sábado, 24 de junho de 2017

"Seja gentil, amiga”

Por Fabiana Ribeiro*, Incluir para Crescer

Ser gentil é um bom começo (Foto: Thinkstock)
Ser gentil é um bom começo (Foto: Thinkstock)

Dia desses, uma amiga me pediu dicas de como fazer o filho, de 10 anos, ser mais inclusivo.

Disse que, por mais que as diferenças sejam um tema recorrente em sua casa, ela não via no seu menino muita paciência com aquilo que não é lá muito de seu interesse. Se existisse uma cartilha, portanto, ela compraria. Um manual, seguiria. Regras, adotaria. Infelizmente, não há nada disso.
Então, lá estava ela na minha frente, pura angústia, querendo uma resposta. Precisava fazer de seu rebento um ser capaz de entender que, em alguns momentos, é preciso ceder a vez a alguém que simplesmente não dê conta de lidar com a espera numa fila. Ela precisava de um caminho para que seu filho não sentisse inveja ou despeito do colega que tem mais tempo para fazer prova porque ele tem dislexia ou baixa visão. Também queria ajuda para que o menino compreendesse que nem toda criança consegue controlar seus sentimentos como ele.
Então, disse apenas: “Seja gentil”.
“Oi?”
“Seja gentil com vizinhos. Com amigos e desconhecidos. Seja gentil com a empregada, com a tia que mora longe, com a irmã de sua sogra. Com o cachorro, com o vendedor de mate e com o professor de judô. Seja gentil com o trocador do ônibus, com o primo do irmão do seu colega de trabalho, com o manobrista do restaurante. Seja gentil com o seu filho. Sempre. Todos os dias”.
“Fácil para mim que sou educada, vim de boa família, sou gente boa”, garantiu a amiga. “Mas não pode ser só isso”.
Não, não é. Mas a gentileza, gesto tão simples quanto nobre, é o primeiro passo para quem busca pensar mais no outro. E o que não seria o exercício da inclusão senão uma genuína manifestação de empatia?
Dias depois a amiga voltou. Dessa vez, queria um novo conselho: como faço para ser gentil?
*FABIANA RIBEIRO é jornalista e co-fundadora do Movimento Paratodos que visa a promover a inclusão das pessoas com deficiência. É mãe corujíssima de Pedro, 10 anos, e Vitor, 8 - dois meninos que, a cada dia, a desafiam a querer ser uma pessoa melhor. Quer escrever para ela? Mande um e-mail para: fabiana.ribeiro@paratodos.net.br

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