pacientes, e assim ter informações mais completas que possam ajudar no tratamento, a Secretaria Estadual de Saúde mantém um banco de dados virtual com fotos e características dos pacientes que deram entrada nos hospitais sem documentos e sem acompanhante. No cadastro do Estado, eles são identificados por números.

Segundo a Secretaria de Saúde, são os próprios hospitais que alimentam o banco de dados. Entre as informações disponíveis sobre os pacientes sem identificação estão: idade aparente, cor, altura, peso, traços característicos (como tatuagem ou cicatriz) e o endereço do hospital onde está internado. O cadastro também traz o nome e o e-mail de contato do serviço social da instituição de saúde.

Em alguns casos, quando o paciente apresenta algum nível de lucidez, também é informado o nome pelo qual ele próprio se identifica. No CAISM (Centro de Atenção Integrada de Saúde Mental) da Santa Casa de São Paulo, no bairro da Vila Mariana, na zona Sul da capital, uma paciente negra, de aproximadamente 50 anos, 1,56m, olhos e cabelos pretos, disse que se chama Neusa Aparecida Gomes. No banco de dados dos pacientes sem identificação, ela é o número 691.

Alguns pacientes desconhecidos aparentam ser bem jovens. É o caso de um rapaz de, no máximo, 23 anos, que está internado no hospital Santa Marcelina, em Itaquera, na zona Leste da capital. Ele é o número 676, tem a pele parda, olhos e cabelos castanhos. A altura estimada pelos médicos é de 1,65 m e pesa 70 kg.

Clique AQUI e veja todos os 103 pacientes não identificados que estão internados na rede estadual de São Paulo.

Polícia

A Polícia Civil de São Paulo tem um departamento de investigação de pessoas desaparecidas que também atua na identificação dos pacientes internados sem documentação.

Para colaborar com as buscas, a legislação prevê que as unidades de saúde comuniquem à Delegacia de Pessoas Desaparecidas (4ª Delegacia do DHPP) a respeito das ocorrências envolvendo pessoas desacompanhadas, em estado inconsciente, de perturbação mental ou impossibilitadas de se comunicar, fornecendo o máximo de detalhes, como características físicas e vestimenta. A partir daí, são realizadas pesquisas nos bancos de dados disponíveis à Polícia Civil para a identificação desse paciente e a pronta comunicação aos familiares sobre o paradeiro.

Uma ferramenta que contribui com o trabalho da especializada é a coleta de impressões digitais desses pacientes, por meio de uma equipe especializada do IIRGD (Instituto de Identificação Ricardo Glumbleton Daun).

Abandono

A família, quando identificada, tem o dever legal de prestar apoio ao paciente. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, os parentes que não cuidarem do familiar doente podem ser responsabilizados por crime de abandono material. Esse tipo de denúncia pode ser feita em qualquer distrito policial.



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