domingo, 18 de junho de 2017

Autoestima x Deficiência

                  

Por Patrícia Lorete

É fato que muitos têm problema com a sua imagem. No entanto, quando falamos da pessoa com deficiência, a situação piora bastante. Ter um corpo fora do padrão instituído como belo e aceitável, não é nada fácil! Não fazer parte da “normalidade social” automaticamente te coloca à margem. Encarar olhares que dizem que somos diferentes da maioria costuma incomodar.

No entanto, ao escrever este texto me fiz uma pergunta: Será que esses olhares, que nos destacam, são sempre de reprovação? Será que nunca nos olham com admiração? E minha autorresposta foi ... Existem os dois tipos de olhares. Mas, infelizmente, o olhar preconceituoso ainda prevalece. Não adianta, conforme diz o ditado popular, "Tapar o sol com a peneira". Mas, diante desta realidade o que faremos? Trancamo-nos dentro de casa e nunca mais saímos? É isso? Acho que não!

O que precisamos fazer é filtrar as mensagens que recebemos e reter as positivas, as que acrescentam, as que não machucam, aquelas que não nos fazem sentir uns “ETs”. Jogar fora as mensagens que nos induzem a acreditar que tem algo errado com nosso corpo ou jeito de interagir com o meio.

O problema é que algumas pessoas com deficiência insistem em aceitar os olhares negativos a seu respeito e passam a enxergá-los como verdadeiros. Incorporando uma vida sem graça, solitária, desanimada, triste, sem sentido! Abrindo mão do seu espaço e direito. Abrindo mão de viver! E, não, não pode ser assim! Não é justo que seja assim!

Porém, as pessoas com deficiência precisam se empoderar! Mas não conseguirão realizar o empoderamento se não tiverem uma boa autoestima que, segundo Sedikides & Gregg (2003), é a avaliação subjetiva que uma pessoa faz de si mesma, como sendo intrinsecamente positiva ou negativa, em algum grau.

A autoestima, consequentemente, traz a autoaceitação, que é: a ação de aceitar a própria forma de ser, os próprios defeitos, as qualidades, etc. E, assim, consegue-se viver bem com os outros e, principalmente, conosco! Bem como escreveu a Cíntia Salvato: “A Autoestima é o que há de mais divino no ser humano. Pois, quando nada lhe resta, resta-lhe a si mesmo".

Já a baixa autoestima inibe nosso potencial e prejudica o convívio social. E, consequentemente, reforça a ideia de que ninguém gosta da gente, que ninguém quer ser nosso amigo, que somos feios, desinteressantes e...blá, blá, blá...! Esse tipo de pensamento acaba por criar um círculo vicioso. A pessoa com deficiência se comporta como a coitadinha, a injustiçada, a enclausurada. Em contrapartida, a sociedade nos torna cada vez mais incapazes e “invisíveis”.
Precisamos mudar a forma de nos ver e avaliar. Embora saibamos que tal mudança de avaliação esteja longe de ser simples e fácil. E vou te contar, hein, às vezes, dói pra caramba! Mas é preciso passar por este processo. Não tem jeito! E cada um no seu tempo. Derrubar "nossos muros" pode levar anos. No entanto, o importante é não desistir, não se entregar. Em algum momento “o muro cai”. E o resultado final é recompensador.

Portanto, para ser visto pelo que se é (E isto vale para pessoas com e sem deficiência), na essência, e não somente por ter um corpo diferente ou fora da simetria tão cultuada nos dias atuais, ACEITE – SE! Goste (ou aprenda a gostar) das suas pernas, do seu nariz, do cabelo, do pé, enfim... goste-se do jeitinho que você é! E, por favor, esqueça esta bobagem de normalidade social. Acredite, a normalidade é um fantasma, ela não existe!

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