segunda-feira, 1 de maio de 2017

Perda auditiva compromete desenvolvimento emocional

Perda auditiva pode afetar até desenvolvimento emocional da criança

PERDA AUDITIVA COMPROMETE DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL

Especialistas afirmam que a deficiência pode ser confundida com dificuldade de aprendizagem. Criança que não ouve não aprende a falar.

As pessoas que nascem com perda auditiva têm dificuldades para aprender a dizer as frases porque não ouvem bem as vozes de seus interlocutores e não podem imitar corretamente, como exige o aprendizado da fala.

Eles também não podem ouvir a própria voz e, portanto, são incapazes de pronunciar com clareza. Mas a perda auditiva tem efeitos ainda mais devastadores no desenvolvimento das crianças, segundo a presidente da ABA (Academia Brasileira de Audiologia), Katia Alvarenga.

Nas crianças, a perda de audição interfere no desenvolvimento de fala e linguagem, bem como no desempenho escolar, levando a baixa autoestima, repetência, exclusão e abandono escolar. Existem casos de crianças que foram identificadas com déficit de atenção, quando na verdade possuíam deficiência auditiva.

Dados da OMS apontam que aproximadamente 32 milhões de crianças, no mundo inteiro, possuem algum tipo de deficiência auditiva, sendo que 40% dos casos ocorre devido problemas genéticos e 31% por infecções como sarampo, rubéola e meningite.

No Brasil, segundo dados do Censo de 2010 realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), estima-se que um milhão (dos 9,7 milhões de pessoas que têm deficiência auditiva) são jovens de até 19 anos. Estima-se que 3 em cada 1000 crianças sofram com algum tipo de perda auditiva, afirma Katia.

De acordo com a presidente da Gatanu (Grupo de Apoio à Triagem Auditiva Neonatal), a fonoaudióloga Elaine Soares, assim que o bebê nasce, ele está pronto para adquirir a capacidade de escutar porque o sistema auditivo já está desenvolvido.

Percepções auditivas muito simples são possíveis logo após o nascimento e, às vezes, até antes. O bebê percebe falas rápidas e já conseguem se divertir com música. Mas há diferença entre ouvir e escutar. Os sons entram pelo aparelho auditivo e precisam fazer sentido, ter significado.

Quando a estimulação auditiva não existe isso vai muito além de prejudicar apenas a fala. Temos que pensar na linguagem como algo mais complexo. Habilidades são adquiridas, conceitos, o desenvolvimento intelectual e emocional da criança porque houve falhas na formação de conexões cerebrais.

Esse é um período importante de maturação. O cérebro de uma criança que não teve essa estimulação auditiva será diferente, principalmente no 1º ano de vida. A criança tem que aprender a linguagem oral porque o mundo é falado.

Elaine ainda afirma que a perda auditiva é uma das deficiências mais comuns e que a maioria dos casos pode ser prevenida.

A capacidade auditiva das crianças, incluindo recém-nascidos, pode ser avaliada por meio de exames, como o PEATE (Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico) e o EOA (Emissão Otoacústica). Os dois procedimentos podem ser realizados logo após o nascimento.

Segundo Elaine, com os testes dos exames, é possível detectar o grau de perda auditiva da criança e o médico indica as formas de tratamento mais adequadas. Entre dois e três dias após o nascimento, a criança passa pela Triagem Auditiva Neonatal, conhecida como Teste da Orelhinha, que é obrigatória em todo o País desde 1992.

Os testes também podem ser repetidos ao longo dos anos para avaliar a evolução a audição. A lei garante a triagem, que tornou o diagnóstico mais precoce. Mas fazer a triagem e não fazer o tratamento não é o suficiente.

A diretora da Sonova e fonoaudióloga, Michelle Alvarenga, conta que a obrigatoriedade da triagem, muitos problemas auditivos eram descobertos em crianças apenas na fase escolar.

Era comum pegar criança na época da escola, na fase de alfabetização, sem o letramento adequado porque não ouvia direito. Há casos de pessoas que só descobrem a perda auditiva já na universidade e descobre que aquela dificuldade de aprendizagem na verdade era perda auditiva não diagnosticada.

O ideal seria fazer teste de audição e visão em todos. A dificuldade visual é mais evidente porque a criança se queixa de que não está enxergando a lousa direito e chama mais a atenção do adulto. Mas com a audição isso ainda não acontece.

Fontes: R7 - inclusaodiferente.net

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