quarta-feira, 10 de maio de 2017

Médicos dos EUA mudam instrução para detecção de câncer de próstata

de São Paulo

Lalo de Almeida/Folhapress
Grupo verificou um pequeno benefício de exame e um equilíbrio entre os prós e contras
Grupo verificou um pequeno benefício de exame e um equilíbrio entre os prós e contras

Um grupo de cientistas e pesquisadores influentes ligado ao governo americano, o chamado US Preventive Services Task Force, voltou atrás em sua contraindicação de um exame para detectar o câncer de próstata, o PSA.

Em 2012, eles afirmaram que o exame de sangue para medir o PSA(antígeno prostático específico, na sigla em inglês) não devia mais ser usado em homens saudáveis.

O teste detecta a elevação de uma proteína produzida pela próstata e é um indicativo de câncer, mas o método é criticado por dar falsos-positivos, já que uma dosagem alta de PSA também pode ser sinal de infecção ou  crescimento benigno da próstata.

À época, a força-tarefa afirmou que a popularização do teste teve consequências devastadoras, aumentando o número de biópsias e tratamentos, cirurgias e retirada da próstata, que poderiam ter sido evitados.

Nesta terça (9), porém, o grupo americano recomendou que os médicos informem os homens de 55 a 69 anos sobre os potenciais benefícios e riscos do exame e afirmou que a decisão de fazê-lo deve ser individualizada, após discussão entre clínicos e pacientes. A recomendação foi publicada na revista científica "Jama", da Associação Médica Americana, e é válida para homens saudáveis que não tiveram câncer e que não têm sinais da doença.

Após revisão de estudos, o grupo verificou um pequeno benefício do exame e um equilíbrio entre os prós e contras. "Para homens mais dispostos a aceitar os potenciais danos, o rastreamento pode ser a melhor escolha. Homens mais interessados em evitar esses danos podem escolher não fazer o exame", diz o grupo.

A força-tarefa também notou que há homens com baixo risco de câncer optando por fazer um acompanhamento do tumor, com exames de PSA e de toque retal e biópsias, em vez de tratá-lo agressivamente. Essa abordagem reduz o risco de malefícios do excesso de tratamento, diz o texto.


Na época da contraindicação, a decisão foi criticada e não foi endossada por muitas sociedades médicas, que recomendavam que o  exame só fosse feito após discussão com o paciente.

Essa é a posição da Sociedade Brasileira de Urologia, da American Urological Association e da American Cancer Society.



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