quarta-feira, 17 de maio de 2017

Justiça reabre inquérito contra parque onde um empresário ficou tetraplégico em SP - Veja o vídeo.

Para juiz, investigação não foi 'esgotada'. Além de Carlos Magon, outras duas pessoas se acidentaram no parque aquático.

Por Gabriela Gonçalves, G1 SP, São Paulo

A filha mais velha e uma enfermeira cuidam de Carlos Magon (Foto: Marcelo Brandt/G1)
A filha mais velha e uma enfermeira cuidam de Carlos Magon (Foto: Marcelo Brandt/G1)

A Justiça de São Paulo decidiu reabrir o inquérito contra o parque aquático Thermas dos Laranjais para apurar as causas do acidente que deixou o empresário Carlos Magon tetraplégico, em julho de 2015. A decisão é de abril e as investigações serão aprofundadas.

O juiz Eduardo Luiz Abreu da Costa, da Vara Criminal do Foro de Olímpia, no interior paulista, pediu que as investigações fossem retomadas porque considerou "não esgotadas, conforme relatório feito, as diligências realizadas pela autoridade policial" e que "requer, portanto, a devolução dos autos, para ulteriores diligências, a serem realizadas pela autoridade policial".

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Na época do acidente, a direção do Thermas dos Laranjais disse que prestou toda a assistência à vítima. Em nota, o clube afirma que "tem por política não se manifestar sobre investigações policiais em curso, ratificando sua total confiança no trabalho que vem sendo realizado pelas autoridades. Informações oficiais sobre as investigações podem ser obtidas diretamente perante a autoridade policial".

O comunicado acrescenta que o Clube Dr. Antonio Augusto Reis Neves (nome oficial do Thermas dos Laranjais) "reitera seu pesar pelo infortúnio ocorrido com o senhor Carlos Alberto Magon, mas não pode aceitar a responsabilidade que se lhe quer imputar. O Clube Dr. Antonio Augusto Reis Neves não contribuiu para o infortúnio e, embora não tenha responsabilidade pelo ocorrido, prestou toda a assistência ao senhor Carlos Alberto Magon e à sua família".

Outros acidentes
Além de Carlos, outras duas pessoas se acidentaram no parque e disseram não receber atendimento correto. Edson Aparecido Sertorio, de 53 anos, ficou paraplégico e Gabriel Quedas Dottavio, de 31 anos, sofre de dores crônicas. Os dois moram em São Paulo, onde fazem tratamento para tentar diminuir as consequências das lesões sofridas.

Atração 'bolha gigante' que Carlos Magon e Edson Sertorio se acidentaram (Foto: Divulgação / Site oficial)
Atração 'bolha gigante' que Carlos Magon e Edson Sertorio se acidentaram (Foto: Divulgação / Site oficial)

Segundo o advogado Eduardo Barbosa, as investigações, em um primeiro momento, não foram feitas de forma mais profunda. “Muita gente precisa ser ouvida ainda, toda a diretoria do parque. Quero saber se esse brinquedo estava em ordem, se ele podia funcionar e o porquê esse brinquedo foi alterado depois dos acidentes.”

Depressão
Quase dois anos após o acidente, a saúde de Carlos exige cuidados 24h. Além disso, foi um laudo feito por um psiquiatra atesta que a esposa Solange Magon e duas, das quatro, filhas estão com depressão.

As filhas mais novas do empresário são as que apresentaram problemas emocionais mais graves. No laudo, o psiquiatra forense evidencia a sensação de culpa que Marina, de 17 anos, tem pelo acidente do pai e os ataques de pânico sofrido pela menina. Sobre Júlia, de 9 anos, notou-se mudança de comportamento e diminuição no rendimento escolar.

Após o laudo, o advogado Eduardo Barbosa e Ricardo Breier, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio Grande do Sul (OAB-RS), pediram tratamento psicológico ao parque. Segundo eles, o pedido foi negado. “Não se trata de ganho material. Busca-se tratamento para estas pessoas que estão doentes emocionalmente”, alega Barbosa.

Carlos Alberto Magon ficou tetraplégico após o acidente (Foto: Reprodução/TV TEM)
Carlos Alberto Magon ficou tetraplégico após o acidente (Foto: Reprodução/TV TEM)

Acidente
Em julho de 2015, o empresario Carlos Alberto Magon ficou tetraplégico após cair de um brinquedo chamado “bolha gigante”. Com a queda, as vértebras C4 e C5, que ficam perto da nuca, foram lesionadas.

Uma das filhas, de 15 anos, viu que o pai não conseguia se mexer e, por isso, começou a se afogar. “Ela não conseguiu tirá-lo da água e dois banhistas ajudaram. O médico informou que isso prejudicou. Ele já deveria ter saído da água numa prancha de resgate”, disse a mulher do empresário, Solange Cristina Machado Magon, de 43 anos.

Segundo a família, a direção do parque pagou, durante sete meses, os gastos de serviço "home care", que é o atendimento feito por profissionais da saúde em casa. Para conseguir este atendimento, a família entrou com pedido de liminar.

Carlos tem uma enfermeira 24 horas e precisa da ajuda de mais uma pessoa. Os gastos com fisioterapeutas, cadeira de rodas, reformas na casa, medicamentos, equipamentos médicos e psicólogos para Carlos e suas quatro filhas são pagos pela família da vítima.

Carlos, Edson e Gabriel sofreram acidentes no Parque dos Laranjais (Foto: Marcelo Brandt e Fabio Tito/G1)
Carlos, Edson e Gabriel sofreram acidentes no Parque dos Laranjais (Foto: Marcelo Brandt e Fabio Tito/G1)

Outros acidentes
Edson Aparecido Sertorio, de 53 anos, também se machucou no brinquedo "bolha gigante". No dia 17 de dezembro de 2015, o contador escorregou e bateu com a cabeça no fundo da piscina. “Enquanto eu estava sentado e aguardando socorro, meus braços estavam adormecidos”, conta Edson, que foi resgatado da piscina por banhistas e aguardou sentado pelos socorristas do Parque.

Com a batida, as vértebras c5 e c6 foram lesionadas e Edson ficou sem o movimento das pernas e com problemas nas mãos. “Eu não consigo ter movimento de 'pinça' nas minhas mãos e dedos, não tenho o movimento de pegar as coisas, porque eles estão fracos e rígidos. Eu também não consigo fechar a mão direita”, explica.

Após um mês e meio internado, o contador recebeu alta médica e começou sua adaptação em casa. “Minha vida profissional, pessoal e financeira foram alteradas. Hoje, eu mais gasto do que ganho. Fico em casa sem produzir nada.”
Os primeiros gastos, cerca de R$ 1.200, com botas ortopédicas e algumas adaptações foram ressarcidos pelo parque. Segundo o contador, a única assistência recebida. “No segundo contato, eu disse que precisava de reformas dentro de casa, eu mandava e-mails para eles e eles não me atendiam mais. Desde então eles se isentaram e eu procurei advogados”, garante Edson, que está afastado do trabalho desde janeiro deste ano.

Em setembro de 2015, Gabriel se acidentou em outro brinquedo – um tobogã em que duas pessoas escorregam por meio de uma boia. Ele e a esposa escorregaram juntos e, ao chegar na piscina, o corretor de imóveis bateu a cabeça. No momento da batida, ele sofreu um choque e não sentiu as pernas nem os braços.

“Depois de uns 10 minutos, chegou um socorrista com uma cadeira de rodas. Eles me levantaram e me levaram até o ambulatório. Minha esposa pediu a prancha [de resgate], e eles falaram que levariam na cadeira de rodas, que seria ‘rapidinho’”, conta.

Com a batida na cabeça, a vértebra achatou e tocou a medula espinhal. Atualmente, a fratura está consolidada e há um achatamento de 70%. Gabriel sofre de dores crônicas e, recentemente, um médico constatou a necessidade de uma operação.

Sem nunca ter sido contatado pelo parque, o corretor de imóveis considera o parque “irresponsável e negligente”. “O atendimento não foi correto, o erro hospitalar, erro médico. Eles não têm estrutura nenhuma. Eu sei que já afetou muitas pessoas e pode afetar mais gente.”

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Polícia investiga causas de acidente que deixou empresário tetraplégico

Fonte: g1.globo.com

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