domingo, 14 de maio de 2017

Sou mãe de uma criança com deficiência

Os desafios da maternidade surgem ainda na gestação, quando o corpo da mulher passa por poderosas mudanças. Homens jamais poderão entender plenamente essa metamorfose. E saber que aquele bebê virá ao mundo com diferenças capazes de alterar completamente os planos já estabelecidos é assustador.

Luiz Alexandre Souza Ventura

Imagem: Divulgação
Samuel e Malu são atendidos pela AACD. Imagem: Divulgação
Samuel e Malu são atendidos pela AACD.

Muitas histórias de mulheres que precisaram rever os próprios conceitos quando descobriram que seriam mães de crianças com deficiência fazem parte da rotina da AACD. O #blogVencerLimites conversou com essas mães para saber como a nova realidade precisa ser encarada.

“Descobri que minha filha nasceria com artrogripose quando estava no sexto mês de gestação. Nossa primeira reação foi buscar na dados na internet. E só encontramos informações ruins”, conta Cassandra, mãe de Malu. “Passamos a consultar médicos para entender melhor o que nos aguardava”, diz.

Seis horas após nascer, Malu fez sua primeira sessão de fisioterapia. “Ainda no hospital, dentro da maternidade, surgiu o preconceito, quando demos o primeiro banho”, lembra Cassandra. “Meu desafio de mãe é garantir que minha filha seja feliz e independente”, afirma.

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Seis horas após nascer, Malu fez sua primeira sessão de fisioterapia. Imagem: Divulgação
Seis horas após nascer, Malu fez sua primeira sessão de fisioterapia.

A nova história de Samanta, mãe de Samuel, hoje com 4 anos, também começou na gestação. “Foi uma ultrassonografia, na 19ª semana. Era minha segunda gravidez e eu sabia como funcionava o exame, percebi que o médico demorou mais do que o habitual e concentrou atenção na cabeça do bebê, mas ele não falava nada”, relata Samanta.

“Fiquei sabendo naquele dia que meu filho tinha mielomeningocele e hidrocefalia. Meu mundo caiu. Fui pesquisar na internet e só encontrei coisas horríveis. Passei uma semana chorando o dia inteiro. Eu não sabia nada sobre pessoas com deficiência e jamais havia ouvido falar o que afetava meu filho”, diz Samanta, que mora em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

Enfrentar o preconceito é fundamental, procurando na ausência de conhecimento uma forma de modificar a visão sobre o que significa ser mãe de uma criança com deficiência.

“Eu percebo os olhares, escuto comentários, mas o que importa é a nossa vida, a evolução, a felicidade nas pequenas coisas. A expectativa era de que minha filha não conseguiria andar, mas ela consegue. E cada novo movimento é uma festa para nós”, afirma Cassandra.

“São vários desafios. As escolas não estão preparadas, não há acessibilidade nas ruas e nos ônibus. Ser diferente não pode impedir meu filho de estudar”, desabafa Samanta. “Certa vez formos assistir uma apresentação do meu sobrinho na escola que afirmava ser totalmente acessível, mas não havia elevador. Eu perguntei ao diretor como meu filho, que usa a cadeira de rodas, conseguiria frequentar aquela escola. E esse diretor só conseguiu me pedir desculpas”, lembra a mãe de Samuel.

“Eu não sabia nada sobre pessoas com deficiência e jamais havia ouvido falar o que afetava meu filho”, diz a mãe de Samuel

Cassandra e Samanta afirmam ter encontrado na AACD o apoio necessário para garantir a Malu e Samuel qualidade de vida e dignidade, mas também informações corretas, apoio psicológico e atendimento médico de qualidade.

“Mudou completamente a nossa vida. A convivência com outras crianças faz a Malu evoluir constantemente e nós percebemos isso. Ela faz tudo de uma maneira própria. A equipe da associação trata minha filha com uma leveza única”, diz Cassandra.

“Frequentar a AACD mudou a minha visão, mostrou outra realidade de vida. Para meu filho, é bom fisicamente e também emocionalmente. Nós recebemos cuidados. Samuel é igual a todos na associação, usam os mesmos equipamentos, recebem os mesmos tratamentos. Enquanto na escola convencional ele é ‘o cadeirante’, na associação ele é somente o Samuel”, conclui Samanta.

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Samuel e Malu são atendidos pela AACD. Imagem: Divulgação
Samuel e Malu são atendidos pela AACD.


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